terça-feira, 2 de agosto de 2011

UM POUCO DA HISTÓRIA DO MFC - MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO

O MFC – MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO nasceu na Argentina e Uruguai no final dos anos 40 quando realizou suas primeiras experiências com Grupos de Casais. Sua criação oficial ocorreu no Uruguai no ano de 1950.

Os pioneiros no MFC foram os casais Casais Soneira, Gelsi, Gallinal e o Padre Pedro Richards. No Brasil, o MFC foi criado em julho de 1955, durante o Congresso Eucarístico Internacional realizado no Rio de Janeiro.

A expansão na América Latina aconteceu em 1957, constituído o SPLA – Secretariado para a América Latina em 7 países, quando realizou o I Encontro Latino-Americano e teve como primeiro presidente o casal Federico e Hortensia Soneira. Em 2005 o MFC chegou em 18 países, com mais de 40 mil famílias.

NASCIDO NO BRASIL
Durante o Congresso Eucarístico de 1955 os casais uruguaios e o Pe. Pedro Richards se reuniram com casais brasileiros da Ação Católica, no Ministério da Educação, Rio de Janeiro, por convite do Pe. Helder Câmara. Acolhida a idéia, formaram-se três equipes de casais em Niterói e Rio.

EXPANSÃO
Primeira Equipe Nacional: Júlio e Magdalena Barros Barreto, Nelson e Gabriela Parente.

Jean e Neuza Schwartz com Frei Lucas Moreira Neves assumem a expansão, viajando de avião, jeep, ônibus e jegue, criando núcleos do MFC Brasil afora.

APROVAÇÃO
O MFC recebeu a calorosa aprovação do Papa, do SELAM - Conselho Episcopal Latino Americano e da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, de raízes Católica, recebe também casais de outras confissões religiosas.

INICIAÇÃO
Através de convites pessoais e ou de Encontros conjugais, formam-se pequenos grupos com 10 a 12 pessoas, para facilitar um melhor entrosamento e aprofundar laços afetivos. Esses pequenos grupos são abertos na integração contínua de casais, viúvos (as), separados (as), divorciados (as) jovens, filhos e, abrem possibilidades aos seus integrantes de viverem um processo comunitário em troca de experiências, revisão de vida, reflexão crítica sobre os acontecimentos que afetam a sua vida conjugal, familiar, profissional, social, política e religiosa.

GRUPOS
São pessoas (adultos e ou jovens) interessadas em iniciar um ciclo de reuniões para o estudo dos grandes problemas que os desafiam. O confronto de opiniões, a troca de experiências e a ajuda mútua, darão o tom de cada reunião delineando seus caminhos. Seus membros deverão manifestar livremente, apresentando com espontaneidade as suas próprias perspectivas e experiências pessoais, para confrontos fraternos com as dos demais. Hão de ser fecundos, se houver abertura, tolerância, humanidade, atenção e hospitalidade à palavra do outro. Esses debates servirão para a remoção de pequenos e de grandes obstáculos à vivência mais harmoniosa das relações conjugais e de toda a família.

REUNIÕES
As reuniões não são simples encontros sociais sem conseqüências. É um trabalho sério. Mas devem ser descontraídas, marcadas pela naturalidade, não deverão ultrapassar duas horas de duração. É preciso um mínimo de planejamento e de preparação por todos os membros, tornando-se assim, as reuniões ricas e proveitosas. A simplicidade é nota dominante no trabalho dos grupos. Na reunião, é a opinião formada na experiência vivida e exposta com as mesmas palavras simples de cada um costuma usar no seu dia a dia. Esta simplicidade, não prejudicará a seriedade e a profundidade na abordagem dos temas escolhidos. Há despreocupação quanto à censura, pois é como ele a vê.

PROCESSO
O processo utilizado para dinamizar as reuniões, é o participativo, libertador e transformador da sociedade, cabendo a cada membro colocar a serviço do grupo, todos os seus dons. É o transmitir e receber conteúdo, através de método dialogal, onde todos terão voz e vez e onde não há professor nem aluno. A sabedoria é a vivencia. É a cultura que brota do saber de cada um. É o respeito pela palavra do outro. Todos têm problemas, mas longe de ser objeto de lamentações, é tudo de profunda reflexão o transformar esta vivencia amarga, numa experiência positiva. Alargar seus próprios horizontes, e possibilitar o contato direto com os problemas do mundo, se torna questionamento constante, aberto, pronto a revisar suas idéias e a se auto-indagar.

O QUE PROMOVE
A cada três anos, o Movimento Familiar Cristão, realiza um encontro nacional – ENA e a cada quatro anos, um Encontro Latino – Americano – ELA. São momentos fortes onde toda a base se prepara estudando, refletindo para a realização destes grandes eventos. Neles, se avaliam os trabalhos realizados, são pesquisados novos caminhos que se abrem as famílias e estudam-se as realidades do mundo em contínua transformação.

