quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

CORREIO MFC BRASIL Nº 310


    
BENTO XVI RENUNCIOU, VIVA O PAPA!
Luiz Alberto Gómez de Souza
Sociólogo, diretor do Programa Ciência e Religião da UCAM

Assim se proclamava, nas monarquias, quando um rei morria ou era deposto e o sucessor vinha saudado. Mais importante do que o panegírico do que partia, era hora de olhar para frente, com esperança ou receios.

E
u estava numa reunião no palácio São Joaquim, aqui no Rio, em 2005, durante o último conclave, almoçando com os bispos auxiliares, quando foi anunciada a fumaça branca. Saímos da mesa e corremos à televisão. Foi quando eu disse: “Não sei quem será, mas vai chamar-se Bento XVI”. Quando Ratzinger saiu no balcão, alguns me olharam como se eu tivesse feito uma adivinhação. Na verdade, foi uma aposta por eliminação. O novo papa certamente não retomaria a série dos Pios, não seria um seguimento de João ou de Paulo, nem do composto João Paulo. Restava, no século XX, um papa, Bento XV, que ficara poucos anos, de 1914 a 1922, mas que interrompera a caça antimodernista de Pio X. Não saiu papa um reacionário como o secretário de estado espanhol Merry Del Val (o Sodano ou o Bertone daquele momento). Era um bispo de uma diocese importante, Bolonha, que fora pouco antes denunciado de modernista, em carta, a seu antecessor. O novo papa abriu a missiva, lacrada por ocasião da morte de Pio X e convocou o assustado acusador.

Uma lógica destas apontaria, indo um pouco mais atrás, na eleição de 1878, para um possível futuro Leão XIV. O papa anterior do mesmo nome também interrompera a prática de seus dois antecessores reacionários, Gregório XVI e Pio IX. E indicou que esperassem o próximo consistório, para verem seu novo estilo. E foi então quando nomeou cardeal o grande teólogo John H. Newman, convertido da Igreja Anglicana, crítico do Vaticano I e mal visto pelo outro cardeal inglês, Henry Manning. Aliás, o papa Bento XVI tinha Newman em grande admiração e o beatificou em 2010 (alguns historiadores, para incômodo de muitos, falaram de um companheiro de toda a vida, enterrado junto com ele, numa possível porém incerta relação homossexual, o que não diminuiria em nada seu enorme valor). Mas atenção, voltando ao presente, as lógicas não se repetem e o futuro é sempre inesperado.

Com o atual precedente, um papa pode (e até deve, em certos casos) deixar o poder ainda em vida, num movimento que passa dos poderes absolutos e pro vita, para uma visão com possíveis prazos para o exercício de um poder que aparecia nos últimos séculos como irrenunciável .

O importante agora é descobrir o que estará diante do futuro papa. Tudo parece indicar que João Paulo I morreu ao tomar consciência da dimensão dos problemas que o esperavam. Carlo Martini (que tantos sonhamos como um possível “Papa bianco”), em 1999 lembrou temas estratégicos a serem enfrentados por possíveis futuros concílios: a posição da mulher na sociedade e na Igreja, a participação dos leigos em algumas responsabilidades ministeriais, a sexualidade, a disciplina do matrimônio, a prática do sacramento da penitência, a relação com as Igrejas irmãs da ortodoxia e, em um nível mais amplo, a necessidade de reavivar a esperança ecumênica. Poderíamos agora dizer que são temas colocados hoje diante do papa que vem aí.

Cada vez é mais importante desbloquear posições congeladas. Uma, urgente, seria superar o impasse criado por Paulo VI em 1968, no seu documento Humanae Vitae, sobre a contracepção. Tratar-se-ia de aceitar, ao nível do magistério, o que já é uma prática normal de um número enorme de fiéis: o uso dos contraceptivos.

Mas nos textos de teólogos espanhóis, sacerdotes alemães e austríacos, declarações de bispos australianos, estão outros pontos da agenda. Haveria que começar por superar a dualidade e uma hierarquia rígidas entre ministérios ordenados (dos padres) e não ordenados, abrindo para uma pluralidade de ministérios (serviços), como na Igreja dos primeiros séculos. E aí se coloca o tema da ordenação das mulheres. No dia da ressurreição, as mulheres foram as primeiras a serem enviadas (ordenadas) a anunciar a Boa Nova (Mateus, 28,7; Marcos, 16,7:”Ide dizer aos discípulos e também a Pedro...”; Lucas, 24,9; João, 20,17).

Teria também que desaparecer o que é apenas próprio da Igreja latina desde o milênio passado: o celibato obrigatório. O celibato é próprio da vida religiosa em comunidade e não necessariamente dos presbíteros (sacerdotes). Os escândalos recentes de uma sexualidade reprimida e doentia estão exigindo uma severa revisão. Isso levaria a ordenar homens e mulheres casados.

Há que levar a sério a ideia da colegialidade do Vaticano II, sendo o bispo de Roma o primeiro entre todos no episcopado. Numa visão ecumênica, o segundo seria o Patriarca de Constantinopla, que vive no Fanar, um bairro grego pobre de Istambul, onde estive no ano passado. Os encontros fraternos e a oração em comum de João XXIII e de Paulo VI com o patriarca Atenágoras, foram abrindo caminho nessa direção.

