sábado, 31 de dezembro de 2011

ESCALA DA EQUIPE DE LITURGIA DO MFC PARA AS MISSAS NO ALDEBARAN

ESCALA PARA AS MISSAS
DO MFC NO ALDEBARAN
JANEIRO A JUNHO DE 2012
IGREJA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS
Paróquia de Santa Catarina Labouré
Domingo às 17h30min

MÊS
DIA
CASAL RESPONSÁVEL
CASAL
AUXILIAR
JAN
01
JORGE E PENHA
VALDO E NILDA

08
NETO E RITA
AILSON E SIMONE

15
JOÃO E PATY
RAINEY E ANA

22
VALDO E NILDA
JORGE E PENHA

29
AILSON E SIMONE
NETO E RITA
FEV
05
RAINEY E ANA
JOÃO E PATY

12
JORGE E PENHA
VALDO E NILDA

19
NETO E RITA
AILSON E SIMONE

26
JOÃO E PATY
RAINEY E ANA
MAR
04
VALDO E NILDA
JORGE E PENHA

11
AILSON E SIMONE
NETO E RITA

18
RAINEY E ANA
JOÃO E PATY

25
JORGE E PENHA
VALDO E NILDA
ABR
01
NETO E RITA
AILSON E SIMONE

08
JOÃO E PATY
RAINEY E ANA

15
VALDO E NILDA
JORGE E PENHA

22
AILSON E SIMONE
NETO E RITA

29
RAINEY E ANA
JOÃO E PATY
MAI
06
JORGE E PENHA
VALDO E NILDA

13
NETO E RITA
AILSON E SIMONE

20
JOÃO E PATY
RAINEY E ANA

27
VALDO E NILDA
JORGE E PENHA
JUN
03
AILSON E SIMONE
NETO E RITA

10
RAINEY E ANA
JOÃO E PATY

17
JORGE E PENHA
VALDO E NILDA

24
NETO E RITA
AILSON E SIMONE

FELIZ 2012!

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DISCRIMINAR NUNCA, TOLERAR SE POSSÍVEL!

Não discriminar não significa ter de tolerar as mesmas idéias, gostos, sentimentos, opções sexuais, ideais políticos ou religiosos. Posso e devo discordar se penso diferente. Isso é democracia, isso é pluralismo.

Para o filósofo Tomás de Aquino, que criou o conceito de tolerância no século 13: “Tolerar é permitir a existência de certos males menores para não provocar outros males maiores e para não impedir certos bens maiores”. Tolerar é permitir de forma bastante justificada certos males menores, não autorizá-los. Existe uma diferença notável entre permitir e autorizar. Esse último é dar autoridade a alguém para que faça algo. Seria autorizar o mal e converter, por um poder arbitrário e pela “magia” da tolerância, o mal em bem. O autorizador, assim, tornar-se-ia Corresponsável pelo mal. O que não seria ético.

É preciso ser consciente de que, quando se é tolerante, o mal continua sendo mal na perspectiva de quem permite. E que, mesmo sendo tolerante alguma vez, nem sempre será possível tolerá-lo. Nesses casos é preciso ser intransigente com o erro e o mal, o que não é intolerância. Ora, numa sociedade em que a confiança na razão como meio para descobrir a verdade foi aos poucos dando lugar ao ceticismo, é fácil compreender por que as pessoas se confundem entre o bem e o mal.

Os conceitos de intransigência e discriminação acabam se confundindo, o que é um grande erro.

Ser intransigente é defender a verdade que nos transcende. Significa manifestar o direito de discordar de alguém que apresente outra coisa como verdade, e, num diálogo respeitoso, expor uma argumentação diferente, com fundamentos sólidos e convincentes, de forma que ambos tentem honestamente vislumbrar um bem que os una. Portanto, uma atitude bastante distante da violência e da arrogância.

Já ser discriminador é algo bastante diferente. Significa dar um tratamento desigual, seja favorável ou desfavorável, às pessoas em função das suas características raciais, sociais, religiosas ou de gênero. É um desrespeito à pessoa humana, quase sempre numa atitude física ou psicologicamente violenta. Naturalmente, é algo deplorável, que sempre será preciso combater. Entretanto, não existe discriminação de idéias nem de atitudes, somente de pessoas.

Como aponta a doutora em Filosofia Ana Marta González, “o respeito se dirige ao homem que eventualmente defende idéias opostas às nossas; a tolerância, às suas idéias” (“Las paradojas de la tolerância”)Portanto, não discriminar não significa ter de tolerar as mesmas idéias, gostos, sentimentos, opções sexuais, ideais políticos ou religiosos. Posso e devo discordar se penso diferente. Isso é democracia, isso é pluralismo.

E como conviverão em paz pessoas que pensam diferente? Como viver a tolerância, em casos como a eutanásia infantil, o nudismo, o livre exercício de religiões minoritárias? A resposta é complexa, mas a filósofa espanhola nos orienta: eticamente, com respeito. Politicamente, com três critérios: buscar a solução em que a maioria possa se abster; em que o prejuízo que se vá produzir nos outros seja o menor possível; em que a subsistência da sociedade esteja sempre garantida.