FAMÍLIA
Abre a família para a compreensão dos grandes problemas sociais da modernidade, levando-a a se preocupar mais responsavelmente, pela promoção global de todas as famílias especialmente as mais carentes, as mais incompletas, as famílias incompletas pelo abandono do lar ou pela viuvez, ou aquelas marcadas pela marginalidade, pela doença e pela ignorância. Educa os pais para a educação dos filhos.

O QUE REALIZA
O MFC desenvolve muitas atividades de promoção familiar e social, com a participação dos membros de suas equipes: as muito conhecidas são as de preparação ao casamento, os cursos e encontros de casais, debates com pais ou com alunos, nas escolas: a manutenção de instrumentos e centros de orientação conjugal e familiar, além de desenvolver trabalhos com menores carentes.

COMPROMISSO
O MFC está comprometido na construção de uma sociedade mais justa, que permita às famílias realizarem plenamente suas funções humanizadoras e evangelizadoras, por isso, quer a elaboração e crescente aprimoramento de uma política social familiar que responda às suas necessidades básicas de educação, saúde, habitação e lazer.

O MFC COLABORA
Com a pastoral familiar da CNBB, no Brasil e em toda América Latina, com o CNL – Conselho Nacional de Leigos e, em geral com a pastoral familiar nas Paróquias.

MANUTENÇÃO
O MFC é mantido por seus membros, em cada cidade realiza campanhas para levantamento de recursos que permitam custear os grandes programas nacionais: encontros, simpósios, seminários e demais atividades do MFC no Brasil.

COMO PARTICIPAR
Se você deseja ingressar no Movimento Familiar Cristão, basta procurar a direção deste Movimento na sua cidade, caso não consiga localizá-lo, comunique através do Site do MFC http://www.mfc.org.br e receberá instruções como proceder para encontrar o núcleo de mais fácil contato.

A COORDENAÇÃO A SERVIÇO DA COMUNIDADE O MFC POSSUI:
CONDIN - Conselho Diretor Nacional, composto de um colegiado com representação nas cincos regiões, para atender todo o Brasil, que se chama CONDIR  - Conselho Diretor Regional. São eles:

CONDIR NORTE – Conselho Diretor Norte.
CONDIR NORDESTE – Conselho Diretor Nordeste.
CONDIR CENTRO-OESTE – Conselho Diretor Centro-Oeste.
CONDIR SUDESTE – Conselho Diretor Sudeste.
CONDIR SUL – Conselho Diretor Sul.

SECRETARIADO NACIONAL
SENFOR: Secretariado Nacional de Formação.
SENFIN: Secretariado Nacional de Finanças.
SENCOM: Secretariado Nacional de Comunicação.
SENPREC: Secretariado Nacional de Preparação ao Casamento.
SENEN: Secretariado Nacional de Expansão e Nucleação.
SENAPS: Secretariado Nacional de Ação Política e Social.
SENJOV: Secretariado Nacional de Jovens.
AGLA - Assembléia Geral latino-americana –de quatro em quatro anos.
AGN - Assembléia Geral Nacional – de três em três anos e acontece logo após o encerramento do ENA.
ELA - Encontro Latino Americano – de três em ter anos.
ENA - Encontro Nacional: ENA – Acontece de três em três anos, o ultimo aconteceu em julho de 2010 na cidade de Vila Velha (ES), e o próximo acontecerá em julho de 2013, em Vitória da Conquista (BA).
IBRAF - Instituto Brasileiro da Família.

SEU SER, NATUREZA E OBJETIVO
Movimento de Igreja, de âmbito latino-americano, “constituído por livre eleição dos leigos e dirigido por seu prudente juízo”. (A. A. nº 24)

Visa à evangelização e promoção da família e seus valores humanos e cristãos para que possa cumprir a sua missão de formadora de pessoas, educadora na fé e promotora do bem comum.

CARISMA
Original: Valorização do amor conjugal, a construção de famílias mais felizes para que o mundo seja melhor.

Hoje: Preparar famílias para o compromisso cristão de construção de um mundo mais justo e solidário no qual todas as famílias possam se humanizar e cumprir a sua missão.

EXPRESSÕES DO CARISMA
Famílias comprometidas com a salvação da sociedade.
Famílias integradas no processo de mudanças sociais em favor da justiça.
Famílias Igrejas-Domésticas, como coração do Povo de Deus.
Famílias conscientizadas e críticas frente a ideologias políticas.

ABERTURA DO CONCEITO DE FAMÍLIA
Famílias que se reconhecem incompletas, imperfeitas, sejam na vivência do amor, no serviço aos outros, na falta de fé, na ausência ou debilidade da dimensão sacramental da união conjugal...
portanto famílias incapazes de discriminar outras por imperfeições de qualquer natureza.

