quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A PADROEIRA, OS MILAGRES E AS FAMÍLIAS


No longínquo ano de 1717 uma pequena imagem de Nossa
 Senhora da Conceição foi encontrada no Rio Paraíba.
Primeiro apareceu o corpo e em seguida a cabeça da imagem.

Os três pescadores, Domingos Alves Garcia, seu filho João Alves e Felipe Pedroso, cunhado de Domingos e tio de João, encontraram a imagem da Virgem. Primeiramente, na rede de João Alves apareceu o corpo da imagem, e depois, mais abaixo, a sua cabeça!

Felipe Pedroso, por ser o mais velho, levou para casa a imagem diante da qual ele e a família começaram a rezar. Aos poucos o povo começou a afluir em grande quantidade à pequena casa do pescador, a fim de pedir graças e milagres à Virgem que "apareceu" nas águas do rio. Assim começou a devoção à Padroeira do Brasil.

Nos dias de hoje, quando entramos na sala dos milagres da majestosa Basílica de Aparecida e vemos todas as manifestações de gratidão dos peregrinos e devotos, nos vêm à mente todos os favores que a Mãe da família brasileira concedeu a seus filhos ao longo de quase três séculos... Nos momentos de aflições e dificuldades, nas horas tristes e sofridas, Maria sempre ouviu as preces do povo brasileiro.

Temos a firme convicção de que hoje, mas até do que no passado, a intercessão e o amparo de nossa Padroeira são urgentes e necessários. Peçamos, pois, a Nossa Senhora da Conceição Aparecida que abençoe e proteja a família brasileira para que nela habitem a fé, a esperança e a caridade, e para que ela possa se mirar de exemplo da Sagrada Família de Nazaré.

O CONDE, OS PESCADORES E UMA IMAGEM
Rezam as crônicas da época, que em 1717 Dom Pedro de Almeida Portugal e Vasconcelos, Conde de Assumar, Governador das Capitanias de São Paulo e Minas Gerais, com grande comitiva, viajou de navio da Corte a Santos. Daí, a cavalo subiu até São Paulo, onde tomou posse do governo, e seguiu rumo à minas de ouro.

Em Guaratinguetá, permaneceu de 17 a 30 de outubro. O Conde foi recebido com a pompa e a circunstância possíveis, incluindo suculentos banquetes em que os habitantes lhe proporcionaram o melhor da culinária local.

Não podendo faltar os saborosos pescados do Rio Paraíba do Sul, a Câmara Municipal, convocou os mais experientes pescadores para lançar as redes, pois era necessário boa quantidade de peixes. Domingos Alves Garcia, seu filho João Alves e Felipe Pedroso, cunhado de Domingos e tio de João, entre outros, puseram as mãos no remo. Mas, por mais que se esforçassem os animais aquáticos não queriam aparecer. Apareceu, sim, na rede de João Alves, primeiramente o corpo da pequena imagem de Nossa Senhora, e depois, mais abaixo, sua cabeça1

Isso será um sinal? Católicos zelosos que eram, guardaram na canoa o precioso achado, e continuaram lançando as redes.

Surpresos, viram repetir-se o fato dezoito séculos atrás no mar da Galiléia: a canoa se encheu de tanto peixe que quase afundou! Os bons ribeirinhos logo atribuíram essa pesca milagrosa à presença da imagem de Nossa Senhora da Conceição, em boa hora aparecida no rio, na altura do Porto de Itaguaçu.

O que ocorreu "em todas as condições para ser a descrição de um fato real, um milagre (...). É certo que, para aqueles pescadores, acontecera algo de extraordinário, tanto assim que recolheram os dois pedaços da imagem e os guardaram. Sem dúvida, houve um sinal visível de Deus e os pescadores acreditaram nele.

O MILAGRE DAS VELAS E OUTROS PRODÍGIOS
Felipe Pedroso, por ser o mais velho, levou para casa a imagem, diante da qual ele e a família começaram a rezar dando início a uma sequência de fatos extraordinários que se repetiram até hoje.

O primeiro milagre atribuído à imagem se deu numa noite serena e silenciosa: enquanto a família e vizinhos "cantavam o terço", duas velas se apagaram sem que ninguém as soprasse, e se acenderam sem que pessoa alguma colocasse fogo nelas.

A luz daquelas velas, que se reacenderam miraculosamente naquela noite, iluminou seus corações e despertou neles grande amor e devoção para com Nossa Senhora.

Era costume, naquela época de robusta fé, as famílias vizinhas se reunirem aos sábados para rezar o terço e outras orações, e entoar cânticos em louvor da Imaculada Conceição de Maria. Nessas reuniões familiares, além do relatado acima, houve várias manifestações extraordinárias: o nicho com a imagem passou a tremer, esta quase caiu e as velas se apagaram; no móvel onde se encontrava a imagem, várias pessoas ouviram estrondos, repetidas vezes.

TESOURO PARA O POVO BRASILEIRO
Além dos três pescadores já citados, há outras pessoas muito relacionadas com os primeiros fatos da devoção à imagem, e são citados em documentos daquele tempo: Silvana da Rocha Alves, esposa de Domingos, mãe de João e irmã de Felipe; Atanásio Pedroso, filho de Felipe, e Lourenço de Sá. Todos eles viviam na região do encontro da imagem, e com suas famílias, foram os primeiros a lhe prestar culto.

A imagem peregrinou durante bom tempo pelas casas dos pescadores, até se fixar em Itaguaçu, lugar do seu encontro, na residência de Atanásio Pedroso, que lhe construiu um oratório e um altar de madeira, onde, todos os sábados, grupos de famílias iam rezar o terço. Era a maneira de a devoção popular mostrar seu amor e gratidão à excelsa Mãe e suplicar-Lhe proteção. Concomitantemente foram aparecendo adornos na imagem, como mantos e coroas, cada vez mais elaborados à medida que aumentavam os devotos.

Em Itaguaçu, Atanásio Pedroso recebeu de seu pai a imagem como legado da família. Percebe, no entanto, anos depois, que ela não mais lhe pertencia (...). Ao lhe construir um oratório e um altar, Atanásio mal se dava conta que estava entregando seu tesouro para o povo brasileiro. Daí em diante a imagem não seria objeto de uma devoção familiar apenas, mas sim do culto de uma Nação. Devoção esta que marcaria profundamente sua religiosidade e contribuiria para conservar a fé e sua fidelidade à Igreja.

A imagem representa a Imaculada Conceição, é de terracota, medindo 38 cm, mas nunca se soube ao certo qual sua origem. Sendo uma escultura artesanal, tem nos lábios um discreto sorriso, no queixo uma covinha; flores prendem-lhe os cabelos, e um diadema com três pérolas enfeita-lhe a testa. A seus pés a meia lua e a cabeça de um anjo, na descrição de Mafalda Boing.