Adaptação do texto do Professor João Malheiro
Doutor em Educação pela UFRJ
Publicado no Jornal Atuação do MFC Brasil Nº 153

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

COMUNICADO DE FALECIMENTO

Matheus Bernardo

Comunicamos com pesar o falecimento de MATHEUS BERNARDO, filho do casal Bernardo e Fabiana (Grupo Caná da Galileia).

Matheus se encontrava internado no Hospital A. C. Camargo, em São Paulo-SP, onde se submeteu a uma cirurgia emergencial na ultima quarta-feira (28), vindo a falecer nesta sexta-feira (30).

O corpo deve chegar a Maceió às 13 horas deste sábado (31) e o sepultamento acontecerá às 16 horas no Cemitério Campo Santo Parque Maceió, localizado no Benedito Bentes.

Confiantes no amor de Deus e na certeza de que agora MATHEUS BERNARDO está na graça do Pai, elevemos os nossos pensamentos, em comunhão com a família, orando pela sua alma, unidos no sentimento e na prece.

As Coordenações de Estado e da Cidade de Maceió do Movimento Familiar Cristão expressam seus sentimentos à família enlutada, nesse momento de dor e sofrimento, com a certeza que Deus acolherá MATHEUS BERNARDO em sua maravilhosa graça.

Nossos relacionamentos, nossas vivências, nossas atuações no MFC, geram um comportamento de afeição, de amor, de fraternidade e de simpatia, resultando nas nossas grandes amizades fixadas ao plano de Deus.

RENOVADOS PARA UM TEMPO NOVO

Padre Fabrício de Andrade

Padre Fabrício de Andrade
Portal Canção Nova

Mais do que um ano novo, que em 2012 possamos experimentar um tempo novo. O que a Palavra nos ensina é que esse tempo novo é construído no tempo da conversão.

Independentemente do que você fizer nesses últimos dias do ano, 2011 vai acabar e 2012 vai chegar. E nós, não queremos preparar você para a virada de ano, mas para a mudança de vida.

No dia 25 de dezembro deste ano, a Igreja celebrou 50 anos do Concílio Vaticano II. Com essa celebração, somos convidados a voltar nossos olhos às últimas cinco décadas para dar mais qualidade ao nosso presente.

Papa João XXIII explicou por que o Concílio Vaticano II fez com que a Igreja experimentasse um tempo novo:

"Este Concílio se fundamenta, principalmente, numa grave crise da sociedade desta época, pois, ao mesmo tempo em que se vê uma sociedade com grande progresso material, o mundo se encontra em grande decadência moral gerando crises de valores. Os homens já não anseiam pelos valores celestes; estão enfraquecidos diante dos gozos terrenos. Sendo assim, é urgente resgatar os valores cristão, possibilitando aos homens a salvação dos valores cristãos".

Hoje, esse texto ainda se enquadra a essa questão, pois nossa sociedade se desenvolve materialmente, mas sua decadência moral é inversamente proporcional. Os homens de hoje, como os de 50 anos atrás, estão enfraquecidos, porque estão se lambuzando dos prazeres daqui e se esquecendo dos valores do céu.

Em Efésios 4,17-24, lemos: “Eu vos digo, pois, e vos conjuro no Senhor, que não vos comporteis mais como se comportam os pagãos, por sua mentalidade fútil. Eles têm a inteligência obscurecida e são alheios à vida de Deus, por causa da ignorância produzida neles pela dureza de seus corações. Com sua consciência embotada, entregaram-se à devassidão, praticando avidamente toda sorte de impureza. Quanto a vós, não foi assim que o Cristo vos foi ensinado, se é que ouvistes falar dele e nele fostes instruídos, conforme a verdade que há nele — em Jesus. Precisais deixar a vossa antiga maneira de viver e despojar-vos do homem velho, que vai se corrompendo ao sabor das paixões enganadoras. Por outro lado, precisais renovar-vos, pela transformação espiritual de vossa mente, e vestir-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade”.

Faça a experiência de, nestes dias, encontrar um tempo novo. Nós não estamos fazendo a proposta de um Jesus "por atacado", mas já assumo, na autoridade da Igreja, que Deus está falando com você, pois esta é a missão da Canção Nova: fazer encontros nos quais você faça a experiência do Deus vivo.

Essa preparação para o tempo novo precisa começar de dentro para fora. No entanto, a maior preocupação da sociedade é a cor da roupa a ser usada, o lugar em que vão passar a virada ou a cor da roupa íntima a ser usada. Mas nós vamos apresentar a você um tempo no Senhor, pois, independente da cor da sua roupa, Deus está fazendo um tempo novo na sua vida.

O que celebramos nessas oitavas de Natal é a entrada da luz na humanidade. Essas mentes obscurecidas, citadas na Palavra, experimentam a luz de um jeito distante, e quanto menor a incidência de luz, tanto menor a capacidade de enxergar o que está à sua volta.

Você já conviveu com alguém “cabeça-dura”, “coração duro”? Essa luz, que estamos celebrando, vai incomodar essas pessoas para que elas tomem consciência sobre o que precisam mudar. Essa é a hora que você precisa para preparar a sua passagem de ano e abrir sua mente e seu coração para o anúncio da Palavra. “Quanto a vós, não foi assim que o Cristo vos foi ensinado, se é que ouvistes falar dele e nele fostes instruídos, conforme a verdade que há nele — em Jesus” (Efésios 4,20-21).