MFC ABERTO À PARTICIPAÇÃO DE TODAS AS PESSOAS E FAMÍLIAS
Famílias que buscam viver o amor entre seus membros, no serviço aos outros, com seus valores e imperfeições, independentemente da natureza do vínculo matrimonial.

Pessoas solteiras, jovens ou adultos, viúvas, divorciadas, em sintonia com os objetivos e carisma do Movimento.

ESPIRITUALIDADE CONJUGAL
casamento é uma realidade humana e na visão cristã um sacramento.

Sacramento, se a união conjugal é fundada no amor que toma como modelo o amor de Deus: gratuito, fiel, humanizador, de doação ao outro...

amor humano é, portanto, a expressão central da espiritualidade conjugal.

FAMÍLIA CONDICIONADA PELA SOCIEDADE
O MFC reconhece que a família é condicionada por pressões sociais desagregadoras ou condições de vida que a desumanizam e impedem a plena realização de suas funções Para construir famílias é preciso portanto reconstruir uma sociedade que as desagrega.

SOCIEDADE QUE SE TRANSFORMA PELA AÇÃO DAS FAMÍLIAS
Famílias conscientizadas sobre a realidade social que as condicionam Famílias que assumem sua missão profética de anunciar um modelo de sociedade justa, fraterna e solidária Famílias comprometidas com a denúncia profética de toda forma de injustiça social.

MFC: três palavrasMovimento: ativo, profético, a caminho, nunca um corpo estático, inerte.

Familiar: congrega famílias e seus membros e os formam para serem agentes de transformação.

Cristão: transformação orientada à edificação do Reino de Deus: uma sociedade justa, solidária e igualitária.

SUA VIDA
A VIDA DO MFCMovimento de pequenas comunidades familiares cristãs – casais e pessoas solteiras, viúvas, divorciadas, jovens e adultas, recasadas... em sintonia com o carisma do MFC.

Comunidades que se encontram para criar laços afetivos, formar-se humanamente e na fé, para assumir ações transformadoras da sociedade.

O PROCESSO PEDAGÓGICO
A formação se desenvolve em reuniões do grupo, com apoio de temários ou a partir do ver a realidade que o cerca e julgá-la à luz da fé e das ciências humanas, para descobrir como agir na solução dos problemas identificados.

O processo cria laços entre seus membros e leva a ações conjuntas.

CRESCIMENTO HUMANO E NA FÉ.

Na partida, há um grupo ainda não plenamente integrado Logo se consolida numa equipe-base, com um projeto comum de formação e de ação conjunta, vivendo o processo pedagógico de crescimento na maturidade, a equipe-base evolui para ser uma verdadeira comunidade familiar unida por fortes laços afetivos.

ATRAÇÃO PARA A EXPANSÃO
Convites cordiais a pessoas e famílias para integrarem-se ao processo, encontros de famílias, de casais, de jovens, com metodologia participativa apropriada, motivando à integração.

Atividades com jovens e encontros ou cursos de preparação ao casamento, incentivando à continuidade da formação, em grupos ou equipes-base.

METODOLOGIA
Reuniões de equipes-base e diversos tipos de encontros e atividades de formação com emprego de metodologias participativas, todos os envolvidos sendo motivados a uma troca construtiva de conhecimentos, de experiências de vida, construindo juntos um novo saber enriquecido.

FORMAÇÃO
Centrada no processo pedagógico vivido nas equipes e comunidades, nas reuniões e convivência solidária, onde se reflete e se trocam experiências de vida familiar e social à luz do evangelho complementada por cursos de formação humana e cristã para uma fé adulta, suprindo deficiências de escolaridade, educação e catequese.

SUA AÇÃO
AÇÕES COLETIVAS DAS COMUNIDADES E DO MFC

Conscientização através de programas de debates, painéis, cine-fóruns...

Profetismo: anúncio de um novo mundo possível e denúncia de toda forma de injustiça.

Programas assistenciais, promocionais de pessoas e famílias.

Ações políticas suprapartidárias.

RECURSOS DE APOIO À FORMAÇÃO: editoria de publicações
Temários de reuniões de grupos, equipes-base e comunidades familiares.

Revista “Fato e Razão” para formação, conscientização e apoio às reuniões.

Publicações, vídeos e material didático para a preparação ao casamento, encontros de famílias, casais, jovens...

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

11º ENCONTRO DOS AMIGOS DE GUARABIRA(PB) E ALAGOAS NO PROGRAMA ESPORTE CAMPEÃO - TV PAJUÇARA/RECORD

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O majestoso Estádio Rei Pelé foi palco do
11º ENCONTRO DOS AMIGOS DE GUARABIRA(PB) E AMIGOS DE ALAGOAS

Assista ao vídeo apresentado no
Programa ESPORTE CAMPEÃO, com Eduardo Canuto, na TV Pajuçara – Rede Record.