A CAPELINHA
Os milagres reforçaram enormemente a nova devoção popular, já com a invocação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

As casas ficaram pequenas para os muitos devotos, e com o apoio decisivo do Padre José Alves Vilela, Pároco da Paróquia de Santo Antônio, de Guaratinguetá, foi construída uma capelinha, Era situada no Itaguaçu, à beira da estrada, num importante entroncamento por onde passavam constantemente caravanas de viajantes. Isso favoreceu a divulgação dos prodígios, aumentando rapidamente o número de devotos.

Mas o fator decisivo mesmo era o lenitivo espiritual. "Formou-se a religiosidade dum povo, que invocando-a sentiu que a chama de sua fé, à semelhança da chama das velas do primitivo oratório, sempre se reacendia novamente com as graças e os dons recebidos".

CORRENTES DA ESCRAVIDÃO SE ESTATELAM NO CHÃO
Assim como São Pedro na prisão teve as correntes arrebentadas e foi libertado (At 12, 3-7), no final do século dezoito "um escravo fugitivo, que estava sendo conduzido de colta à fazenda pelo patrão, ao passar diante da capela, pediu-lhe que permitisse subir até à igreja para fazer oração. Enquanto estava em oração diante da imagem, as correntes se soltaram de seu pescoço e de seus pulsos, caindo por terra. Comovido com o sucedido, o fazendeiro o resgatou, depositando no altar o preço do escravo, e o conduziu para casa como um homem livre"

A queda das pesadas correntes que prendiam o escravo Zacarias pelo pescoço e pelos pulsos é um eloquente testemunho do poder de intercessão de Maria Santíssima para desatar das prisões do pecado as pessoas arrependidas.

DEVOÇÃO MARIANA, IGREJA, POVOADO
Tal como o caminhar da gota de azeite na folha de papel, a devoção mariana sob a nova invocação foi ganhando espaço no mapa brasileiro. Isso significava mais romeiros apinhados na tosca e pequena capela.

E sinalizava, por outro lado, que já havia chegado a hora de se conseguir a aprovação episcopal do culto a Nossa Senhora Aparecida, bem como autorização para se construir sua igreja. O zeloso Pe. Vilela se pôs a campo, conseguindo as ditas licenças, e o novo templo foi levantado no Morro dos Coqueiros, sendo inaugurado em 1745, apenas 28 anos após o encontro milagroso da imagenzinha.

De casa nova, nossa Santa continuou a acolher as famílias devotas: adultos, jovens, crianças, gente simples, gente importante. Até a Princesa Isabel, o Conde d'Eu, seu marido e os três filhos se associaram às Marias, aos Josés, aos Manuéis, às Aparecidas que começavam a surgir, para saudar a augusta Anfitriã, beijando a imagem e rezando o terço a seus pés. Como quem procura a Mãe encontra também o Filho e José, era a sagrada Família de Nazaré acolhendo as famílias brasileiras!

Mas algumas não se contentaram só com visitas. Optaram por morar pertinho da Mãe, surgindo assim o povoado "Capela da Aparecida!, hoje cidade de Aparecida. O já citado Pe. Vilela testemunha que a Virgem favoreceu a todos os moradores com muitas graças e milagres. Em 1748 sacerdotes pregadores destacaram que os frutos das missões nesse povoado foram dos melhores: "(...) a alegre e jubilosa esperança de salvação que todos encontram em cristo pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida.

ROMARIAS DE TODAS AS PARTES
As romarias que se iniciaram no tosco oratório do Porto de Itaguaçu continuaram a partir de 1745, na igreja do Morro dos Coqueiros, que a voz do povo batizou de santuário, bem antes de "pais e filhos, parentes e amigos, vinham unidos no mesmo propósito de honrar e venerar a querida Imagem".

Personalidades estrangeiras de destaque, como o cientista alemão Karl von Martius, o botânico francês Augusto de Saint Hilaire e o jornalista português Emílio Zaluar, deixaram depoimentos escritos, atestando a existência das romarias e o consequente poder de atração da imagem. Em 1861, Zaluiar "notou a fé e a alegria contagiante da multidão dos peregrinos. E deu a razão, escrevendo: "A imagem de Nossa Senhora Aparecida, que refulge no altar-mor, parece sorrir a todos os infelizes que a invocam, e a quem jamais negou consolação e esperança."

Em 1884, a 4 de janeiro, o jornal "Correio Paulistano" estampou matéria sobre as romarias oriundas de todo o Império, ressaltando o articulista as saudades que ele sentia do tempo de menino, participando daquelas pias viagens junto com sua família: "Antigamente as Romarias à Capela da Aparecida tinham muito de pitoresco; eram as famílias que se moviam lentamente com os filhos pequenos, os pagens, os camaradas, as mucamas, e o armazém ambulante às costas dos cargueiros". E observa que, com as mudanças nos hábitos causadas pela estrada de ferro, "acabou-se o encanto daquelas pias viagens".

A NOVA DEVOÇÃO, REFÚGIO PARA O POVO
O sentido espiritual das idas à Capela era muito marcante. Buscava-se curas físicas, é verdade, mas o principal motivo era a devoção, o cumprimento de promessas, exteriorizados com gestos e atitudes: beijar a imagem, aproximar-se de joelhos até o altar, limpar a igreja, percorrer de joelhos a rua que dá acesso à mesma, viajar em silêncio, observar jejum, dar esmolas ou jóias à Capela, ajudar os pobres.

Costume curioso: pessoas de posses faziam a promessa de dar a Nossa Senhora um de seus escravos, caso alcançasse a graça desejada. Conseguido o favor, o cativo era libertado e ficava fazendo, de muito boa vontade, trabalhos agrícolas ou outros para o Santuário; alguns que tinham dotes musicais abrilhantavam as cerimônias, pois chegavam a ser organistas "de orelha", ou seja, nunca ter estudado música".

Em 1897, um douto sacerdote, Pe. Valentim von Riedl dá esse importante testemunho: "É comovente verem´se senhores e senhoras assistirem de joelhos até três missas em cumprimento de promessa; mais ainda, quando se arrastam de joelhos até o altar da Virgem, ou varrem a igreja, ajuntando as ricas senhoras na ponta de seus longos vestidos o lixo e levando-o para fora. D e fato é uma fé viva e filial, havendo casos de família se privarem de tudo para dar a Nossa Senhora, (...) uma devoção generosa, um amor pronto aos sacrifícios". E continua seu comentário, ressaltando a influência do culto na vida do povo, afirmando que Maria domina de fato, como Senhora, toda região, e que "esse amor e essa devoção foram a proteção contra a descrença e se tornaram o filão de ouro de sua perseverança na fé católica. Sem esta devoção, teria o povo caído na mais completa indiferença religiosa (...) A razão fundamental, porém, foi a mensagem de esperança e salvação que a Mãe de Deus comunicava a seus filhos abandonados e carentes de assistência religiosa (...) o povo se refugiou na devoção a Nossa Senhora Aparecida.