Não adianta mudar o ano se a forma de viver for velha, porque, assim, você já começa o ano com “cheiro de naftalina”. Esse tempo precisa começar com sua conversão, e isso só acontece a partir do momento em que vamos centrando nossa vida em Deus.

Queremos conduzir você a uma fonte verdadeira para que você possa matar a sua sede. Neste tempo novo, você é convidado a experimentar a água nova, cuja fonte ninguém pode poluir. Essa fonte tem a força de purificar nossa mente, nosso coração.

“Precisais renovar-vos, pela transformação espiritual de vossa mente” (Efésios 4,22). Passar de um ano para outro com a cabeça velha não adianta. Você precisa mergulhar na fonte, que é Jesus Eucarístico, Jesus-Palavra. Temos de deixar essa vida velha, despojando-nos de tudo o que foi errado!

Eu, hoje, o convido a se renovar, a voltar-se à imagem e semelhança que Deus lhe deu, a vestir-se do homem novo criado à imagem do Senhor na verdadeira justiça e santidade.

Ter Jesus como centro da nossa vida é sinônimo de santidade. Precisamos dar uma resposta diferente àquela sociedade de 50 anos atrás, que estava enfraquecida pela devassidão e imoralidade. A linguagem do Papa João XXIII, de 50 anos atrás, ainda pode ser aplicada, nos dias de hoje, a toda a nossa sociedade. E o convite que ele fez há 50 anos, eu faço hoje a você.

Esse é um tempo de fazer um exame de consciência. O que tem sido o centro da sua vida: o dinheiro, o prazer, a mentira, o pecado? Seja qual for, está errado, porque o único centro capaz de nos dar o equilíbrio é Jesus Cristo. Ele é o centro e a fonte.

Faça a experiência de se enxergar. Essa mudança é o que vai fortalecê-lo e ajudá-lo a encarar a sua realidade. Quantos de nós, na passagem de ano, dizemos que desejamos paz? Somos chamados a pedir essa paz aqui nesta vida para experimentá-la no céu.

Um povo que tem medo de enfrentar os desafios das tribulações precisa estar renovado. Independente dos problemas, se estou renovado, sou capaz de enfrentá-los.

Se não podemos apressar o calendário civil para dizer "Feliz Ano Novo!", podemos dizer, agora, na força do Espírito: Feliz Vida Nova!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ANIVERSÁRIO DE CASAMENTO - SÉRGIO & EVELINE

DEFINIDO TEMA E LEMA DO 18º ENA

A Equipe de Metodologia e Conteúdo do 18º ENA – ENCONTRO NACIONAL DO MFC que se realizará em 2013, na Cidade de Vitória da Conquista – BA, esteve reunido em Curitiba - PR, para a 1ª reunião de trabalho.

A equipe recebeu da Coordenação Nacional as sugestões de “Tema” “Lema” para o próximo ENA que foram enviadas por mefecistas de todas as regiões, e após trabalharem as opções, escolheram as seguintes:

TEMA:
Famílias: abram os olhos para os desafios do século XXI!
LEMA:
“Eu vim para que todos tenham vida, vida em abundância”. (Jo 10,10).

Participaram da 1ª Reunião da Equipe de Metodologia e Conteúdo os mefecistas: Jean (Condir Norte); José Newton e Ariadna (Condir Nordeste); Miguel e Cleimara (Condir Sudeste); Toninho e Claire (Condir Sul); Luis e Gicelma (Condir Centro Oeste); Jorge Leão (MFC Jovens - Norte); Geni e Emilio (SENFOR); Hildo (Infraestrutura ENA); Eduardo e Ismari, Antonio Carlos e Ângela, Gilson e Lourdes, Germano e Sandra (Coordenação Nacional).

ENA – ENCONTRO NACIONAL
ENA - ENCONTRO NACIONAL DO MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO é um evento realizado a cada três anos e reúne integrantes do MFC de todo Brasil, para uma semana de estudos e reflexões sobre as ações do MFC enquanto movimento de igreja. Para a realização de um Encontro Nacional efetuam-se pesquisas e estudos ao longo da fase que antecede o encontro, denominados Estudos pré-ENA. Tais atividades, propostas pela Equipe de Metodologia e Conteúdo e realizadas pelas Equipes Base de todo o Brasil, visam levantar, analisar e avaliar previamente as principais dificuldades com as quais o MFC e as famílias que o integram se defrontam cotidianamente; são desafios que as mais diversas realidades brasileiras – e mundiais - impõem à vida das famílias cristãs deste século e que influem decisivamente sobre elas. Tiveram e ainda têm a finalidade de permitir o planejamento das atividades e o desenvolvimento do próprio ENA e possibilitam a utilização da Metodologia Participativa, elementos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos do ENA na busca da valorização e da preservação das famílias e nos enfrentamentos aos ataques provenientes de todos os campos sociais: político, religioso, econômico, etc.