HARMONIA CONJUGAL E SEXUAL DO CASAL CRISTÃO

Prof. Felipe Aquino

Prof. Felipe Aquino
É pregador de Retiros de Aprofundamentos, em todo o país.

Já meditamos sobre as ameaças que pairam sobre esta instituição sagrada que é a família e sabemos que se a família é ameaçada, toda a humanidade está ameaçada. Em 1994 houve uma conferência na China sobre a mulher, que foi patrocinada pela ONU e o Vaticano enviou uma delegação para participar, nessa delegação havia uma mulher como chefe, a Doutora Mary Ann Glendon, já em 1997 no Rio de Janeiro houve um congresso sobre a família e essa mesma doutora esteve presente e nos contou como ficou horrorizada com tudo o que viu e ouviu na conferência em que participou na China, e nos disse que há um movimento para destruição das famílias.

Ela falava do documento que lhe foi dado neste evento, onde haviam muitos fatores apontando a família como algo negativo, não havia nada que valorizasse a família. Então hoje nós vemos um movimento orquestrado para destruir a família, pois a família traz os valores cristãos e isso não agrada ao mundo de hoje, por isso estamos vivendo essa tentativa de destruição das famílias.

O papa Bento XVI diz bem claro, que o homem de hoje construiu um mundo que não há mais lugar para Deus, então essa cultura anti - família esta descendo sobre nós nos dias atuais, por isso torna-se cada vez mais importante que as famílias vivam bem e dêem seu testemunho. Também o papa João Paulo II quando pregou para as famílias em 2000, disse: “Casais cristãos, sejam para o mundo um sinal do amor de Deus”, o mundo deve olhar para os casais cristãos e dizer é possível viver o amor.

Hoje nós precisamos, como casais cristãos, ser para o mundo o sinal do amor de Deus, talvez você não possa falar em uma rádio ou em uma televisão, mas que você diga com a sua vida que é possível ser esse sinal do amor de Deus. O papa João Paulo II também disse para que os casais não tivessem medo da vida e que pudessem ter seus filhos, filho não é maldição ao contrário do que alguns pregam, os filhos são uma benção para um casal. Nós não podemos deixar que o secularismo tome conta de nossa mentalidade, de nosso conduta, é preciso agir contra essa mentalidade para que sejamos de fato cristãos. Precisamos imitar a Cristo, obedecer a Igreja!

Quero falar sobre a vida do casal, sobre a harmonia conjugal e sexual dos casais, um casal não tem harmonia sexual se não tiver harmonia conjugal. Eu escrevi alguns livros sobre estes temas para ajudar os casais, para que possam viver como Deus quer que vivam. A vontade de Deus para cada casal é que sejam uma só carne, de tal forma que tenham uma unidade profunda e que nada e nem ninguém tenham como separá-los. Vocês casais estão juntos ou estão unidos? Vocês tem os mesmos projetos de vida, os mesmos objetivos, ou cada um tem seus próprios projetos? O casal quando é unido não tem dois planos, dois projetos, mas eles caminham juntos, decidem juntos, um não mente para o outro, tudo é vivido as claras, não há tapeação, dissimulação, porque se houver, não é casamento.

O casamento deve ser como um parafuso e uma porca, que se encaixam direitinho, mesmo sendo diferentes. O casal não deve ser um igual ao outro, porém eles devem se complementar, formando assim uma unidade, é como o café quando misturado com o leite, não há como separar, eles são um novo produto quando unidos, não há como separar, é assim que o casal devem ser de tal forma que ninguém consiga separar os dois após a união.

Como conseguir essa união? Primeiro é preciso entender que há duas dimensões no casamento, a natural e a sobrenatural. Em primeiro lugar é preciso ter Deus nessa união, um casal que caminha junto na sua espiritualidade, vai a igreja, rezam juntos, esse casal não se separa, acontece a separação de um casal deste tipo entre mil, porém porque Deus os uniu, Ele mesmo se encarrega de ajudar este casal a caminharem juntos.

O papa João Paulo II em uma das vezes que veio ao Brasil disse que a passagem das Bodas de Caná quer nos dizer que onde há um casal, também esta ali Jesus e Maria ajudando para que vivam seu casamento. Quem dará o suplemento de graça a vocês casais é Deus por isso estejam em Deus, pois assim serão sinais do amor de Deus no mundo e não terão medo da vida.