Claro, são antes de tudo anseios, mais do que possibilidades certas. Mas a história é inexorável e, pouco a pouco, posições que pareciam petrificadas podem ir sendo revistas ou, pelo menos, vão crescendo pressões nesse sentido. A Igreja, arejada por tempos novos na sociedade, seculares e republicanos, não poderá ficar à margem de um processo histórico contagiante. Talvez temas congelados terão que esperar futuros pontificados ou outros concílios, mas estarão cada vez mais presentes e incômodos, num horizonte que desafia os imobilismos.
  
OS ANOS DE CHUMBO (X)
O DEPOIMENTO-CONFISSÃO
DE UM CRIMINOSO

Destaques das notas do jornalista Pedro Pomar*, publicadas em 13/07/2012, sobre o livro “Memórias de uma guerra suja” (editora Topbooks, 291 páginas), que traz longo depoimento do ex-delegado de polícia Cláudio Guerra sobre os crimes que cometeu a serviço da Ditadura Militar, recolhido pelos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto.

“(...) Após ler a obra, convenci-me de que se trata de importantíssimo subsídio para uma investigação acurada de diversos episódios-chave da repressão política levada a cabo pelo regime militar. Isso não quer dizer que se deve tomar por integralmente corretas e confiáveis as versões apresentadas por Cláudio Guerra para os muitos casos apresentados no livro. (...)

Uma das mais impactantes revelações de Guerra é a de que pelo menos onze corpos de militantes de esquerda torturados e assassinados pela Ditadura Militar foram incinerados por ele na década de 1970, no forno da usina de açúcar Cambahyba, localizada em Campos (RJ) e pertencente ao então vice-governador Heli Ribeiro Gomes. No livro ele cita dez corpos, mas em visita posterior ao local o ex-delegado lembrou-se de outro. A visita foi acompanhada por um dos jornalistas co-autores do livro (Marcelo Netto), por agentes da Polícia Federal e pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro. Segundo o advogado, um antigo funcionário relatou a presença frequente de militares na usina. (...)

Neste caso específico, as declarações do ex-delegado são bastante consistentes. (...) Guerra diz que a decisão de incinerar foi tomada em fins de 1973 (p. 50). (...). Também do ponto de vista geográfico a explicação é plausível, pois quase todos esses militantes passaram pelos cárceres do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) do I Exército, na rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, e vários foram sabidamente conduzidos à “Casa da Morte”, em Petrópolis. Portanto a usina Cambahyba era relativamente próxima do local onde as pessoas foram assassinadas. (...)

Outra revelação importante diz respeito ao paradeiro do corpo de Nestor Veras, militante que ingressou ainda jovem no PCB, nos anos 1940, desaparecido desde abril de 1975 sem qualquer pista. Guerra assume a execução de Veras, que “tinha sido muito torturado e estava agonizando” na Delegacia de Furtos e Roubos de Belo Horizonte. “Eu lhe dei o tiro de misericórdia, na verdade dois”, relata (p. 39). O membro do comitê central do PCB teria sido enterrado numa mata próxima a Belo Horizonte, “na estrada para Itabira” (p. 64).

O ex-delegado descreve também no livro como e onde aconteciam as reuniões dos comandantes da tortura no Rio de Janeiro: no restaurante Angu do Gomes, próximo à Praça Mauá, e numa sauna vizinha. Reportagem posterior à publicação dos trechos do livro confirmou a existência do local, e o antigo dono atestou informações de Guerra sobre os frequentadores. Entre eles, os coronéis Freddie Perdigão, figura central do DOI-CODI do I Exército, Marcelo Romeiro da Roza, Otelo da Costa Ortiga (p. 177), todos do Exército, o comandante Antonio Vieira, da Marinha, e outros oficiais superiores. (...)

O clímax desse processo conspirativo foi o frustrado atentado ao Riocentro, no Rio de Janeiro, na noite de 30 de abril de 1981, planejado pelos comandantes do DOI-CODI do I Exército com a finalidade de acuar a esquerda (e o governo). Os conspiradores pretendiam explodir três bombas no local, onde se realizava um grande show em homenagem ao Dia do Trabalho, com a participação de artistas de renome nacional. “Participei do atentado ao Riocentro e fiz parte das várias equipes que tentaram provocar aquela que seria a maior tragédia, o grande golpe contra o projeto de abertura democrática”, conta Guerra.

Para azar dos assassinos e sorte de quem participava do show, uma das bombas explodiu acidentalmente no colo do sargento Guilherme do Rosário, especialista em explosivos do DOI-CODI, que morreu dentro do carro em que ainda se encontrava com outro militar, o capitão Wilson Machado, que ficou gravemente ferido. (...)