Durante a realização do encontro os Estudos pré-ENA, que carregam a visão local que cada Equipe Base tem dos desafios impostos pela sociedade global, tornar-se-ão um importante referencial para os estudos e debates que se efetuarão ao longo dos cinco primeiros dias do ENA. Integrantes de todas as regiões brasileiras tornarão a se debruçar sobre os mesmos problemas, mas agora com a finalidade de integrar as visões e realidades locais dos mesmos desafios já debatidos. Esta é a maior riqueza de um ENA que, por isso mesmo, constitui-se em um dos momentos fortes de crescimento e de revigoramento do MFC em terras brasileiras. É uma de suas místicas e está repleto de seus Carismas.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

REUNIÃO DO CONDIR/NE SERÁ EM MARECHAL DEODORO-AL

Rancho Pé de Pinhão será o local da reunião do CONDIR/NE

A coordenação do Movimento Familiar Cristão de Alagoas definiu que a 4ª Reunião Administrativa da Gestão 2010/2013 do CONDIR/NE - Conselho Diretor Regional Nordeste do Movimento Familiar Cristão se realizará no período de 14 a 15 de abril de 2012 no Rancho Pé de Pinhão, na Cidade de Marechal Deodoro.

O Conselho se reunirá para avaliar o desempenho do MFC, estabelecer metas e trocar informações referentes às atividades mefecistas no âmbito regional para que possa haver sucesso nas metas planejadas.

Participam da reunião os mefecista James e Fátima (coordenadores regional e estadual Alagoas), Vamberto e Marly (vice-coordenadores regional), Jorge e Penha (Sercom), Florisval e Eliana (Serfin), Pe. Arnaldo (assessor eclesiástico), José Newton e Ariadna (ex-coordenadores regionais), Alexsandra e Joel (coordenadores estadual Bahia), Mário e Liliana (coordenadores estadual Ceará) e Luiz Antônio e Maria José (coordenadores estadual Sergipe) e os demais integrantes do MFC/NE comprometidos com sua caminhada.

Os mefecistas visitantes terão a oportunidade de conhecer as belezas e a cultura da Cidade Histórica de Marechal Deodoro e estar numa propriedade com muito verde, rica fauna e flora.

O RANCHO PÉ DE PINHÃO, bastante conhecido dos mefecistas maceioenses, tornou-se um local de agradáveis encontros. Encontros familiares e encontros entre amigos, regado à boa conversa e a típica comida nordestina. O local dispõe de infra-estrutura para cursos, simpósios, congressos, conferencias, reuniões empresariais, casamentos, aniversários, treinamentos de empresas, grupos, retiros, confraternizações e diversos outros eventos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

ANIVERSARIANTE DO DIA - INÊS DE MARCO MOTA

ANGÚSTIA SOCIAL - Artigo de Suzy Maurício


ANGÚSTIA SOCIAL

Para Freud, a angústia é emoção, frente à perda e à separação, ao perigo interno ou externo, originários da sensação e do sentimento de angústia. Lacan pontua a angústia do ser humano como afeto que decorre de uma impossibilidade (específica), uma vez que somos cindidos, conflitantes e conscientes da nossa própria incompletude, carregamos em nós uma perturbação de que continuamente nos falta algo. De estarmos entrelaçados ao outro, às suas ações, à sua plenitude ilusória, e à nossa impossibilidade de ser.

A noção de finitude humana, a liberdade cerceada, a espera não atendida (frustração) dos desejos, a busca pela felicidade completa, o outro como objeto de construção dos anseios humanos e solução para os problemas cotidianos, conduz-nos ao estado de angústia, em alguns de nós, em maior grau, comprometendo nossa saúde mental.

O social, de brutalidade diária, violência desenfreada, miséria exposta, violações aos direitos humanos, limite à sua liberdade de ir e vir, risco iminente de assaltos e mortes (nas ruas, nas escolas, nos lares, etc.), corroboram para uma angústia pública, a de todos nós, e para o aumento dos nossos conflitos e faltas.

Como podemos sentir felicidade se ao redor as pessoas vivem nas ruas, sem lar, entregues ao tráfico (de entorpecentes e o humano), crianças e adolescentes violadas em seus direitos, desprotegidos pelo estado, a vagar sem família, sem um amanhã, assassinadas à luz do dia, e tantos outros crimes sem solução. A angústia é coletiva, contudo, diante de mortes coletivas, como as de Feira Grande-AL, berço da minha história.

Como sentimo-nos completos, enquanto tantos mendigam e reviram os lixões para saciar a fome? Sendo espectadores dos dramas humanos, de uma gente cuja única morada e seus bens materiais foram tragados pela enchente, amargando anos sem um teto digno para dormir e se proteger do sol e da chuva? Diante dos que padecem, à míngua, nas portas das urgências dos hospitais públicos à espera da saúde que não é para todos.

Como estarmos bem, se nossa liberdade de ir e vir está ameaçada pela insegurança pública? Seguimos em nosso lar, ansiosos, entre cercas e sensores elétricos, enclausurados em nossa ‘prisão’ particular. Olhar a rua, passear no parque, andar de bicicleta, à pé, de carro, de ônibus, tornou-se aflição e risco de vida.