Em segundo lugar o casal é a mais profunda realidade natural, não há nesta vida algo mais profundo do que a unidade entre o marido e a mulher. O Papa João Paulo II fez 127 catequeses falando sobre a teologia do corpo, e entre muitas coisas que ele disse, uma delas foi que no amor do marido e mulher nós temos a expressão do amor de Deus. Assim como na Santíssima Trindade há um amor tão profundo que a torna uma só pessoa, assim também Deus quis fazer com o casamento, com os casais.

A aliança no dedo significa também essa aliança de Deus com o povo do antigo testamento e também a nova aliança com o povo do novo testamento, por isso no livro do cântico dos cânticos Deus fala desse amor entre a pastora que é nossa alma e Deus, um amor muito forte. São Paulo diz: “maridos amai as vossas esposas como Cristo amou a Igreja”, é assim que deve ser o amor, um amor doação, onde estou voltado para o outro e não vivendo um egoísmo. Se um casal não viver de forma harmônica sua relação, não há como ter harmonia na vida sexual.

Quero dar um exemplo, o olho é algo maravilhoso, há olhos de vários tipos e cores, mas o olho fora do lugar é algo horroroso, o sexo também é assim, é algo lindo, mas o sexo vivido fora do lugar é uma desgraça, é adultério, é causa de doença, é causa de filhos órfãos de pais vivos, ninguém viverá a castidade enquanto não estiver convencido de que o sexo é para ser vivido no lugar dele, no casamento.

Muitos trazem dúvidas sobre o que é possível se viver na sexualidade do casal, e eu não encontrei algo que pudesse tirar todas as dúvidas, então fui atrás de seis padres e de Dom Beni, nosso bispo, e escrevi um livro e todos eles que leram me ajudaram a colocar neste livro um conteúdo que tira muitas dúvidas dos casais.

Primeiro é preciso entender o sentido da vida sexual do casal. Quem deu esse prazer intenso ao sexo? Foi Deus! E Deus colocou o prazer no sexo para que o casal pudesse sentir uma pontinha daquilo que é o amor pleno de Deus. O ato sexual de um casal é a intimidade mais profunda que um ser humano pode viver aqui na terra, e Deus quis que nessa celebração de amor, naquele prazer estonteante, fosse gerada a vida.

Infelizmente muitos trazem uma mentalidade errada sobre o sexo, pensam que mesmo no casamento o sexo é algo sujo, mas não, quando o casal casado, unido pelo sacramento do matrimônio se une em um ato sexual ali acontece uma oração. Mas o ato sexual de um casal deve ser feito com amor, pois sem o amor é impossível que o casal tenha uma harmonia sexual, o prazer sexual deve ser fruto do amor que o casal vive.

O ato sexual é um vitalizante para o casal, mas se não houver o amor é diferente, se compara há um ato de prostituição. E como viver bem a harmonia conjugal para se viver bem a harmonia sexual? Um grupo de terapeutas conjugais listaram dez pontos importantes na vida do casal, vou citar este pontos.

Nunca irritar-se os dois ao mesmo tempo, assim como quando cultivamos uma flor devemos cultivar o amor conjugal. E será que eu não estou tratando mal essa flor do amor conjugal? Quando estiver irritado, o outro deve manter a calma.

E eles dizem: Nunca gritem um com outro, pois gritar machuca, ofende, e como você vai se relacionar bem com quem você gritou?

Se alguém deve ganhar em uma discussão, que seja o outro, o casal não deve discutir, mas sim dialogar, pois na discussão surge a briga e alguém sempre sai ferido. Na discussão cada um defende o seu ponto de vista, no diálogo os dois buscam o melhor para os dois, lembre-se que uma vitória na briga pode ser uma derrota no amor.

Se for inevitável chamar a atenção do outro faça com amor, este também é um ponto crítico. Chamar atenção com amor é ter sabedoria, é rezar pela pessoa pedindo a Deus para fazer da melhor forma, escolha o momento certo, não chame atenção do outro enquanto ele ainda está agitado, cuidado com as palavras que você utiliza, muito depende do jeito com que você fala, nossas palavras ferem mais que uma espada, e nunca jogue no rosto do outro os erros do passado, pois assim você retira a casca da ferida que estava cicatrizando.

A displicência com os outros é tolerável, mas não com o cônjuge, você não pode ter a falta de atenção com outro, isso fere demais ao casal, quando um chegar em casa o outro deve deixar o que for para recebê-lo, pois se não for assim você vai matar a planta do amor. Os casais chegam a uma vida insuportável porque se tratam indiferente um ao outro.

Pelo menos uma vez ao dia diga uma palavra carinhosa ao outro, diga algo que possa fazer o outro se sentir bem, pois todos nós nos sentimos bem quando elogiados. Antes de chamar atenção do outro diga de suas qualidades, faça um elogio, não chegue falando somente do negativo, isso não é ser fingido, mas é saber como lidar com o outro, é psicologia.