Parece razoavelmente convincente a narrativa de Guerra sobre o atentado ao Riocentro. Uma das novidades, em relação ao que já se sabia, é que o à época major (ou tenente-coronel) Carlos Alberto Brilhante Ustra, que na década anterior comandara o DOI-CODI do II Exército, teria sido um de seus mentores, ao lado dos oficiais Perdigão e Vieira (p. 164). “Ustra, muito respeitado entre nós, veio de Brasília para acompanhar o atentado”, relembra o ex-delegado (p. 169). Até então, o que se sabia sobre esse militar, único declarado torturador em sentença judicial até agora, era seu envolvimento em diversos casos de tortura e morte de presos políticos. (...)

O livro tem problemas, é possível que algumas de suas afirmações sejam incorretas ou inverídicas, mas é inegável que ele joga luz sobre episódios da Ditadura Militar que não podem ser esquecidos.

*Pedro Pomar é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em Ciências da Comunicação.

FRASES SEMPRE LEMBRADAS
William Shakespeare
A sorte só põe o que Deus dispõe.
Somos feitos da matéria dos sonhos; nossa vida pequenina é cercada pelo sono.
Mais rico o sentimento em conteúdo do que em palavras, sente-se orgulhoso com a própria essência, não com os ornamentos.
Muito mais feliz na terra é a rosa que destilar se deixa do que quantas no espinho virgem crescem, vivem, morrem em sua solitária beatitude.


CORREÇÃO: Na edição anterior deste Correio foi omitido o nome de João Tavares, autor da tradução do artigo de Bernard Häring sobre a sucessão do papa, Tradução do original italiano. Pedimos desculpas pela omissão involuntária.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO - MAURÍCIO & KARYNNA


CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2013



CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2013

    
A
 Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil lançou na quarta-feira de cinzas, a Campanha da Fraternidade 2013, abrindo também o período quaresmal – 40 dias que antecedem a Páscoa, um período de conversão para todos os cristãos católicos.

Este ano a Campanha da Fraternidade traz o tema: Fraternidade e Juventude e lema: “Eis-me aqui Senhor, envia-me”, extraído do texto bíblico de Isaías (Is, 6,8).

Este ano, a Campanha da Fraternidade retoma o tema juventude, com o objetivo de olhar para milhões de jovens que sofrem o abandono nas drogas, na violência, e desconhecem a misericórdia divina. A Igreja afirma que hoje vivemos uma mudança de época, e é preciso propiciar aos jovens um encontro pessoal com Jesus Cristo contribuindo assim, para a sua vocação de discípulos missionários e para que elaborem acertadamente seus projetos de vida. A Campanha da Fraternidade 2013 também vem preparar para a Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no Rio de Janeiro de 23 a 28 de julho deste ano.

A Campanha suscitou a reflexão sobre os problemas enfrentados pelos jovens. É preciso resgatar o protagonismo da juventude, não se pode tratar a juventude como um problema social, como a salvação da humanidade. Antes de o jovem ser julgado precisa de carinho e atenção, e de políticas sociais voltadas a ele. A juventude hoje está morrendo nas drogas, na violência, está na escravidão, pois para a sociedade são vistos como objetos de consumo.

Este ano, a finalidade principal é sensibilizar a juventude para que tenham seu espaço e sejam agentes transformadores da sociedade, da civilização, do amor e promotores do bem comum.

Como movimento de família, devemos ampliar e valorizar a participação dos jovens no MFC, trabalhados à luz do Evangelho e com o amor familiar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

CORREIO MFC BRASIL Nº 309



Na segunda (11), Bento XVI surpreendeu os católicos do mundo inteiro. Anunciou a decisão em latim, em uma reunião do conselho de cardeais.

“Queridos irmãos, convoquei vocês para comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter repetidamente reexaminado minha consciência perante Deus, cheguei à certeza de que minhas forças, devido a minha idade avançada, não são mais adequadas para o exercício do ministério de Pedro”, anunciou.

O Papa disse também que, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças, é necessário vigor do corpo e do espírito, e que nos últimos meses ele sentiu que suas forças se deterioravam ao ponto de ter que reconhecer a incapacidade de cumprir o trabalho que lhe foi confiado. Bento XVI falou que por essa razão e ciente da gravidade da renúncia, ele deixava o cargo. Disse ainda que, a partir do dia 28 de fevereiro, às 20h pelo horário de Roma seu lugar estará vago.
  
O teólogo Bernard Häring, já falecido, escreveu o anúncio que ele esperava do papa a ser eleito depois do falecimento de João Paulo II, na linha do papado anterior de João XXIII. Na próxima sucessão de Bento XVI, a proposta de Häring, parcialmente transcrita a seguir, poderá ser lembrada.

NADA É IMPOSSÍVEL
Uma proposta profética do teólogo Bernard Häring antes da eleição de Bento XVI.