Talvez a maior definição de ANGÚSTIA tenha sido dada por Aurélio, em seu dicionário: “Redução, restrição, ansiedade ou aflição intensa; ânsia, agonia, tormento, tribulação”.

Que Deus possa nos dar a paz, a sanidade necessária para seguir em frente e diante de tantos infortúnios. Que não sejamos omissos e façamos do lamento a ação: buscar e gritar por socorro, fazer valer nossos direitos, o maior deles é o de existir dignamente.

Que hoje (e em todos os dias), na ceia natalina, possamos refletir sobre o nosso igual, abrir o coração para a fraternidade, a caridade, a fé em Deus, o perdão. Dediquemos um pouco do nosso tempo e ajudemos a quem precisa, com um pão um abraço, um olhar, dando as mãos.

Fonte: http://suzymauricio.blogsdagazetaweb.com


Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do MFC.

domingo, 25 de dezembro de 2011

ANIVERSARIANTE DO DIA - GERALDA CARVALHO

ANIVERSARIANTE DO DIA - NÉLIDA DE JÚLIO

LITURGIA DO NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO - 25/12/2011




“DE SUA PLENITUDE RECEBEMOS
GRAÇA SOBRE GRAÇA!
Natal! Deus nasce no meio da gente, feito gente como nós. Traz consigo a plenitude da divindade. Vem para partilhar da nossa vida humana e para nos fazer partilhar da sua vida divina, graça sobre graça. Vem construir comunhão de vida entre o divino e o humano, através da força do amor. Que a nossa celebração seja acolhimento alegre e agradecido desse imenso dom, que se renova em cada Natal.

NATAL DE NOSSO SENHOR
JESUS CRISTO
1ª Leitura: Is 52, 7-10
Salmo Responsorial:  97
2ª Leitura: Hb 1, 1-6
Evangelho: Jo 1, 1-18

EVANGELHO – JOÃO 1, 1-18
1No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus.

2No princípio estava ela com Deus. 3Tudo foi feito por ela, e sem ela nada se fez de tudo que foi feito.

4Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la.

6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mais veio para dar testemunho da luz: 9daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano.
10A Palavra estava no mundo — e o mundo foi feito por meio dela — mas o mundo não quis conhecê-la. 11Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram.

12Mas, a todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, 13pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo.

14E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade.

15Dele, João dá testemunho, clamando: “Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim”.

16De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. 17Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo.

18A Deus ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer. — Palavra da Salvação.

- Glória a vós, Senhor.

HOMILIA – Dom Henrique Soares da Costa

“Um Menino nasceu para nós: um Filho nos foi dado! O poder repousa nos seus ombros. Ele será chamado ‘Mensageiro do Conselho de Deus’”. Estas palavras, lidas na leitura da Missa da Noite, dão bem o sentido da presente celebração. Nasceu para nós um Menino; foi-nos dado um Filho! Vamos encontrá-lo pobrezinho e frágil, deitado na manjedoura, alimentado por uma Virgem Mãe, guardado por um pobre carpinteiro. Mas, quem é este Menino? Quem é este Filho? Agora, com o sol já claro e alto, podemos enxergar melhor o Mistério: meditemos bem sobre o que celebramos na noite de ontem para hoje, no que professamos neste dia tão santo!

Este menininho, a Escritura nos diz que ele é a Palavra eterna do Pai: esta Palavra “no princípio estava com Deus... e a Palavra era Deus”. Esta Palavra, que dorme agora no presépio, depois de ter mamado, é aquela Palavra poderosa pela qual tudo que existe foi feito, “e sem ela nada se fez de tudo que foi feito”. Esta Palavra tão potente, feita tão frágil, esta Palavra que sempre existiu e que nasceu na madrugada de hoje, esta Palavra que é Deus, feita agora recém-nascido, é a própria Vida, e esta Vida é a nossa luz, é a luz de toda humanidade. Fora dela, só há treva confusa e densa! Sim, fora do Deus feito homem, do Emanuel, não há vida verdadeira! O Autor da Carta aos Hebreus, na segunda leitura, diz que, após ter falado aos nossos pais de tantos modos, Deus, agora, falou-nos pessoalmente no seu Filho, “a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo”; somente a ele, o Pai disse: “tu és o meu Filho, eu hoje te gerei!” Por isso, somente eles nos dá o dom da vida do próprio Deus!

Eis o mistério da festa de hoje: nesta criancinha nascida para nós, Deus visitou o seu povo, Deus entrou na humanidade. Que mistério tão profundo: ele, sem deixar de ser Deus, tornou-se homem verdadeiramente. Deus se humanizou! Veio desposar a nossa condição humana, veio caminhar pelos nossos caminhos, veio experimentar a dor e a alegria de viver humanamente: amou com um coração humano, sonhou sonhos humanos, chorou lágrimas humanas, sentiu a angústia humana... Ele, Filho eterno do Pai, tornou-se filho dos homens para salvar toda a humanidade, “tornou-se de tal modo um de nós, que nós nos tornamos eternos!”