Historicamente - segundo o Pe. Brustoloni - essa falta de assistência religiosa se deveu, pelo menos em grande parte, ao fato de que o Estado, durante quase um século, interferia nos assuntos da Igreja do Brasil, limitando-lhe a liberdade. O governo das dioceses, paróquias e ordens religiosas, bem como a formação de novos sacerdotes ficaram prejudicados, o que dificultou o desabrochar da vida cristã do povo.

Citemos dois exemplos da própria Capela da Aparecida:

1) o dinheiro das generosas esmolas dos devotos era administrado por funcionários do governo, pois estes detinham a gerência da capela.

2) Passaram-se 50 anos sem que fosse pregada nenhuma missão.

MISSIONÁRIOS ALEMÃES PÕEM A CASA EM ORDEM...
Após 1889 foi normalizada essa situação, e pôde-se iniciar a renovação na fé e na disciplina, tão almejada pela Igreja. Como os sacerdotes eram - pelos motivos expostos - poucos e insuficientemente empenhados na evangelização, os bispos recorreram às congregações religiosas européias.

E para a Capela de Aparecida, vieram da Alemanha, em 1894, dois padres redentoristas e três irmãos leigos. Com o carisma missionário que lhes é característico, os zelosos filhos de Santo Afonso de Ligório se adaptaram logo Às peculiaridades de nosso povo, e começaram a dar vida nova à comunidade aparecidense. Esta correspondeu às expectativas, tributando-lhes toda admiração e apoio.

Com a chegada dos padres alemães - observa Zilda Ribeiro - tudo mudou no Santuário e na Paróquia de Aparecida. Em 1897 o Pe. Valentim von Riedl escrevia: "Antes da nossa chegada não havia culto organizado, não havia missa diariamente e muito menos se atendiam confissões."

Os metódicos alemães instituíram horários para as missas, confissões e atendimentos, e colocaram ordem nas procissões, etc. Sobretudo tocaram os corações dos fiéis com o pão de uma palavra autenticamente evangélica mais simples, que até os mais rudes entendiam. Seus louvores a Nossa Senhora eram muito apreciados pelo povo.

Os redentoristas reforçados com a chegada de mais colegas fundaram um seminário e puderem promover missões nas cidades e povoados vizinhos, irradiando assim a renovação espiritual sobre o bom povo de Deus.

E sobretudo foram consolidando o Santuário como o nosso mais importante centro de peregrinação, o que desfechou na solene coroação da imagem em 1904. O título de basílica é dado ao Santuário em 1908. Novo templo construído, de 1955 a 1980, sendo chamado de Basílica Nova.

INÚTEIS MANIFESTAÇÕES DE ÓDIO
Como não poderia deixar de ser, os que não gostam de nossa Mãe celeste deixaram as marcas de seu ódio gratuito.

1 - Um deles foi um homem de Cuiabá, que se dizia ateu, e quis entrar a cavalo na igreja para desafiar Nossa Senhora, mas não conseguiu. As patas do animal grudaram-se nas pedras. Ele pediu perdão a maria e dirigiu-se, contrito, à imagem para rezar. Isso foi em 1866.

2 - A quebra da imagem na Basílica Velha, em 1978, por um jovem protestante, comoveu o País, e só fez aumentar o amor dos brasileiros à sua Mãe, que a reentronizaram com manifestações de fé e entusiasmo.

3 - O sacrílego pontapé que um pastor "evangélico" desfechou numa imagem de Nossa Senhora Aparecida, em pleno programa televisivo, em 1995, abalou a Nação, mas não a devoção do seu povo.

TORRENTES DE MILAGRES: OS EX-VOTOS
Haja tempo, papel e tinta para relatar os inúmeros milagres e graças obtidos pela intercessão da Senhora saída das águas, para brasileiras e brasileiros de todas as classes, raças e idades. Desde a menina de Jaboticabal, cega de nascença, que ao chegar diante da Capela de Aparecida, em 1874, passa a enxergar e diz: "Mamãe, que bonita igreja!" até a mulher que foi curada de trombose em São Paulo, em 1984.

Mas quem quiser ler esse relato, vá até enorme Salão das Promessas, e consulte o livro sem palavras que existe lá: os milhares de ex-votos, ou sejam objetos que exprimem gratidão pelos milagres acontecidos. Aqui, um par de muletas, inúteis agora ao antigo usuário; lá, a escultura de um braço miraculado; acolá, peça de carro do acidente fatal que não matou; ao lado, desenho de uma máquina quase assassina.

Quantos dramas envolvendo famílias inteiras, que nossa Mãe Aparecida solucionou, "estendendo seu olhar sobre nós e nosso lar". Saibamos ver os oceanos de misericórdia que estão por detrás desses ex-votos.

OS PAPAS E APARECIDA
Com alegria mencionamos que a instituição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil foi feita pelo Papa Pio XI em 1930. E que o Papa Paulo VI, em 1967, lhe ofertou uma rosa de ouro.

Além dos milhares de peregrinos que por lá passaram, inúmeras foram as personalidades importantes que vieram se ajoelhar aos pés de nossa querida Mãe e pedir graças. Entre estas, ao mesmo tempo que rezaram, prestigiaram o Santuário com suas honrosas presenças, os Papas:

João Paulo II, que veio em julho de 1980, e nos deixou esse precioso testemunho: "Aqui pulsa, há mais de dois séculos, o coração católico do Brasil. Meta de incessantes peregrinações vindas de todo o país, Aparecida é como disse alguém, a "capital espiritual do Brasil".

Bento XVI que, falando à nossa juventude em maio de 2008, enfatizou: "Sede homens e mulheres livres e responsáveis; fazei da família um foco irradiador de paz e de alegria; sede promotores da vida, do início ao seu natural declínio".

CONCLUSÃO: CONFIAR E ORAR
O que está por trás do poder de atração dos santuários marianos? O esplendor das cerimônias? A beleza das imagens?

Alguns santuários tem origem em aparições de uma senhora esplendorosa, que traz para o povo mensagens, fonte de águas milagrosas ou a própria efígie estampada em tecido. E até cenas grandiosas, como a dança do sol presenciada por uma multidão.

Mas, por que Aparecida atrai tanta gente? A imagem é pequena e simples, achada num rio, sem nenhuma mensagem nem nada.