Nunca durmam brigados, pois se fizerem isso no outro dia o problema se tornará maior e por último, quando um não quer os dois não brigam. E vivendo isso o casal terá uma harmonia conjugal que os levará a uma harmonia sexual. Dessa forma o casal será feliz em sua vida conjugal e sexual.

domingo, 31 de julho de 2011

LITURGIA DO 18º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 31/07/2011

DAÍ-LHES VÓS MESMOS DE COMER!
A comunidade cristã enquanto testemunha de Cristo é chamada a ser espaço da partilha e da solidariedade. Por isso, ao conduzir a humanidade para Cristo pela eucaristia e pela prática da justiça, a Igreja deve alimentá-la em sua fome de pão e de vida. Dessa forma ela se revelará sacramento de salvação.

18º domingo do tempo comum
1ª Leitura: Leitura do Livro do Profeta Isaías 55, 1-3
Salmo:  144
2ª Leitura: Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos 8, 35.37-39
Evangelho: Mateus 14, 13-21
  
EVANGELHO – MATEUS 14, 13-21
Naquele tempo, quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu dali e foi, de barco, para um lugar deserto e afastado. Mas quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e o seguiram a pé.

Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes.

Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se dele e disseram: "Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!"

Jesus porém lhes disse: "Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!"

Os discípulos responderam: "Só temos aqui cinco pães e dois peixes".

Jesus disse: "Trazei-os aqui".

Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama. Então, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção.

Em seguida partiu os pães e os deu aos discípulos.

Os discípulos os distribuíram às multidões.

Todos comeram e ficaram saciados, e, dos pedaços que sobraram, recolheram ainda doze cestos cheios.

E os que comeram foram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

Palavra da Salvação – Glória a vós, Senhor.

HOMILIA –  Dom Henrique Soares da Costa
A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

Hoje o Evangelho nos apresenta Jesus como a plenitude da compaixão de Deus no nosso meio. Multiplicando os pães, ele realiza de modo pleno aquilo que Moisés e Elias, os mesmos personagens da Transfiguração, representantes da Lei e dos Profetas, já haviam realizado: Moisés deu de comer ao povo no deserto; Elias sustentou com alimento a viúva de Sarepta durante todo o tempo da seca em Israel. Ora, Jesus é aquele que nos alimenta em plenitude, é o Messias prometido a Israel e à humanidade. Como o Bom Pastor, de que fala o Salmo, ele faz seu rebanho descansar na relva mais fresca e lhe prepara uma mesa. Seu alimento não se reduz ao pão. Primeiro nos alimenta porque sente compaixão de nós, de nossa pobreza e indigência: "Viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes". Mais do que de pão, é de amor, de ternura e compaixão que o Senhor nos alimenta! Alimenta-nos também com sua Palavra de vida eterna: vê a multidão cansada e abatida como ovelhas sem pastor e ensina-lhe, fala do Reino até o entardecer... Olhando o nosso Salvador, vemos cumprir-se nele o convite tão terno, tão comovente do Deus de Israel: "Ó vós todos que estais com sede, vinda às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, cinde comprar sem dinheiro, e alimentai-vos bem, tomar vinho e leite, sem nenhuma paga!'

Que belo convite! Num mundo no qual tudo é pago, tudo gira em torno do lucro, tudo tem a preocupação do retorno econômico e do interesse (até nas seitas por aí a fora, o dízimo é a chave de entrada no céu), o Senhor se revela graciosamente! Quem dera, o mundo compreendesse esse amor apaixonado de Deus que se manifesta em Jesus! Quem dera se reconhecesse faminto e sedento! Quem dera se deixasse interpelar: "Por que gastar dinheiro com outra coisa que não o pão, desperdiçar o salário senão com satisfação completa? Ouvi-me com atenção e alimentai-vos bem! Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida!" Infelizmente, o nosso é um mundo cansado, mas também auto-suficiente, prepotente, que pensa poder sozinho, do seu modo se saciar e viver de verdade! Também nós, nas nossas pobrezas, tanta vez fugimos do Senhor, ao invés de correr para ele, nosso Poço, nossa Água, nosso Pão, nosso Refrigério!

Mas, nós, cristãos, sabemos que em Cristo Jesus encontra-se a vida, encontra-se o verdadeiro caminho, a verdadeira vida do mundo! É isso que São Paulo exprime com palavras comoventes: "Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação? Angústia? Perseguição? Fome? Nudez? Perigo? Espada? Em tudo isso somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou!" É por essa experiência do amor tão terno e presente de Jesus na nossa vida que somos cristãos! Deixemo-nos saciar pelo Senhor e experimentaremos que "nem a morte, nem a vida, nem o presente nem o futuro, nem outra criatura qualquer, será capaz de nos separar do amor de Deus por nós, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor!"