Ó criatura humana, por que temes com a vinda do Senhor? Ele não veio para julgar ninguém. Não nasceu para condenar. Por isso ele apareceu como criancinha e não como um rei potente; pode ser encontrado na manjedoura, não no trono. Seu chorinho é doce, não afugenta ninguém. Sua mãe enfeixou seus bracinhos frágeis: por que ainda temes? Ele não veio armado para punir. Ele está aí franzino para ficar junto de nós e nos libertar! Celebra, pois, a chegada do teu maior Amigo! Canta Aquele que foi sempre, no sono e na vigília, esperado e ansiado, o guarda de Israel, o consolo da humanidade, o alento do nosso coração. Ele chegou, finalmente! Chegou para nunca mais nos deixar, porque desposou para sempre a nossa pobre humanidade! São Jerônimo, com palavras cheias de ternura, medita sobre este mistério: “O Cristo não encontra lugar no Santo dos Santos, onde o ouro, as pedras preciosas, a seda e a prata reluziam: não, ele não nasce entre o ouro e as riquezas, mas nasce num estábulo, na lama dos nossos pecados. Ele nasce num estábulo para reerguer os que jazem no meio do estrume: ‘Ele retira o pobre do estrume’. Que todos os pobres encontrem nisso consolo! Não havia outro lugar para o nascimento do Senhor, a não ser um estábulo; um estábulo onde se achavam amarrados bois e burros! Ah! Se me fosse dado ver este estábulo onde Deus repousou! Na realidade, pensamos honrar o Cristo retirando o presépio de palha e substituindo-o por um de prata... Para mim tem mais valor justamente o que foi retirado: o paganismo merece prata e ouro. A fé cristã merece o estábulo de palha. Pois bem! Ouvimos a criança choramingar no estábulo: adoremo-la, todos nós, no dia de hoje. Ergamo-la em nossos braços, adoremos o Filho de Deus. Um Deus poderoso, que por longo tempo, bradou alto dos céus e não salvou ninguém: agora choramingou e salvou. A elevação jamais salva; o que salva é a humildade! O Filho de Deus estava no céu, e não era adorado; desce à terra e passa a ser adorado. Mantinha sob seu domínio o sol, a lua, os anjos, e não era adorado; nasce na terra, homem, homem completo, integralmente homem, a fim de curar a terra inteira. Tudo o que não assumisse de humano, também não salvaria...”

É este o mistério do Santo Natal! Tenhamos o cuidado de não parar nas aparências, de não ficarmos somente na meiga cena do Menino, com a Virgem e são José! Este Menino é o Emanuel, o Deus-conosco! Este Menino veio como sinal de contradição, pois diante dele ninguém pode ser indiferente: ou se o acolhe, ou se o rejeita: “A Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo não quis conhecê-la. Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. Mas, a todos os que a acolheram, deram a capacidade de se tornarem filhos de Deus...” Pois bem: acolhamo-la, a Palavra que se fez Menino, Filho que nos foi dado! Se o acolhermos de verdade, na pobreza do dia-a-dia, no esforço de uma vida santa, então poderemos cantar com o salmista: “Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça. Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!”

Vamos todos! Sejamos testemunhas da graça deste dia, da novidade desta festa. E cumpram-se em nós as palavras da Escritura na leitura da missa de hoje: “Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação e diz a Sião: o teu Deus reina! O Senhor consolou o seu povo! O Senhor desnudou seu santo braço aos olhos de todas as nações; todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus”. Sejamos mensageiros dessa paz, dessa boa nova, sejamos testemunhas do Menino, irradiemos a graça do Santo Natal!

“Um Menino nasceu para nós: um filho nos foi dado! O poder repousa nos seus ombros. Ele será chamado ‘Mensageiro do Conselho de Deus’” (Is. 9,6).

Na noite de ontem, na madrugada deste hoje, contemplamos como Igreja um mistério inaudito: um Menino nos nasceu, pobre e frágil de uma Virgem Mãe. Quantos vieram a esta igreja foram inundados pela paz desse Menino, descido do céu no meio da noite. Agora, passada a noite, vencida a aurora, com o sol já alto, aproximemo-nos, inclinemo-nos para ver melhor: Quem é Aquele que repousa nos braços da Virgem Maria?

Ele é o prometido aos nossos pais, ele é o anunciado pelos profetas, ele é o esperado por Israel: “Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo”. Atenção! Este Menino não é simplesmente humano, não é uma pessoa qualquer: por ele o Pai criou o universo! Escutai: “Ele é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra. Ele foi sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas”. Só a ele o Pai diz: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei!” Caríssimos, ele, esse Menino, não é um mensageiro de Deus, não é um portador qualquer: Ele é a própria Palavra de Deus; aquela pela qual o Pai criou tudo. Escutai, pasmos de admiração: "No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. No princípio estava com Deus. Tudo foi feito por ela, e sem ela nada se fez de tudo que foi feito”. Compreendei, sem sombra de dúvidas, sem rastro de hesitação: esse Menino é Deus! Essa Palavra, esse Filho, esse Menino é a fonte de toda a vida do mundo,é a fonte da nossa vida e o único que pode saciar o nosso coração. Ouvi ainda: é sobre a Palavra! “Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens!” Ela, a Palavra, o Verbo, veio para nos iluminar, veio assumir a nossa vida humana para nos encher da sua vida divina; ele tomou o que é nosso – fraqueza, mortalidade, fragilidade – para dar-nos o que é seu – força, imortalidade, vigor! Ele veio para encher a nossa vida de graça e de verdade, num mundo que nos ameaça com tantas desgraças e com uma vida ilusória e mentirosa...