Você, que acabou de ler estas linhas, ou você, que conhece a Sala das Promessas em Aparecida, facilmente encontrará a explicação: paralíticos que passam a andar, surdos que recuperam a audição, cegos livres da cegueira, etc. São milhares de depoimentos em forma de ex-votos, carregados de gratidão a nossa Mãe Aparecida!

Mas, não é para menos, pois Ela aprendeu numa escola divina, a escola de Jesus que passou a vida fazendo o bem. Ou seja, é mais uma prova do poder divino, que através de uma simples e rústica imagem de Maria, realiza prodígios!

Prova também a predileção por nosso povo, por nossas famílias. E é uma garantia de que Nossa Senhora Aparecida continuará protegendo a todos os habitantes deste imenso Brasil, sejam quais forem os problemas pessoais ou de outro gênero que tenhamos que enfrentar. A palavra confortadora é confiança!

ORAÇÃO
Ó Senhora da Conceição Aparecida, que fizestes tantos milagres que comprovam Vossa poderosa intercessão junto ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, obtende para nossas famílias as graças de que tanto necessitam. Defendei-nos da violência, das doenças, do desemprego, e sobretudo do pecado, que nos afasta de Vós. Protegei nossos filhos de tantos fatores de deformação da juventude. E concedei a todos os membros de nossas famílias a graça de poderem trilhar o caminho de perfeição e de paz ensinado por Vosso Divino Filho, que afirmou: "Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em Mim. Haveis de ter aflições no mundo; mas tende confiança, Eu venci o mundo!" Amém.

(A Padroeira, os milagres e as famílias, Pe. Luiz Alexandre de Souza)

VOTO DE LOUVOR À HONESTIDADE

Alberto Nonô
Advogado e Membro do MFC MACEIÓ
Grupo Reencontro - 9ª Nucleação

Ao ler a entrevista da Ministra Eliana Calmon, quem não conheço pessoalmente, fiquei extasiado pela coragem, lucidez e veemência com que expôs esta praga que assola o Poder Judiciário Brasileiro. De seu lúcido depoimento, não retiraria uma vírgula sequer, apenas acrescentaria que esses desvios de conduta, ultrapassam muita à visão da Ministra; pois, se houvesse uma investigação honesta e atuante, o percentual dos bandidos de toga alcançaria, sem medo de errar, 20% dos magistrados. É utopia, mas ocorrendo uma investigação, como aconteceu com o caso do assassinato da Juíza Patrícia Acioly, infelizmente, se constataria às minhas afirmativas. Conclamo os homens e mulheres honestos desse país, os colegas advogados, os estudantes e principalmente os juízes para apoiarem esta GRANDE brasileira, que atingiu a ferida do Poder que deveria ser um exemplo para a sociedade, revigorando in totum os poderes do Conselho Nacional de Justiça.

Não foi surpresa o posicionamento do Ministro Peluso, insurgindo-se em favor dos juízes; depois da estranha entrevista que concedeu á Veja, onde opinou por não prender os marginais, face a falta de cadeias e ensejar a extinção de recursos jurídicos, é muito PEQUENO.

Este exemplo deveria vir de cima para baixo, a sociedade precisa estancar esta virose, porque ela esta se transformando em praga, e das brabas. A Ministra deu o bote; a OAB, através de seu presidente Dr. Ophir Cavalcante, meu paraninfo Dr. Marcelo Lavenere Machado, a ABI, a sociedade como um todo devem apoiar e conclamar o posicionamento da ministra Eliana Calmon, sob pena de deixar passar uma oportunidade, talvez única, de sustar, arrefecer essa doença contagiosa que esta aos poucos destruindo à honra e a vergonha dos homens honestos deste país.

Afirmo isto, com a experiência de quarenta e cinco anos de advocacia; com a participação como conselheiro da OAB/AL, presidente do Tribunal de Ética e advogado atuante em todas as esferas do Judiciário. Anos atrás, era inconcebível o desvirtuamento do poder judicante, era exceção da exceção, hoje esta se tornando corriqueiro; antigamente os juízes moravam em suas Comarcas, conviviam com a população, era um verdadeiro sacerdócio, o concurso exigia uma prática jurídica de cinco a dez anos; inclusive para evitar o favorecimento de parentes e filhos de magistrados e desembargadores, enfim, eram respeitados pela sociedade pela correção de suas vidas e atos; o que é uma pilhéria atualmente.

Impunham um norte de querer primeiro ser, para depois ter; esta visão esta sendo desvirtuada, é observada no estacionamento dos fóruns, onde vicejam carros sofisticados e do ano; na fausta vida consumista que fazem questão demonstrar, acham-se acima das outras camadas sociais, inclusive e principalmente esquecem que são advogados.

Claro que a maioria dos magistrados são decentes, mas, é um fato notório, clarividente esta mudança nefasta, crescente e perigosa dessa minoria extasiada pelo consumismo desvairado.

A Veja cita o caso de 39 juízes que não eram investigados especificamente, surgiu o problema por acaso e se multiplicam nas constatações feitas com muito critério pelo CNJ que deve ser prestigiado, pois, surgiu como um freio, desde que às Corregedorias dos TJ’s, são inócuas.

Quero deixar claro que esta é uma opinião pessoal, inclusive descrente desse país, roubado de seus melhores sentimentos, pelos poderes públicos que deveriam outorgar à nossa sociedade exemplos de grandeza e honradez.

Ministra, será uma pena que seu ato de extrema coragem e cidadania não seja aproveitado como mote, pela sociedade para tentar estancar essa epidemia que vem assolando nossa Justiça.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

FESTA DAS CRIANÇAS MOVIMENTA MFC MACEIÓ


Não faltou diversão para as crianças da Creche-Escola
O Movimento Familiar Cristão de Maceió - Alagoas promoveu no último sábado, dia 8 de outubro, a FESTA DO DIA DAS CRIANÇAS para 280 crianças carentes da Creche-Escola Menino Jesus, localizada na periferia de Maceió.
A festa aconteceu no Clube do Mascate Utilidades, localizado no Distrito Industrial de Maceió, com a presença dos mefecistas maceioenses acompanhados dos filhos. Foi uma tarde festiva com musica, palhaço, brincadeiras, distribuição de brinquedos e lanches para todas as crianças. As crianças foram transportadas em ônibus especial para o local do evento.

Saborosos lanches foram servidos para as crianças
A garotada se divertiu em camas elásticas, tobogã, castelo de bolas e vários outros tipos de brinquedos.

Durante toda a tarde foram distribuídos churros, pipocas, picolé, salgados, docinhos, bolos, sanduíches e refrigerantes. A festa teve a animação de Kika e Kal, conhecidíssima dupla de palhaços da garotada maceioense.
 