Caríssimos, a verdadeira Boa-Nova para o mundo atual é esta: o amor terno e próximo de Deus, manifestado em Jesus Cristo! Mas, atenção: somente poderemos ser testemunhas de tal amor se nós mesmos nos deixarmos tocar e envolver pela ternura do Cristo! Atendamos, portanto, ao seu convite de ir gratuitamente a ele, apesar de nossas pobrezas! Deixemos que ele nos alimenta e sacie de vida e de paz!

Não esqueçamos também que, sobretudo na Eucaristia essa vida, essa alimento, essa paz vêm a nós! Neste Ano Eucarístico, sintamo-nos convidados pela Igreja a recobrar nossa devoção e piedade eucarísticas. Primeiro pela participação consciente e piedosa da Santa Missa todos os domingos. Mas, também pela adoração ao Santíssimo Sacramento. Aí o Senhor Jesus nos espera para nos falar ao coração e encher-nos da sua paz. Estejamos atentos a alguns aspectos desse carinho pela presença eucarística de Cristo. Eis alguns pontos para nossa meditação: (1) como está minha participação na Missa? (2) Tenho consciência do que é a Missa? Compreendo que ela é o sacrifício de Cristo tornado presente no Altar para vida nossa e do mundo inteiro? (3) Tenho respeito pela presença de Cristo na Eucaristia? Quando entro na Igreja, dobro meu joelho ante o Santíssimo? Detenho-me em adoração ou fico conversando e disperso? (4) Tenho reservado alguns minutos durante a semana para uma visita ao Santíssimo Sacramento, para falar-lhe em espírito e verdade, como um amigo ao outro amigo?

Eis, meus caros! Procuramos vida e realização em tantas bobagens! A Vida, a Realização, é Jesus que se dá a nós no Altar e por nós espera no sacrário! Saibamos valorizar esse Dom tão grande: "Ó vós todos que estais com sede, vinda às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, cinde comprar sem dinheiro, e alimentai-vos bem, tomar vinho e leite, sem nenhuma paga!' Que o Senhor nos dê a graça de aceitar seu convite! Amém

ORAÇÃO
Pai, que a vivência da comunhão e da fraternidade na fé nos leve a superação do egoísmo, para que vivendo a partilha sejamos corresponsáveis uns pelos outros. Amém! 

HOJE, 97ª MISSA DO MFC NO ALDEBARAN

sábado, 30 de julho de 2011

PROGRAMA ESPORTE CAMPEÃO - TV PAJUÇARA - RECORD

ASSISTA NESTE SÁBADO (30), A PARTIR DAS 12H30MIN, O PROGRAMA ESPORTE CAMPEÃO, COM EDUARDO CANUTO, NA TV PAJUÇARA - REDE RECORD, REPORTAGEM SOBRE O 11º ENCONTRO DOS AMIGOS DE ALAGOAS E GUARABIRA(PB).

CONSELHO DIRETOR NACIONAL DO MFC SE REUNIRÁ EM MACAPÁ(AP)

Eduardo, coordenador nacional do MFC

O CONDIN - CONSELHO DIRETOR NACIONAL DO MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO estará reunido no período de 16 a 18 de setembro próximo, na cidade de Macapá (AP), com a participação de todos os CONDIR’s (Conselho Diretor Regional), ocasião que extensa pauta será discutida com debates e definições das ações mefecistas para o restante do triênio.

Conselho Diretor Nacional do Movimento Familiar Cristão nesta reunião administrativa será presidido pelos mefecistas Eduardo e Ismari (Coordenadores Nacionais e CONDIR SUL), Antônio Carlos e Ângela (Vice-Coordenadores Nacionais).

Compõe também o Conselho os coordenadores regionais Alzenir e Nereida (CONDIR NORTE), James e Fátima (CONDIR NORDESTE), Freitas e Alivanir (CONDIR SUDESTE), Moisés e Aparecida (CONDIR CENTRO-OESTE) e José Newton e Ariadna (Coordenadores Nacionais da Gestão Anterior).

Até o final de agosto a coordenação nacional deve informar as sugestões da pauta da reunião e divulgar a relação completa dos participantes da 3ª Reunião do Conselho Diretor Nacional na Gestão 2010/2013.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

CÔNEGO JOÃO NETO COMEMORA ANIVERSÁRIO HOJE

Cônego João Neto, aniversariante do dia.

A comunidade católica da Paróquia de Santa Catarina Labouré, no Aldebaran, comemora hoje, dia 29, o aniversário natalício do Cônego João José de Santana Neto.

Cônego João Neto nasceu na cidade de Simão Dias, em Sergipe, adotou Maceió como sendo sua cidade do coração. Foi ordenado padre no dia 25 de março de 1999. Há seis anos é o pároco da Igreja de Nossa Senhora das Graças da Paróquia de Santa Catarina Labouré, no Aldebaran.