O anúncio papal que não aconteceu

(...) “A conversão ecumênica reforçou e promoveu um espírito de diálogo, de respeito, e de busca conjunta da verdade. Apesar do pleno conhecimento das dificuldades ainda existentes, proponho hoje alguns pontos para a vida da Igreja Católica, tendo em vista a tão desejada unidade dos cristãos:

1 – Já que o trono, a tiara e os títulos pomposos eram sintomas de patologias profundas e causa de irritação entre Igrejas irmãs, proíbo energicamente que se chame o Papa com títulos como “Sua Santidade”. E nem sequer o título de Santo Padre me agrada, pois Jesus, na Sua Grande oração pela Unidade, chama Seu Pai de “Pai Santo” (Jo, 17, 11). Esperamos que, no futuro, jamais alguém se permita chamá-lo “Santíssimo”, ou “Beatíssimo”.

2 – Não existirão mais os chamados “prelados de honra de Sua Santidade”. Os cardeais da Igreja Romana não se vestirão de púrpura “como fazem os ricos”. No Vaticano não mais títulos como “Eminência” ou “Excelência”. Somos todos irmãos em torno de Cristo, humilde servo de Deus, que se fez homem para a nossa salvação.

3 – Os diversos diálogos interconfessionais das últimas décadas produziram resultados surpreendentes. Ouvindo juntos a palavra de Deus, conseguimos remover muitos obstáculos sendo, por isso, chegada a hora de pôr fim a todas as consequências possíveis e dar passos decisivos, rumo à unidade e à reconciliação, numa fecunda diversidade.

4 – Como sinal desse renovado fervor, o “Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos” será elevado ao nível dos mais importantes Dicastérios Romanos, melhor ainda, tornar-se-á Congregação, com a específica competência de criar e animar estruturas capazes de favorecer o processo e o acolhimento dos resultados provenientes dos diálogos interconfessionais, em estreita colaboração com as Conferências Episcopais e as Faculdades Teológicas de todo o mundo .

5 – 0 Papa propõe-se a fazer todo o possível para tornar viva e operante a Colegialidade em todos os níveis. Para recuperar as estruturas sinodais do primeiro milênio, muito teremos a aprender das Igrejas irmãs que conservaram e desenvolveram com muita eficácia aquelas estruturas.

6 – Tendo em vista a função ecumênica do Bispo de Roma, todas as Conferências Episcopais e todos os Patriarcados participarão da eleição dele. As modalidades exatas serão determinadas pelo próximo Sínodo dos Bispos.

7 – 0 mesmo Sínodo decidirá sobre a função e o futuro do “corpo diplomático”. Até mesmo o nome não é mais aceitável. As Igrejas não podem definir-se como instituição diplomática. Bem ao contrário, precisamos é de organismos completamente diferentes, que sirvam para a missão da Igreja na promoção da Paz e da Justiça.

Em relação a tudo aquilo que se refere à ligação e à comunicação contínua entre o Bispo de Roma e as Igrejas locais, serão encontrados modelos semelhantes aos do primeiro milênio.

8 – Uma ponderada interpretação teológica do primado do Papa, feita à luz da Palavra de Deus e dos documentos dos Concílios, demonstrou que o magistério e o governo do Papa só estão plenamente integrados no interior da Igreja.

Motivo pelo qual o Papa não é um mestre de fé de fora para dentro ou de cima para baixo. Ele faz parte dos discípulos reunidos em torno de Cristo, único Mestre, e faz parte tanto da “Igreja Docente” quanto da  “Igreja Discente”.

No exercício de sua atividade pastoral para a Igreja Universal, ele é obrigado a seguir o exemplo do humilde Servo de Deus, Jesus Cristo. Por isso, ele observará escrupulosamente o principio da subsidiariedade.

9 – 0 Papa tem o direito de saber o que se crê na Igreja, com sinceridade de consciência e com a liberdade dos filhos de Deus. Não poderá exercer o seu magistério e ministério da unidade se não existir um amplo espaço de diálogo franco e sincero dentro da Igreja.

É por isso que, certo de poder contar com  consenso dos irmãos Bispos, faço abolir, com efeito imediato, o que, no Código de Direito Canônico, está prescrito sobre punibilidade do não assentimento em relação aos documentos não infalíveis do Papa.

(Cân. 1371 — Seja punido com justa pena: 1) quem, fora do caso previsto no cân. 1364 § 1, ensinar uma doutrina condenada pelo Romano Pontífice ou pelo Concílio Ecuménico, ou rejeitar com pertinácia a doutrina referida no cân. 750 § 2 ou no cân. 752, e, admoestado pela Sé Apostólica ou pelo Ordinário, não se retrata)

10 – Além da comum profissão de fé e dos votos ou promessas batismais, não se farão mais, na Igreja Católica, juramentos particulares de fidelidade e lealdade. Basta seguir a palavra firme de Jesus: “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo o que disso passa, procede do maligno” (Mt. 5,37).

Já que vivemos da contínua antecipação de confiança que nos é concedida por Deus, também nós faremos todo o possível para criar uma atmosfera de confiança recíproca. Por este motivo, estão abolidos todos os instrumentos de controle e se criará um clima de confiança uns nos outros.

11 – Todos os problemas polêmicos, como, por exemplo, a função da mulher na Igreja, a participação das mulheres nos processos decisórios de toda a Igreja e uma eventual ordenação das mulheres para o sacerdócio ministerial, serão discutidos no diálogo ecumênico e dentro da Igreja com franqueza, respeito e paciência. E a decisão final terá caráter estritamente colegial.