Foi uma tarde maravilhosa e o mais importante foi ver a felicidade das crianças ao receberam brinquedos como presentes do Dia das Crianças.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

CONDIR NORDESTE SE REUNIU EM PORTO SEGURO-BA

CONDIR-NE reunido em Porto Seguro-BA

O CONDIR-NE - Conselho Diretor Regional Nordeste do Movimento Familiar Cristão esteve reunido no sábado, 8 de outubro, na cidade de Porto Seguro - Bahia, com a participação dos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará e Sergipe.

Nesta 3ª Reunião Ordinária do CONDIR-NE, extensa pauta foi discutida, com debates e definições de assuntos relacionados ao Movimento Familiar Cristão em nível de região Nordeste.

O Conselho Diretor Regional Nordeste do Movimento Familiar Cristão, nesta reunião administrativa foi formado por Jorge (Alagoas e SERCOM), Joel e Alexsandra (Bahia), José Newton e Ariadna (Ceará), Luiz Antônio e Maria José (Sergipe), Florisval (SERFIN) e Padre Arnaldo (Assessor Eclesiástico). A coordenação dos trabalhos foi de José Newton e Ariadna (Ceará), secretariado por Jorge (Alagoas).

A ausência registrada foi a do coordenador regional Nordeste e estadual Alagoas, James, devido um problema na aeronave da TAM, que ao tentar decolar no aeroporto de Salvador com destino a Porto Seguro, não conseguiu levantar vôo. James teve que retornar a Maceió em outra aeronave, impossibilitando-o de chegar a Porto Seguro para participar da reunião. O MFC ALAGOAS foi representado por Jorge, que chegou a Porto Seguro nas companhias do assessor eclesiástico e do tesoureiro regional.  

Participaram também da reunião os mefecistas João Alberto (Vitória da Conquista-BA), Batista (Santa Cruz de Cabrália-BA), Roque (Eunápolis-BA), Madalena (Eunápolis-BA), Rogério (Eunápolis-BA), Reginaldo (Aracaju-SE), Vera Lúcia (Aracaju-SE), Marineide (Aracaju-SE), Permindio (Teixeira de Freitas-BA), Hildo (Vitória da Conquista-BA), Cleonice (Porto Seguro-BA), Michel (Porto Seguro-BA), Iodália (Porto Seguro-BA), Dos Anjos (Porto Seguro-BA).

No final da reunião foi celebrada a Santa Missa em agradecimento pela realização de mais uma reunião administrativa celebrada pelo Assessor Eclesiástico, Padre Arnaldo Lima Dias. Após a celebração, os conselheiros participaram de um jantar de confraternização e de um show musical organizado pelo Grupo Jovem do MFC local.  

No domingo (09), as representações estaduais foram recepcionadas na residência casal Michel e Iodália, ex-coordenadores da Equipe Cidade de Porto Seguro-BA, para um saboroso churrasco.

Os visitantes ficaram hospedados em residências de mefecistas e tiveram oportunidade de conhecer pontos turísticos de Porto Seguro e região.

A próxima reunião do CONDIR-NE está prevista para acontecer em Maceió - Alagoas, nos dias 14 e 15 de abril de 2012, ficando o domingo destinado ao momento de formação com o Padre Arnaldo Lima Dias.

domingo, 9 de outubro de 2011

LITURGIA DO 28º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 09/10/2011


"MUITOS SÃO CHAMADOS, POUCOS ESCOLHIDOS!"
A vida é toda ela uma oportunidade para escolher. É preciso, pois, conhecer com clareza para onde nos levam os diversos caminhos que estão à nossa frente. Não é prudente escolher qualquer um, ou não escolher nenhum. Na verdade, quando abrirmos nosso coração à graça da fé, nós é que estamos sendo escolhidos. Isso significa que não basta ter sido chamado.

28º DOMINGO DO TEMPO COMUM
1ª Leitura: Isaias 25, 6-10a
Salmo:  79
2ª Leitura: São Paulo aos Filipenses 4, 12-14.19-20
Evangelho: Mateus 22, 1-14
  
EVANGELHO – MATEUS 22, 1-14
Naquele tempo, 1Jesus voltou a falar em parábolas aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, dizendo: 2“O Reino dos Céus é como a história do rei que preparou a festa de casamento do seu filho.

3E mandou os seus empregados para chamar os convidados para a festa, mas estes não quiseram ir.

4O rei mandou outros empregados, dizendo: ‘Dizei aos convidados: já preparei o banquete, os bois e os animais cevados já foram abatidos e tudo está pronto. Vinde para a festa!’

5Mas os convidados não deram a menor atenção: um foi para o seu campo, outro para os seus negócios, 6outros agarraram os empregados, bateram neles e os mataram.

7O rei ficou indignado e mandou suas tropas para matar aqueles assassinos e incendiar a cidade deles.

8Em seguida, o rei disse aos empregados: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não foram dignos dela. 9Portanto, ide até às encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes’.

10Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados.

11Quando o rei entrou para ver os convidados, observou aí um homem que não estava usando traje de festa 12e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?’ Mas o homem nada respondeu.

13Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o fora, na escuridão! Aí haverá choro e ranger de dentes’.

14Porque muitos são chamados, e poucos são escolhidos”.

Palavra da Salvação – Glória a vós, Senhor.

HOMILIA –  Padre Queiroz
CONVIDAI PARA A FESTA TODOS OS QUE ENCONTRARDES

Neste Evangelho, Jesus nos conta a parábola dos convidados ao banquete. O rei representa Deus Pai. O filho é Jesus Cristo, que realizou o casamento de Deus com a humanidade. O banquete é o Reino de Deus, que tem na Igreja a sua melhor expressão. Os convidados somos nós.

Os primeiros convidados são, naquele tempo, o povo judeu. Hoje, são aqueles e aquelas que são convidados a seguir a Cristo, na sua Igreja, mas recusam o convite. Eles vivem por aí, procurando a felicidade onde ela não existe, sendo que ela lhes é oferecida a todo instante! Se realmente não atenderem ao convite, serão mortos, isto é, perderão a vida eterna.

Os segundos convidados somos nós, quando acolhemos o convite de Deus. Nós acolhemos o convite através do Santo Batismo. Mas não basta ser batizado, precisamos usar o traje de festa, isto é, viver na graça de Deus, que ele dá a quem obedece aos seus mandamentos. Viver em Comunidade é tão gostoso que é como participar de um banquete. Mas precisamos dar testemunho dentro da Comunidade, praticando o bem e evitando o mal.

Jesus não veio impor nada. Veio convidar, oferecer-nos um presente maravilhoso, chamado Reino de Deus. É tão bom participar dele que é comparado com um banquete.