Atualmente é diretor administrativo do Colégio Arquidiocesano de Maceió; Representante da Arquidiocese de Maceió à frente da Santa Casa de Misericórdia; Interventor da Casa dos Pobres; e Secretário Arquidiocesano.

Em maio último, a Câmara Municipal lhe concedeu o Título de Cidadão Honorário de Maceió. Ao receber o título, cônego João Neto disse: “Precisamos acreditar que somos capazes de transformar nossa sociedade, acolhendo os menos favorecidos. O amor é a maior de todas as virtudes. O amor opera em silêncio. No entanto, a construção acontece e somos marcados por aqueles que nós amamos. Renascemos para Cristo ao vivermos para o sacerdócio”.

Cônego João Neto celebra aos domingos a Santa Missa das 17h30min com a organização litúrgica do Movimento Familiar Cristão de Maceió.

 No sábado (30), haverá um almoço de adesão, na casa paroquial do Jardim Petrópolis I, onde fieis e amigos comemorarão o seu aniversário.

O MFC - Movimento Familiar Cristão parabeniza o cônego João Neto pela passagem do seu aniversário.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O ESPAÇO E O TEMPO DO PENSAMENTO - Artigo de Rubem Alves

O ESPAÇO E O TEMPO DO PENSAMENTO

Rubem Alves
Rubem Alves
Colunista da Folha de São Paulo

Notei, numa mesa ao lado, uma menina que escrevia e consultava um dicionário. Agachei-me para conversar com ela. "Você está procurando no dicionário uma palavra que você não sabe?”, perguntei.

"Não", ela me respondeu. "Eu sei o sentido da palavra, mas estou a escrever um texto para os miúdos e usei uma palavra que, penso, eles não conhecem. Como eles ainda não sabem a ordem alfabética e não po­dem consultar o dicionário, estou a escrever um pequeno dicionário ao pé da página do meu texto para que eles o compreendam."

"Estou a escrever um texto para os miúdos" foi o que ela disse. Os que já sabem tornam-se natural­mente professores dos que ainda não sabem. Essa é a pedagogia na­tural das crianças quando elas que­rem ensinar as outras crianças a brincar. As que sabem ensinam as que não sabem, sem que para isso tenham de saber teorias.

Lembrei-me da deliciosa frase de Daniel Pennac no seu livro "Como um Romance": "Que espantosos pedagogos nós éramos quando não nos preocupávamos com a pedago­gia...". As relações de aprendizagem e ensino se dão através das pontes poéticas que o amor constrói. A aprendizagem e o ensino são um empreendimento comunitário, uma expressão de solidariedade. Mais que aprender saberes, as crianças estão aprendendo valores de solida­riedade. A ética é o ar que se respira silenciosamente, sem explicações, naquela sala imensa.

Numa parede encontrei dois quadros de avisos. Num deles estava escrita a frase: "Tenho necessidade de ajuda em...". E, no outro, a frase: "Posso ajudar em...". Qualquer criança que esteja tendo dificuldades em qualquer assunto coloca ali o assunto em que está tendo dificuldades e o seu nome. "Não entendo a regra de três", assinado "Maria". O Gabriel, passando por lá, vê a mensagem da Maria e, sem que a professora dê qualquer ordem, procura a Maria para lhe explicar a matemática da regra de três.

Dei-me conta então da importância da arquitetura no espaço escolar. A arquitetura, ao estabelecer espaços, determina os caminhos possíveis e permitidos. É preciso que os espaços sejam livres para que as relações aconteçam com liberdade. A arquitetura de corredores e salas, comum em nossas escolas, aprisiona as relações.

Lembrei-me então do que me dissera a menina ao me informar que também não havia separações no tempo. Relógios e campainhas são artifícios para obrigar o pensamento a fazer ordem unida. Toca a campainha: é hora de pensar matemática, 45 minutos pensando matemática. Toca a campainha, ê hora de parar de pensar matemática, hora de pensar geografia, 45 minutos pensando geografia, toca a campainha, hora de parar de pensar geografia, hora de pensar literatura...

Os toques de campainha ou qualquer artifício semelhante contêm uma psicologia do pensamento. Como se o pensamento obedecesse às ordens do relógio. Algo semelhante ao que acontece com os programas de televisão: a marcação das horas liga e desliga os "programas" do pensamento.

Vez por outra um curioso me pergunta sobre as horas que separo para pensar... Sei não... Talvez as horas de insônia, ou debaixo do chuveiro, ou numa viagem de carro ou avião... O pensamento não se anuncia. Ele simplesmente vem. Todas as vezes que tentei marcar hora para pensar, as idéias me fugiram.
Transcrito da Folha de São Paulo