12 – A Cristandade inteira, todos os discípulos de Cristo, juntos, são chamados a ser luz do mundo, sacramento de paz, de justiça, de salvação e de cura. Por isso, buscaremos um diálogo respeitoso com todas as religiões não-cristãs, mais ainda, com todos os homens de boa vontade.

Perscrutando os sinais dos tempos, daremos especial atenção ao evangelho da paz e ao caminho da não-violência, a exemplo de Jesus, aproveitando também, com muita alegria, tudo o que a graça de Deus operou, em relação a isto, entre as religiões não-cristãs. (...)”

CARTA DO IMPERADOR VESPASIANO PARA SEU FILHO TITO (79 dC)

“Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, Imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas.

De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pares a construção do Colosseum.  Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória.

Alguns senadores te criticarão, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas.  Não dê ouvidos a esses poucos.  Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro.

Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma por omnia saecula saeculorum, e sempre que o olharem dirão: ‘Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou’.
Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão.

‘Moralistas e loucos dirão, que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Vel caeco appareat (até um cego vê isso). Portanto, deves construir esse estádio em Roma.

Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: ad captandum vulgus, panem et circenses (para seduzir o povo, pão e circo).

Esperarei por ti ao lado de Júpiter”.

Vespasiano, Imperador de Roma

FRASES PARA REFLETIR
Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas. (Sêneca)
Ainda não vi ninguém que ame a virtude tanto quanto ama a beleza do corpo. (Confúcio)
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. (Antoine de Saint-Exupéry)
A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro. (Platão)
Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.  (Confúcio)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

HOJE, 176ª MISSA DO MFC NO ALDEBARAN

LITURGIA DO 1º DOMINGO DA QUARESMA - 17/02/2013




LITURGIA DO
1º DOMINGO DA QUARESMA


PRIMEIRA LEITURA (Dt 26,4-10)

Leitura do Livro do Deuteronômio:
Assim Moisés falou ao povo: 4“O sacerdote receberá de tuas mãos a cesta e a colocará diante do altar do Senhor teu Deus.

5Dirás, então, na presença do Senhor teu Deus: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito com um punhado de gente e ali viveu como estrangeiro. Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso. 6Os egípcios nos maltrataram e oprimiram, impondo-nos uma dura escravidão.

7Clamamos, então, ao Senhor, o Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão, a nossa miséria e a nossa angústia. 8E o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa e braço estendido, no meio de grande pavor, com sinais e prodígios. 9E conduziu-nos a este lugar e nos deu esta terra, onde corre leite e mel.

10Por isso, agora trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor’.

Depois de colocados os frutos diante do Senhor teu Deus, tu te inclinarás em adoração diante dele”.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

RESPONSÓRIO (Sl 90)

- Ao invocar-me hei de ouvi-lo e atendê-lo/ e a seu lado eu estarei em suas dores.
 - Quem habita ao abrigo do Altíssimo/ e vive à sombra do Senhor onipotente,/ diz ao Senhor: “Sois meu refúgio e proteção,/ sois o meu Deus, no qual confio inteiramente”.
 - Nenhum mal há de chegar perto de ti,/ nem a desgraça baterá à tua porta:/ Pois o Senhor deu uma ordem a seus anjos/ para em todos os caminhos te guardarem.
 - Haverão de te levar em suas mãos,/ para os teus pés não se ferir n’alguma pedra:/ Passarás por sobre cobras e serpentes,/ pisarás sobre leões e outras feras.
 - “Porque a mim se confiou, hei de livrá-lo/ e protegê-lo, pois meu nome ele conhece./ Ao invocar-me, hei de ouvi-lo e atendê-lo/ e a seu lado eu estarei em suas dores”.

SEGUNDA LEITURA (Rm 10,8-13)

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:
Irmãos: 8O que diz a Escritura? “A palavra está perto de ti, em tua boca e em teu coração”. Essa palavra é a palavra da fé, que nós pregamos.

9Se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. 10É crendo no coração que se alcança a justiça e é confessando a fé com a boca que se consegue a salvação. 11Pois a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não ficará confundido”.

12Portanto, não importa a diferença entre judeu e grego; todos têm o mesmo Senhor, que é generoso para com todos os que o invocam.

13De fato, todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

EVANGELHO (Lc 4,1-13)

Naquele tempo, 1Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e, no deserto, ele era guiado pelo Espírito. 2Ali foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome. 3O diabo disse, então, a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se mude em pão”. 4Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’”

5O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo 6e lhe disse: “Eu te darei todo este poder e toda a sua glória, porque tudo isto foi entregue a mim e posso dá-lo a quem quiser. 7Portanto, se te prostrares diante de mim em adoração, tudo isso será teu”.

8Jesus respondeu: “A Escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás’”.

9Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo e lhe disse: “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo! 10Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado!’ 11E mais ainda: ‘Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”.

12Jesus, porém, respondeu: “A Escritura diz: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’”.

13Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

REFLEXÃO
"Quaresma" por Pe. Luiz Carlos de Oliveira C.Ss.R.

AS TENTAÇÕES
O povo de Israel andou 40 anos pelo deserto para entrar na Terra Prometida. O número 40 simboliza o tempo de espera da ação de Deus no qual se manifesta a fragilidade humana e a força da tentação. Priva-nos das falsas seguranças humanas que são consumismo, o poder e os prazeres. É o momento em que o tentador chega. O número 40 está presente em diversos lugares na Escritura, sendo o mais significativo, o jejum de Jesus. Por que Jesus faz este tempo de deserto? Ele resume em si todo o anseio de libertação vivido pelo povo no Egito e também sua caminhada pelo deserto. O povo foi tentado pela fome, pela idolatria do bezerro de ouro e pela provocação a Deus. Jesus é tentado pelo pão, pelo prazer da riqueza e pelo desejo de resolver tudo nos milagres. “As tentações de Jesus se reduzem a três pontos básicos: a fácil popularidade reduzindo a salvação a simples questão econômica dando pão; o espetáculo da fé por interesses e o poder a todo custo através do milagre” (Virgílio Pasqueto). Estas tentações resumem todas as outras. Podemos traduzir nos termos: o consumismo, o prazer e o desejo do espetáculo. Estas tentações estão penetradas na sociedade atual. Por que se quer acabar com Jesus e sufocar a Igreja na sociedade de primeiro mundo? Porque Jesus ensina que esses males se curam com o pão da Palavra, com a humildade da oração e com a adoração a Deus. Por isso a primeira leitura traz o texto da profissão de fé do hebreu ao levar os primeiros ao templo para reconhecer Deus como fonte de tudo: “Por isso, agora trago os primeiros frutos da terra que Tu me deste, Senhor” (Dt 26,10). A tentação é o empenho do mal de desviar Jesus do caminho de sua fidelidade a Deus que passa pela vida escondida, fraqueza e a humilhação da cruz. As tentações mostram que o homem tende a construir a própria grandeza esquecendo-se de Deus e de seus semelhantes. Enquanto atravessamos o deserto da vida somos convidados a nos deixar guiar pelo Espírito Santo, pois Jesus era guiado por Ele. Colocando-nos a serviço do Senhor, alimentando-nos de sua palavra e abandonando todo desejo de domínio e poder sobre os outros. O jejum quaresmal não é passar a fome, mas tirar o consumismo, a vaidade e o poder que nos invadem.

PÁSCOA DA LIBERDADE
Rezamos no salmo 90 o sentimento de Jesus em sua tentação: “Sois meu refúgio e proteção, sois o meu Deus, no qual confio inteiramente” (Sl 90,2). Por isso Deus o exaltou (Fl 2,9). A Quaresma não tem outro sentido a não ser conduzir-nos a celebrar a Páscoa que é a libertação e a vitória total sobre o mal e a morte. Rezamos o Pai Nosso que Deus não nos deixe cair em tentação, mas nos livre do Mal. A vitória de Jesus é nossa vitória. S. Agostinho diz que sofremos as tentações com Cristo e com Ele vencemos. Jesus já nos redimiu uma vez por todas (Hb 7,27). Vivendo a Quaresma podemos celebrar a Páscoa.

VIVER DE SUA PALAVRA
A Páscoa é para todo o universo, pois “todo aquele que invocar o nome de Jesus será salvo” (Rm 10,11). Podemos viver a Palavra. Este tempo santo é rico da Palavra de Deus. Rezamos “Dai-nos desejar o Cristo, pão vivo e verdadeiro, e viver de toda palavra que sai de vossa boca” (Pós-comunhão). A Quaresma é tempo da caridade. A conversão nos conduz também ao irmão necessitado. Sem isso, jamais podemos entender o gesto de Jesus de dar a Vida para que tivéssemos vida. Vamos ter vida se a dermos ao irmão.

ORAÇÃO

Ó Deus, que o Espírito de fortaleza, permaneça sempre conosco, nas horas da tentação, para que, como Jesus, sejamos firmes em superá-las.

Editado por Jorge – MFC ALAGOAS

sábado, 16 de fevereiro de 2013

ANIVERSARIANTE DO DIA - RENATA DE RODRIGO

BENTO XVI VOLTA A EXPLICAR O MOTIVO DE SUA RENÚNCIA

O Papa Bento XVI voltou a explicar os motivos de sua renúncia durante a Catequese da quarta-feira, 13

Portal Canção Nova

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o início da audiência geral, na quarta-feira, 13, o Papa Bento XVI reiterou o motivo pelo qual renunciou ao ministério petrino. Acolhido por um longo aplauso dos fiéis presentes para a catequese, o Santo Padre voltou a explicar que examinou sua consciência diante de Deus e está consciente de que não está mais em condições de prosseguir como Bispo de Roma, ministério a ele confiado em 19 de abril de 2005. Veja abaixo o que disse o Papa:

Caros irmãos e irmãs,

Como sabeis, decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou a 19 de abril de 2005. Fi-lo em plena liberdade, para o bem da Igreja, depois de ter rezado longamente e de ter examinado diante de Deus a minha consciência, bem consciente da gravidade desse ato, mas também consciente de já não estar em condições de prosseguir o ministério petrino com aquela força que ele exige. Sustenta-me e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, O qual nunca fará faltar a sua guia e o seu cuidado. Agradeço a todos pelo amor e pela oração com que me tendes acompanhado. (aplausos). Obrigado, senti quase fisicamente nestes dias nada fáceis para mim, a força da oração que o amor da Igreja, a vossa oração, me traz. Continuai a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa. O Senhor o guiará.