“Nem todo aquele que me diz: Senhor! Senhor! entrará no Reino dos Céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).

“Amarrai os pés e as mãos desse homem e jogai-o for a.” Essa expulsão acontece de forma aparentemente natural; a pessoa, por um motivo ou outro, acaba parando de participar da Comunidade cristã. Ele pensa que foi por aquele motivo, mas, no fundo, foi Deus que o afastou, porque ele prefere poucos, mas que dêem o bom exemplo. Vamos agradecer a Deus o fato de ainda não termos sido expulsos da Comunidade cristã!

“Oh! Como é bom, como é agradável Os irmãos viverem juntos!” (Sl 133,1).
O rei cortou a amizade com os primeiros convidados. Se recusarmos o convite de Deus, que nos vem de mil formas, dali para frente não seremos mais os mesmos para Deus, porque recusar o seu convite é uma ofensa a ele. O convite de Deus nos compromete, marca-nos como um selo. Não dá para ser mais ou menos diante de Deus. Ou participamos pra valer, com o traje de festa e tudo, ou somos riscados da lista dele. Cruz credo, não?

Todas as pessoas do mundo são convidadas ao banquete. Portanto, não existe muro para alguém ficar em cima. Ou aceita e participa da festa eterna, ou fica fora, “onde haverá choro e ranger de dentes”.

A vida em Comunidade, que se plenificará na Comunidade celeste, é uma coisa tão gostosa que se parece com uma festa, é a festa do casamento de Deus com o seu novo Povo, em Jesus Cristo. Por isso que o povo começou a chamar o projeto de Jesus de Evangelho, que significa Boa Nova, Notícia Alegre. O Reino de Deus é um presente que ganhamos de Jesus. Participar dele é mais gostoso do que qualquer banquete. Apesar das cruzes que essa participação envolve. Quem é católico e participa da Comunidade cristã mostra essa alegria nos olhos, na alegria, no semblante, em tudo. Percebe-se até pela fotografia.

A Eucaristia é, aqui na terra, a expressão mais alta do banquete do Reino de Deus.

Hoje nos celebramos a memória de S. Bernardo é um dos fundadores dos monges cistercienses, que têm vários mosteiros no Brasil. Era francês e nasceu no ano 1090. O terceiro de sete irmãos. Sua mãe se chamava Aleth e o pai Tescelin. Quando Bernardo tinha dezessete anos, a mãe faleceu. Ele sentiu muito, mas foi ajudado pela família, especialmente pela irmã mais velha, chamada Humbelina.

Bernardo quis ser religioso e optou por um mosteiro recém fundado, na cidade de Cister. Alguém lhe disse, para dissuadi-lo da idéia: “Este mosteiro é o mais pobre e o mais rigoroso de todos”. Bernardo respondeu: “Foi justamente por isso que o escolhi”.

Seus irmãos de sangue foram, um a um, acompanhando Bernardo e se tornaram também monges. Até que sobraram em casa apenas o pai e o irmão mais novo, chamado Nivaldo. Um dia, o pai disse a Nivaldo: “Filho, estou com vontade de ir também para o convento. Você fica com essas terras e com os nossos bens todos”. Nivaldo respondeu: “Pai, isso é o mesmo que dizer: Nós escolhemos o céu e deixamos a terra para você. De modo nenhum. Eu também vou junto com o senhor para o convento”. Pronto, fecharam a casa.

Bernardo atraiu para a vida consagrada muitíssimos jovens. Onde ele chegava, persuadia uma turma de jovens a ingressar no convento. Sua influência era tão grande que alguns pais começaram a impedir que seus filhos se encontrassem com ele.

Quando Bernardo ingressou na vida religiosa, em Cister, a ordem contava apenas com vinte membros. Mas o número aumentou rapidamente, tanto que logo tiveram de fundar outro mosteiro, em Claraval. Foi ali que Bernardo viveu até a morte. Daí o seu nome: Bernardo de Claraval.

Bernardo foi sempre rigoroso consigo mesmo, mas, com os outros, era bem o contrário: extremamente benevolente, compreensivo e misericordioso.

Foi também escritor. Alguns de seus livros são lidos até hoje, como por exemplo: “Os graus da humildade e do orgulho”.

Além de livros, Bernardo escreveu belíssimas poesias. Foi ele que fez a oração a N. Senhora: “Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer...” Foi também ele que acrescentou na Salve Rainha as palavras finais: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria”.

S. Bernardo faleceu dia 20/08/1153, com 63 anos de idade. Certamente ganhou, no céu, o banquete eterno.

Maria Santíssima é uma atriz que dá ainda mais brilho à festa iniciada por Jesus, chamada Reino de Deus. Que ela, e S. Bernardo, nos ajude a não perder essa festa.

Convidai para a festa todos os que encontrardes.

ORAÇÃO
Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer.  Amém!

HOJE, 107ª MISSA DO MFC NO ALDEBARAN

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

DIVÓRCIO E SEPARAÇÕES CONJUGAIS

DRA. ALICE SIBILE KOCH
DRA. DAYANE DIOMÁRIO DA ROSA
ABC da Saúde

O divórcio, quando ocorre, ou quando sua possibilidade se torna real na vida dos casados, é uma das mais importantes crises da vida do adulto.

No casamento, ambos os parceiros mudam ou evoluem com os anos, geralmente em diferentes ritmos, e não necessariamente em direções complementares, podendo surgir a necessidade de separação.

Assim, diante de um casamento não satisfatório, começam a surgir inúmeros problemas no convívio e no relacionamento, que chamaremos aqui de desajustes conjugais. Ocorrendo a separação, ambos os ex-parceiros , independente de quem tenha tomado a iniciativa, passam por um período de sofrimento em decorrência da perda da relação, por pior que essa estivesse no período imediatamente anterior ao divórcio.

Falaremos aqui em divórcio como sinônimo de separação de corpos e de domicílios, independente do tipo de casamento, seja civil, religioso ou consensual (amigável).

UMA MAIOR ACEITAÇÃO DO DIVÓRCIO
A maior facilidade legal para o divórcio e a diminuição da influência da religião com dogmas rígidos tornaram a separação um acontecimento mais aceitável, com as pessoas separadas sofrendo menor preconceito que no passado.

Uma mostra disso é o fato de no Brasil desde 1940 até 1990, segundo o IBGE, o percentual de pessoas divorciadas, na população em geral, aumentou aproximadamente 15 vezes. Outro aspecto que contribuiu foi a busca mais acentuada pelo bem-estar individual, através da maior oferta de prazer (real ou ilusória) na sociedade atual para aqueles que abrem mão da vida a dois.