Pois, que sejas bem-vindo, Santo Menino! Que sejas bem-nascido, ó Santo Emanuel, Deus-conosco! Pensando em ti, repetimos com unção as palavras de Santo Isaías profeta: “Como são belos andando sobre os montes, os pés de quem anuncia e prega a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação e diz a Sião, diz à Igreja: ‘Reina o teu Deus’! O Senhor desnudou seu santo braço aos olhos de todas as nações; todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus”.

Mas, caríssimos, neste dia de tanta luz e paz, a mesma Palavra de Deus que nos enche de doçura traz uma nota de treva, traz já uma ponta de cruz. Ouvi com cuidado e sábio realismo: “A Palavra estava no mundo – e o mundo foi feito por meio dela – mas o mundo não quis conhecê-la. Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram!” É quase inacreditável, mas ainda hoje – e sobretudo hoje! - estas palavras são tristemente verdadeiras! O mundo aí fora não acolheu Aquele que nasceu para nós; o mundo continua envolto em trevas; Maceió continua envolta em trevas! Basta que saiamos daqui e veremos como a nossa paz será desmentida pela futilidade, pela decadência moral, pela soberba prepotente de um mundo cheio de si e satisfeito com sua própria treva! O mundo não o acolheu – que dura e cruel realidade! O mundo o perseguiu por Herodes, o exilou na fuga para o Egito, o mundo o contestou nos escribas e fariseus, o mundo o julgou e condenou como blasfemo em Caifás, como louco em Herodes Antipas, o mundo lavou as mãos ante ele e o crucificou em Pilatos! O mundo ainda hoje nele cospe com o aborto e o desprezo pela vida humana, o mundo o flagela com o consumismo e a impiedade, o mundo o crucifica com a imoralidade e a destruição da família... Que Mistério de piedade: Deus veio a nós, nasceu para nós! Que Mistério de iniqüidade: o mundo o rejeitou, o mundo o desprezou, o mundo o renegou, o mundo transformou o seu Natal numa festa de consumo porco e desprezível!

Mas, nós, cristãos, temos a graça de acolhê-lo, de contemplá-lo, de nele crer, de ouvir sua Palavra e comungar com imensa alegria e gratidão seu Corpo e Sangue nascido, morto e ressuscitado por nós! É verdade que o mundo não o acolheu, mas, ouvi: “A todos que o receberam, deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus isto é, aos que acreditam em seu nome, pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo!” São para nós estas palavras estupendas! Por que nele cremos, porque o acolhemos, nascemos nas águas do Batismo, recebemos o seu Espírito Santo e fomos tornados filhos de Deus, filhos nele, o Filho unigênito e bendito!

Eis, irmãos, quão grande é, por causa dele, a nossa dignidade; quão grande nossa esperança, quão grande nossa responsabilidade! Não reneguemos com o nosso modo de viver a realidade tão grande que nos foi dada! E, como por nós mesmos, nada podemos, a não ser sermos infiéis, terminemos essa meditação com a oração da segunda Missa da Solenidade de hoje, a Missa que a Igreja celebrou na Aurora, quando o céu começava a clarear: “Ó Deus onipotente, agora que a nova luz do vosso Verbo encarnado invade o nosso coração, fazei que manifestemos em ações o que brilha pela fé em nossas mentes!” Pedimos por Aquele que, nascido eternamente do vosso seio como Deus, hoje nasceu, humano, da Virgem Maria, como o sol nasce da aurora. Ele, que é Deus convosco pelos séculos dos séculos.

Mais uma vez, caríssimos, a volta do ano trouxe-nos a santa celebração do Natal do Senhor nosso Jesus Cristo. Historicamente, o natalício do Cristo nosso Deus ocorreu há dois mil anos atrás; no entanto, na potência do Santo Espírito, o Natal acontece hoje misticamente, nos santos mistérios que celebramos com piedade e unção. Cada um de nós que participa desta celebração sagrada, conserve no coração esta certeza: nos gestos, nas palavras, nos ritos da Santa Liturgia, a graça do santo Natal do Senhor faz-se realmente presente e verdadeiramente inunda a nossa vida! Para nós, aqui reunidos, o Natal é hoje, o Natal é agora!