Ainda na quarta-feira, à tarde, Bento XVI presidiu a Celebração das Cinzas, na Basílica Vaticana.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ECE-ALAGOAS - ATO CONVOCATÓRIO Nº 01/2013



ATO CONVOCATÓRIO Nº 01/2013

O Coordenador Estadual do Movimento Familiar Cristão do Estado de Alagoas, no uso de suas atribuições estatutárias e regimentais, e considerando os normativos contidos no Edital de Convocação nº 001/2013, de 06 de fevereiro de 2013,

R E S O L V E:

CONVOCAR os Coordenadores e Vice-Coordenadores Municipais do Movimento Familiar Cristão, cuja Coordenação esteja em regular funcionamento, para participarem do processo eletivo que elegerá os Coordenadores e Vice-Coordenadores, para o triênio 2013/2016, a ser realizado no dia 16 de março do corrente ano, no horário de 09h00min às 12h00min, na sede do MFC ALAGOAS, em Maceió;

CRIAR a Comissão Eleitoral, que será formada pelos membros: Fiel/Claudete, Gilson/Nana e Palmeira/Milena, a qual será presidida pelo primeiro e secretariada pelo terceiro; e

INDICAR os membros Jorge/Penha e Flávio/Lucila para atuarem como Suplentes, os quais substituirão os membros efetivos em suas faltas e impedimentos.


Publique-se e Cumpra-se.

Maceió, 14 de Fevereiro de 2013


James e Fátima Medeiros
Casal Coordenador Estadual

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

ANIVERSARIANTE DO DIA - KELLY DE RONALDO

CORREIO MFC BRASIL Nº 308



Os pobres, hoje, incomodam muitos, comovem outros. Muitos se tornam indiferentes diante da dor e dos clamores dos pobres. Uns pensam que basta fazer filantropia. Outros se comprometem com a causa dos pobres e por eles doam a vida.  Como o evangelho de Lucas e o livro de Atos dos Apóstolos encaram os pobres?

OS POBRES NA OBRA DE LUCAS.
E EM NÓS?
FR. GILVANDER LUÍS MOREIRA

No evangelho de Lucas (Lc) os pobres não são espiritualizados, como o evangelho de Mateus pode sugerir à primeira vista, mas têm conotações concretas. São carentes economicamente, marginalizados e excluídos socialmente. Não têm relevância na sociedade. Os Atos dos Apóstolos (At), 2º volume da obra lucana, aprofundam mais essa radicalidade. O apóstolo Pedro, por exemplo, declara-se em absoluta pobreza, não tendo nem prata e nem ouro, mas somente a Palavra que revigora e reanima os cansados (At 3,6).

O
 contraste entre ricos e pobres transcende as dimensões socioeconômicas. A categoria pobre compreende presos, cegos, oprimidos (Lc 4,18), famintos, desolados, aborrecidos, difamados, perseguidos, marginalizados (Lc 6,20-22), coxos, leprosos, surdos e até mortos (Lc 7,22). Para a ideologia hegemônica, que é sempre a da classe dominante, pobres são a escória, os dejetos e a imundície da sociedade. São usados e não amados. A riqueza é, quase sempre, uma armadilha mortal para a pessoa humana, pois, muitas vezes, envolve a pessoa em um processo de desumanização, ao prometer estabilidade, reforçar a autossuficiência e causar muitas injustiças.

No evangelho de Lucas, as bem-aventuranças têm uma orientação social (Lc 6,20-23). Dirigem-se aos discípulos como os verdadeiramente pobres, famintos, aflitos, injustiçados e excluídos do mundo onde há organização para uma minoria e caos para a maioria. Lucas não tende a espiritualizar a condição dos seus discípulos, como à primeira vista faz Mateus nas bem-aventuranças (Mt 5,1-12). As prescrições que Mateus acrescenta — pobres em espírito, fome e sede de justiça — respeitam a condição de diversos membros da comunidade mista a quem a narração evangélica é dirigida. Em Lucas a pobreza, a fome, a aflição, o ódio e o exílio caracterizam a situação concreta e existencial dos discípulos e das discípulas de Jesus Cristo, que é quem Jesus declara feliz.

No evangelho segundo Lucas aparece nitidamente uma opção pelos pobres, contra a pobreza. Os ricos não são excluídos a priori, mas são convidados a abandonar a idolatria do capital e do poder e a tornarem-se pobres. O servo sofredor padre Alfredinho dizia: “O mundo vai virar um paraíso no dia em que os ricos desejarem passar fome”. Lucas é duro contra os ricos e a riqueza (Lc 6,24).