COMO SE PERPETUAM RELAÇÕES DESAJUSTADAS NO CASAMENTO
Em um casamento, quando ocorre um desajuste conjugal, a responsabilidade pelo problema é de ambos os cônjuges, mesmo que aparentemente a situação aponte para um único responsável.

Isso porque ocorre o que pode ser chamado de acordo inconsciente entre os dois no casamento, isto é: um problema que aparentemente é de apenas um dos cônjuges, é, em geral, compartilhado ou até mesmo aceito pelo outro.

Assim, uma pessoa ao se casar ou manter-se casada o faz pelas virtudes do parceiro ou da própria união. Porém, com as virtudes, aparecem as diferenças e até mesmo os problemas.

Questões sócio-culturais também são muito importantes na manutenção de casamentos muito desajustados, principalmente em culturas e classes sociais em que a mulher (ou o homem) tem uma educação rígida em relação ao casamento, não tendo uma vida pessoal própria, independente, mesmo profissionalmente, em que o casamento e a maternidade são vistos como meio de vida, muitas vezes por necessidade e não como opção.

Além disso, muitos casamentos mantêm-se pela extrema dependência afetiva dos cônjuges um do outro, que faz com que desajustes intensos no casamento sejam tolerados, de modo que a tristeza pela perda do casamento seja intensa ou até insuportável, não permitindo uma separação mesmo que os problemas conjugais sejam vários.

CAUSAS DO DIVÓRCIO
Da mesma forma que ocorre com o casamento, o divórcio é uma questão única para cada dupla que se separa.

Geralmente a separação é mais comum entre casais que se uniram na adolescência ou entre membros de diferentes níveis sócio-econômicos e culturais. Também pessoas cujos pais eram separados têm maior tendência a resolver um problema conjugal optando pelo divórcio.

Outra experiência provocadora de tensões no casamento é a paternidade, fazendo com que o parceiro sinta menos prazer com o outro após o nascimento de filhos.

A presença de doença nos filhos também gera uma tensão ainda maior, sendo que casamentos em que um dos filhos morre por doença ou acidente têm uma tendência de cerca de 50% em terminarem no divórcio.

DIVÓRCIO E RELAÇÕES EXTRACONJUGAIS
Na meia idade (40 a 60 anos) 60% dos homens e 40% das mulheres tiveram pelo menos um encontro extraconjugal (segundo dados americanos). A maioria desses acontecimentos é mantida em segredo, mas a sua revelação raramente se transforma em causa suficiente para a separação.

Muitas vezes, contudo, a relação extraconjugal sinaliza insatisfações prévias dentro do casamento, de um ou de ambos os parceiros, e não necessariamente apenas insatisfações sexuais.

MOTIVOS PSICOLÓGICOS PARA O DIVÓRCIO
Inúmeras e praticamente incontáveis podem ser as razões objetivas e práticas de separações. As pessoas que se separam podem atribuir a perda do amor, a presença de um relacionamento extraconjugal, o esfriamento sexual, as brigas constantes, a interferência dos sogros, a falta de dedicação ao casamento, e tantos outros que propiciam um desajuste conjugal.

Porém, da mesma forma que vimos antes em relação aos fatores inconscientes (não percebidos pela pessoa) que são capazes de manter uniões “desajustadas”, também ocorrem fatores psicológicos (inconscientes) da pessoa que agem na hora de optar-se por separações, além dos fatores objetivos, práticos, que se mostram mais evidentes.

Podemos falar nos seguintes fatores psicológicos que determinam as separações:
        
Escolha do cônjuge:
Não é raro que uma escolha insatisfatória tenha uma repercussão através do divórcio somente após anos de casamento. O nascimento de filhos, o surgimento de rotinas, a estabilização da vida sexual, a maior independência dos filhos crescidos, entre outros aspectos comuns do casamento, porém geradores de ansiedade, podem levar a uma reflexão sobre a escolha do cônjuge apenas após anos de vida a dois.
        
Amadurecimento do casal:
Uma segunda causa psicológica para o divórcio seria o amadurecimento desigual do casal. As mudanças naturais que ocorrem em cada pessoa ao longo da vida podem gerar nos parceiros de casamento diferenças que se tornam difíceis de conciliar.
        
Decadência dos aspectos saudáveis do casamento:
A diminuição do efeito saudável, ou terapêutico, do casamento é algo que muitas vezes determina seu fim. Não é raro que uma pessoa encontre no parceiro alguém que vai poder aliviar sua ansiedade ou angústia diante de alguns de seus problemas pessoais. É importante lembrar que isso, em si, não é algo anormal ou um problema em si. É algo natural das uniões. Porém pode extremar-se ou tornar-se um problema. Mas quando este lado de alívio da ansiedade dentro do casamento é rompido, a união pode acabar.
        
Mudança psicológica de um dos cônjuges:
Muitas vezes o que pode aproximar duas pessoas são seus lados problemáticos, ou conflituosos. Assim, o divórcio pode estar ligado à melhora psicológica de um dos cônjuges, sem ser acompanhado pelo outro.
        
Surgimento de um problema psicológico em um dos cônjuges:
Uma mulher pode ver-se diante de uma forte necessidade de separar-se de um marido que, com o passar dos anos, foi se tornando deprimido e alcoolista. Da mesma forma, um homem pode não mais conseguir manter-se com uma mulher que, diante das inseguranças e sentimentos depressivos do período de climatério (menopausa), começa a ter casos extraconjugais, como forma de reafirmar sua sexualidade e feminilidade, muitas vezes abaladas nesse período.
        
Ilusões sobre o divórcio:
Às vezes pode também ocorrer da pessoa iludir-se a respeito da vida do divorciado (que seria mais prazerosa) e acabar optando pela separação. Portanto, não é tão raro ou estranho que separações retrocedam.

A CRISE DO DIVÓRCIO
Divórcio é um momento de crise importante na vida da pessoa. Em geral, ocorre uma reação de luto pelo fim da união, por pior que esta estivesse antes da separação. Falamos de luto pela tristeza decorrente da perda do casamento, tristeza que pode iniciar antes mesmo da separação definitiva. A maioria das pessoas relata sentimentos de depressão e angústia intensa, relacionada a dúvidas e mudança constante no humor na época do divórcio (às vezes alegre, eufórico, às vezes triste, outras irritado). Apesar de uma separação poder ocorrer de forma rápida, estudos mostram que o processo de recuperação psicológica da crise do divórcio leva cerca de dois anos para ter uma resolução satisfatória, quando torna-se possível que o ex-cônjuge seja visto de modo neutro (sem raiva ou rancor intensos ou, por outro lado, quando deixa de ser visto como "uma paixão insubstituível e perfeita"), com cada um dos separados aceitando sua nova identidade de pessoa solteira ou descasada.