Assim, podemos cheios de admiração, escutar o Evangelho que nos anuncia: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós!” Em outras palavras: o Filho eterno do Pai, Luz gerada da Luz, Deus verdadeiro gerado eternamente do Deus verdadeiro, para salvar o mundo com a sua piedosa vinda, hoje nasceu homem verdadeiro, homem entre os homens, de Maria, a Virgem! Caríssimos, quem poderia imaginar tal mistério, tal surpresa de Deus, nosso Senhor? A Liturgia oriental exclama, admirada: “Vinde, regozijemo-nos no Senhor, explicando o mistério deste Dia. A Imagem idêntica do Pai, o Vestígio de sua eternidade, toma forma de escravo, nascendo de uma mãe que não conheceu o casamento, e sem mesmo sofrer mudança! O que ele era, permaneceu: Deus verdadeiro; o que não era, ele assumiu: tendo-se feito homem por amor dos homens” (Grandes Vésperas do Natal). Eis o mistério: o Menino que nos nasceu para nós, o filho que nos foi dado, é Deus perfeito, é o Filho eterno, através de quem e para quem tudo foi criado no céu e na terra. Ele não é uma pessoa humana; é uma Pessoa divina, a segunda da Trindade. Este menininho é adorável: dever receber toda nossa adoração, toda nossa louvor, todo nosso afeto. No entanto, sendo Deus perfeito, hoje, ele saiu do seio da Sempre Virgem Maria, como verdadeiro homem, homem perfeito, com um corpo igual ao nosso, com uma alma igual à nossa, com uma vida para viver igual à nossa pobre existência! Quanto amor, quanta bondade, quanta humildade!

Neste Deus hoje nascido da Virgem, a nossa humanidade foi unida ao próprio Deus. Hoje a força do pecado começou a ser quebrada, hoje a doença da nossa natureza humana, tão propensa ao pecado, ganhou seu verdadeiro remédio, hoje, fazendo-se homem mortal, o Salvador nosso veio trazer a medicina que cura a nossa morte! Bendita seja a sua gloriosa vinda, o seu virginal nascimento! Adoremo-lo! Afirmemos com a Igreja, na sua santa Liturgia: “Foi depositado num estábulo Aquele que contém o universo. Ele descansa numa manjedoura e reina nos céus. É o Salvador dos séculos, o Rei dos Anjos, Aquele mesmo que a Virgem amamentava (Liturgia romana).

Por tudo isso, nunca percamos de vista a graça que recebemos pelo dom da fé! Vivemos num mundo confuso, de mentiras, de idolatrias, de confusão. O homem pensa poder fazer sozinho a sua vida, encontrar do seu modo a felicidade, fazer de seu jeito a sua própria existência. A Solenidade de hoje nos recorda que a humanidade precisa de um Salvador – e esse Salvador é Jesus, nosso Senhor! Ele é a nossa única Verdade, ele, o nosso único Caminho, ele, a verdadeira Vida! Não queremos outros mestres, não admitiremos outros senhores, não buscaremos outras verdades. Mais que nunca, nesta quadra tão difícil da história, quando o cristianismo e a Igreja de Cristo são tão caluniados e perseguidos, tão denegridos pelos meios de comunicação... hoje, quando ser cristão tem se tornado motivo de chacota e mangação, queremos, uma vez mais, e com todas as nossas forças, proclamar nossa total e incondicional adesão ao nosso Deus e Senhor Jesus Cristo! Por isso, amados nos Senhor, o Filho de Deus fez-se homem: para que o homem possa ver e ouvir claramente o que é ser homem, o que é viver de modo verdadeiramente digno, livre, maduro e feliz! O mundo nos propõe uma liberdade torpe, fundada nos caprichos, na loucura de fazer aquilo que se quer; o mundo nos tenta convencer que cada um é a sua própria medida, é o dono de sua própria vida; o mundo atual nos ensina a viver entregue às próprias paixões, aos próprios desejos... Aí estão: famílias destruídas, filhos sem pais, um rio de abortos e infelicidade, jovens sem esperança, uma sociedade sem valores nem critérios verdadeiramente dignos do homem criado à imagem de Deus... Mas, outro é o caminho que o Salvador hoje nascido nos aponta. Aprendamos com ele, o homem perfeito; sigamo-lo sem medo, coloquemos aos seus pés a nossa vida e a nossa liberdade, os nossos desejos e os nossos afetos. Deixemos que sua santa lei de amor e graça inunde nosso coração, penetre nas nossas famílias, modele o nosso modo de viver! Então, seremos realmente humanos, seremos realmente livres, seremos realmente felizes!

Alegremo-nos pela hodierna solenidade! “Que desapareça toda enfermidade: hoje, o Salvador apareceu. Não haja guerra, cale-se a discórdia: hoje, a verdadeira paz desceu do céu. Desapareça toda amargura: hoje por todo o universo os céus destilam mel. Fuja a morte, pois hoje a vida nos é dada do céu... Hoje, os cegos recobram a vista, os surdos ouvem, os coxos e os leprosos são curados, aqueles que estavam na tristeza estão na alegria, os enfermos encontram a saúde, os mortos ressuscitam. Somente o Diabo e seus demônios – e o mundo que os serve – tremem de cólera, pois sua derrota é a restauração do gênero humano. Hoje, o Cristo nos apareceu como Salvador” (Homilia de um Anônimo do século V).

Eis, pois, quantos motivos para nossa alegria, quantos, para nosso júbilo! Que pessoalmente e em família, celebremos de modo santo e devoto a Vinda do Nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo, a quem seja dada a glória com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos.

ORAÇÃO
Ó Deus, que admiravelmente criastes o ser humano e mais admiravelmente estabelecestes a sua dignidade, dai-nos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir nossa humanidade. Amém!

HOJE, 118ª MISSA DO MFC NO ALDEBARAN