“Cuidem dos enfraquecidos!” (At 20,35). Eis um apelo forte do apóstolo Paulo no seu testamento espiritual, escrito por Lucas, que conservava na mente e no coração a imagem de Paulo como alguém que dava atenção especial aos empobrecidos. É provável que nas comunidades de Lucas, no fim do século I, um desejo grande de fidelidade ao passado estivesse gerando esquecimento dos empobrecidos e excluído. Estes nem sempre podem respeitar as regras da comunidade. Para Paulo, o sinal por excelência da autenticidade do ministério era o amor desinteressado e gratuito aos pobres.  Essa opção aparece de modo muito eloquente quando Paulo diz às comunidades de Antioquia que a única coisa que a Assembleia de Jerusalém fez questão de alertar foi:

“Nós só deveríamos nos lembrar dos pobres...” (Gálatas 2,10). No discurso aos presbíteros, em At 20,17-35, Lucas alerta para o cuidado com os pobres, porque provavelmente os presbíteros estavam preocupando-se menos com aqueles e agindo mais como “os falsos pastores que apascentam a si mesmos e devoram as ovelhas” (Ezequiel 34,8-10). Estariam eles gastando mais energias com os ritos do que com a promoção humana dos excluídos e com a luta por justiça?

A teologia lucana propõe uma mística evangélica que seja uma Boa Notícia para os pobres, isto é, para cegos, surdos, mudos, presos, alienados, doentes e pecadores; enfim, para marginalizados e excluídos. Lucas é muito realista, porque percebe que a Boa Notícia para os pobres é, normalmente, péssima notícia para os opressores e violentadores dos pobres. Lucas defende não toda e qualquer notícia, mas apenas aquela que traz qualidade de vida para todos e para tudo, a partir dos oprimidos.

Jesus de Nazaré, segundo Lucas, encontra-se com os pobres e com eles se compromete. Sua vida, que conhecemos também por suas posturas e ensinamentos, caracteriza-se por encontros com pessoas do seu círculo de amizade e com pessoas do mundo dos excluídos. Jesus foi sempre um inconformado com as injustiças e com os sistemas injustos, um sonhador que cultivava a utopia bonita do Reino de Deus no nosso meio.

Jesus tinha os pés no chão, mas o coração nos céus. Era um profeta, alguém sensível, capaz de captar os sussurros e os apelos de Deus por meio das entranhas dos fatos históricos. O Galileu foi uma testemunha, um mártir, que não apenas disse verdades, mas doou a vida pelas verdades que defendia.

Jesus e seu movimento, em uma postura altamente irreverente, deixam-se envolver, apaixonar-se, compadecer-se pelo povo sofrido e revelam um grande esforço de transformação. Desmistificam o que é mistificado pelo senso comum. Des-idolatram deuses e ídolos que concorrem em uma imensa gritaria tentando seduzir as pessoas para projetos escravizadores. Des-sacralizam o poder, desmascarando o poder religioso, o político e o econômico que, endeusados, promovem grandes atrocidades. Des-dualizam a forma de encarar a realidade — com Jesus, “o véu do templo se rasga” (Lc 23,45) e “ninguém deve chamar de impuro aquilo que Deus criou” (At 10,15). Não há mais separação entre puro e impuro, entre santo e pecador, entre transcendência e imanência, entre dentro e fora, entre sagrado e profano, entre céu e terra, entre humano e animal etc. Tudo e todos são banhados pela dimensão divina e transcendente da vida. Em cada um(a) de nós estão o feminino e o masculino, o bem e o mal, o sagrado e o profano.

Enfim, oxalá esta rápida retrospectiva sobre a relação de Jesus e seus discípulos/as com os pobres nos inspirem na construção de uma sociedade para além do capitalismo e para além do capital.

ECONOMIA E POLÍTICA

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ecordes no trabalho (IBGE): desemprego médio no ano de 5,5% em 2012 é o menor em 10 anos. No final do ano ainda baixou para 4,7%. O total de ocupados atingiu a marca inédita de quase 23 milhões de pessoas com emprego formal. Renda subiu 4,1%, maior alta na década. O rendimento médio dos brasileiros foi estimado em cerca de 1.800,00 reais, crescendo 4,1% em relação a 2011. O salário mínimo aumentou 14%, a maior alta em 10 anos. (O GLOBO - 12/02/13).


UMA BOA NOTÍCIA
  
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 Senado Federal e a Câmara dos Deputados elegeram Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves para presidir as duas casas do Congresso Nacional, num acordo de bastidores entre líderes do governo e da oposição, com voto secreto envergonhado. Dispensado o rigor da “ficha limpa”. Será somente exigida dos candidatos em 2014. Líder do mesmo partido será o deputado Eduardo Cunha, com currículo conhecido.

FRASES PARA REFLETIR
Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.
Luís Fernando Veríssimo
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
Miguel Esteves Cardoso
As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo.
Epicuro
Você que inventou a tristeza, ora, tenha a fineza de “desinventar”.
Chico Buarque

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