OS FILHOS DO DIVÓRCIO
Como ficam as crianças após o divórcio é uma preocupação freqüente dos pais e daqueles que profissionalmente se dedicam a minimizar o efeito do divórcio nos filhos dos separados.

Portanto, conseqüência para as crianças existem, e mais ou menos, de acordo com vários fatores, incluindo a própria resolução favorável da separação para os pais, a idade das crianças e o seu grau de desenvolvimento.

Do ponto de vista da criança, é preciso levar em conta que a separação é um projeto dos pais. Muitas crianças conseguem ser razoavelmente felizes e sentirem-se bem cuidadas em famílias em que um ou ambos os cônjuges sentem-se infelizes.

Poucas crianças demonstram sentirem-se aliviadas com a decisão do divórcio.

Uma repercussão imediata dos filhos ao divórcio é variável de acordo com o desenvolvimento e a idade dos mesmos. As crianças mais novas, pré-escolares, de 3 a 5 anos, podem apresentar uma regressão depois que um dos pais deixa o lar, podendo voltar a urinar na cama, a serem mais solicitantes, demonstrando ter vários medos e a ter alterações no sono. Podem se tornar irritáveis e exigentes.

Crianças de 5 a 8 anos geralmente demonstram uma tristeza aberta pelo divórcio, freqüentemente se refletindo no declínio do rendimento escolar.
Na idade de 8 a 12 anos em geral a criança reage com raiva franca de um ou de ambos os pais, por terem causado a separação. Por vezes demonstram ansiedade, solidão e sentimentos de humilhação por sua própria impotência diante do ocorrido. O desempenho escolar e o relacionamento com colegas podem ter prejuízo nesta fase.

Vimos como as conseqüências do divórcio nas crianças a médio e a longo prazo é muito variável. Já os adolescentes sofrem com o divórcio muitas vezes com depressão, raiva intensa ou com comportamentos rebeldes e desorganizados.

Contudo, como escreveu Judith Wallerstein, uma importante estudiosa de separações conjugais, em “Filhos do Divórcio”: "quando os pais decidem pela separação após pensar bem e considerar cuidadosamente as alternativas, quando previram as conseqüências psicológicas, sociais e econômicas para todos os envolvidos, quando acertaram manter um bom relacionamento entre pais e filhos, então é provável que as crianças não venham a sofrer interferência no desenvolvimento ou desgaste psicológico duradouro. Por outro lado, se o divórcio for realizado de modo a humilhar ou enraivecer um dos parceiros, se o ressentimento e a infelicidade dominarem o relacionamento pós-divórcio, ou se as crianças forem mal amparadas ou informadas, se foram usadas como aliadas, alvo de disputa ou vistas como extensões dos adultos, se o relacionamento da criança com um ou ambos os pais for empobrecido e perturbado e se a criança se sentir rejeitada, o desfecho mais provável para as crianças será a interferência no desenvolvimento, a depressão ou ambos".

O DIVÓRCIO NA BALANÇA: OS PRÓS E OS CONTRAS DO DIVÓRCIO.
Invariavelmente a separação em um casamento não é uma mera opção da pessoa, o que implica dizer que se separar não é fácil, pois há sofrimento envolvido, por mais que o casamento esteja aparentemente pouco satisfatório, ou mesmo desajustado.

A separação em geral força a pessoa, antes mesmo de separar-se, a tornar-se autônoma, a sair de uma posição de dependência, sendo que esta posição pode ser difícil de ser conquistada, especialmente se ambas as pessoas estão acostumadas a serem dependentes uma da outra (como normalmente acontece no casamento, em que há dependência e uma certa mistura da vida de duas pessoas, para que ele exista satisfatoriamente).

Mais comumente, a iniciativa da separação parte apenas de um dos cônjuges. Por vezes este poderá enfrentar sentimentos de culpa, principalmente se o casal possuir filhos, o que intensifica a dúvida da separação. A pessoa que toma a iniciativa poderá sentir-se causadora de sofrimento aos filhos, a si própria e até mesmo ao cônjuge de quem está separando-se, principalmente se esse se mostra muito fragilizado com a possibilidade do divórcio.

De modo similar, pode ocorrer o medo e a incerteza diante do futuro da vida de descasado, com os sentimentos de abandono, de solidão e de vazio pela perda da relação conjugal.

Por outro lado, o divórcio coloca na balança o sofrimento que pode ser causado pela permanência em um casamento insatisfatório. A pessoa pode sentir-se sacrificada dentro de uma relação que não lhe permite satisfação pessoal. O amadurecimento pessoal de cada um, se for desigual ou em direções muito diferentes, pode afastar as pessoas, de modo que a permanência da união poderá causar problemas emocionais para um ou para ambos.

Da mesma forma, uma escolha do cônjuge que não foi madura, em uma época muito inicial da vida ou baseada em aspectos psicológicos doentios, como foi descrito anteriormente, pode fazer o casamento tornar-se difícil de ser mantido, marcado por sentimentos de raiva do cônjuge, ou de tristeza e depressão, existindo um sentido de obrigação para manter o casamento e não um desejo sincero e maduro de mantê-lo e desfrutá-lo.

Além disso, muitos casamentos podem se manter por aspectos psicológicos pouco sadios, com poucos sentimentos de amor, carinho, respeito, podendo predominar desprezo, raiva, inveja, que resultam em uniões marcadas por competição, constantes acusações, brigas, agressões físicas, ou dependência doentia de um ou de ambos os casados.

DIVÓRCIO E TRATAMENTOS PSICOLÓGICOS
Sendo o divórcio uma crise importante na vida das pessoas que o enfrentam, muitos procuram algum tipo de tratamento psicológico em decorrência do mesmo, seja antes, durante, ou após a separação.

A maioria das pessoas, contudo, não o fazem, seja por não sentirem necessidade, seja por falta de condições (ou não possuírem algum tratamento acessível) ou por falta de conhecimento a respeito de auxílios psicológicos.

Além disso, muitas vezes, no senso comum, existe a idéia de que tratamentos psicológicos (psiquiátricos, psicoterápicos ou psicanalíticos) fazem com que a pessoa que se trata termine por se separar.

Entretanto, tratamentos psicológicos bem orientados objetivam reduzir as perturbações no relacionamento, muitas vezes favorecendo a manutenção do casamento e o enriquecimento do vínculo afetivo do casal.

Além disso, muitas pessoas podem sentir necessidade de tratamento após a separação, justamente pela perda que esta envolve, ou pelas modificações de vida decorrentes da mesma. Por último, no casamento podem ressurgir problemas psicológicos de um ou de ambos os parceiros anteriores ao próprio casamento, mas que se exacerbam durante a vivência a dois ou em família.