segunda-feira, 4 de março de 2013
CORREIO MFC BRASIL Nº 312
PARA ELEGER
UM
NOVO PAPA
SEM PRESSA
HELIO AMORIM
– MFC/RJ
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O
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papa renunciou. O mundo sabe das tensões
internas no seio da Igreja formada por pessoas com suas limitações humanas e
envolvidas no clima intolerável nas disputas de poder nos corredores do
Vaticano que se reflete nas estruturas eclesiais e no povo de Deus mundo afora.
Esse
curto vazio de poder, atípico, não por morte, mas por sofrimento insuportável
do papa idoso ante esse quadro de conluios e vaidades, próprio das cortes
imperiais, acorda os católicos para o que poderá ser um kayrós, tempo propício
para mudanças profundas na vida da Igreja. Ou permanecerá esse clima perverso
pela simples mudança do ocupante do trono em que Jesus jamais aceitaria
sentar-se, cercado por tão imponentes vestes vermelhas.
O
papa deveria ser de fato uma réplica, ainda que imperfeita, de Jesus, sem
poderes imperiais opostos à colegialidade, reconhecido pelos cristãos como
servidor do Povo de Deus, capaz de ouvir os clamores desse povo, sem os filtros
dos cortesãos. Exerceria sua missão no vasto mundo, sem vestuário imponente,
visitaria às vezes o Vaticano, lugar interessante e bem equipado para reuniões
de clérigos e laicos, entendido como sede administrativa de um organismo
disperso pelo planeta, conduzida por funcionários competentes e honestos, sem
uso de símbolos de autoridade divina.
O
papa seria o símbolo da unidade de um extenso corpo de representantes dos
cristãos católicos, talvez formado pelos presidentes das atuais conferências
episcopais nacionais, estes, por sua vez, eleitos democraticamente por
eleitores escolhidos pelos organismos eclesiais intermediários de seu país –
representantes do clero, dos movimentos de leigos e de outros segmentos do povo
de Deus.
Seria
o início de um retorno moderno às práticas do passado, antes da conversão do
povo de Deus ao Império Romano de Constantino, no século IV. Essa conversão foi
fatal. Concílios passaram a ser convocados pelo Imperador romano. Essa rendição
ao poder político está na origem dos desvios da Igreja em relação à inspiração
original dos homens e mulheres seguidores do judeu Jesus de Nazaré.
Os
dirigentes desse contingente já então numeroso de cristãos passaram a vestir-se
como o imperador, adotando seus símbolos de poder, frequentando sua corte e
seus palácios. Esses espaços e símbolos de poder foram aos poucos se
consolidando na adolescência da Igreja, como práticas convenientes e prazerosas
do corpo eclesiástico, agora adotados como súditos do império.
Passados
tantos séculos, esse modelo de Igreja tornou-se anacrônico, não funcional,
distanciando-se da inspiração original, condenado a crises permanentes difíceis
de administrar. Normas eclesiásticas igualmente anacrônicas permanecem
teimosamente na vida da Igreja, em conflito com as demandas de cristãos
adultos, que já não aceitam as bases em que se apoiam suas normas e doutrinas
hoje inconsistentes: questionam-se o casamento sacramental dos divorciados, uso
de medicamentos para o planejamento familiar, celibato obrigatório dos clérigos
impondo um estilo masculino de cuidar da comunidade cristã, a participação
efetiva e plena das mulheres na vida da Igreja, nas funções ainda reservadas
aos homens, a demonização da sexualidade humana, e tantas outras questões de
importância vital para os cristãos.
Na
atual emergência, seria difícil a adoção repentina de uma nova forma, moderna e
revolucionária de ser Igreja, capaz de novamente cativar o povo, especialmente
os jovens. Estes criarão artificialmente a ilusão de sua presença na vida da
Igreja no encontro da juventude com o novo papa no Rio de Janeiro. Será apenas
uma pequena multidão como a dos fogos do ano novo em Copacabana. Prevemos o
esforço para passar a ideia de um “retorno massivo” de jovens para a Igreja.
Eles já estão muito distantes dos espaços religiosos, aqui e especialmente na
Europa. Esse fenômeno do envelhecimento dos cristãos sem jovens para mantê-la
viva, preocupa. Só uma Igreja assumida como sinal dos tempos, com seus valores
originais calibrados para a cultura atual, os trará de volta.
Com
a inesperada renúncia do papa, poderia acontecer uma surpresa igualmente
inesperada, mas certamente possível: a eleição não de um papa de feitio
tradicional, mas de um gestor eclesiástico de transição, com o título próprio
de administrador apostólico ou outro similar, dividindo com um colegiado as
funções e responsabilidades atuais de um papa, com tempo certo e limitado de
gestão, com a missão de conduzir as mudanças que o povo de Deus espera, como um
novo passo do aggiornamento que João XXIII inaugurou há 50 anos, mas parou no
tempo.
A
adoção de uma transição de tempo certo, para consultas, estudos, avaliações,
com metodologias adequadas, não impositivas nem manipuláveis, seria possível. O
Espírito de Deus certamente inspiraria caminhos aos condutores desse processo
que culminaria com a eleição adiada de um papa de novo perfil e missão, em um
concílio de consolidação de todas as mudanças adotadas.
OS ANOS DE
CHUMBO (XI)
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U
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m
desfecho esperado. Carlos Alexandre Azevedo suicidou-se neste fim de semana,
aos 40 anos. Tinha um ano e oito meses quando foi sequestrado e levado para o
DOPS de Sérgio Paranhos Fleury, em São Paulo, onde já estavam presos seus pais,
sob a acusação de dar proteção a militantes católicos de esquerda, em janeiro
de 1974. Foi esbofeteado pelos policiais quando chorava e jogado no chão. Bateu
a cabeça e nunca mais se recuperou. Foi diagnosticado como portador de “fobia
social” e se tornou dependente de antidepressivos e antipsicóticos. As sequelas
do que sofreu na infância se agravaram ao longo da vida. Descansa finalmente em
paz.
A POESIA DE
RUBEM ALVES
![]() |
| Rubem Alves |
"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos
de futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças
aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um
fragmento do futuro..."
Ao final de nossas longas andanças, chegamos finalmente ao lugar. E o
vemos então pela primeira vez. Para isso caminhamos a vida inteira: para chegar
ao lugar de onde partimos. E, quando chegamos, é surpresa. È como se nunca o
tivéssemos visto. Agora, ao final de nossas andanças, nossos olhos são outros,
olhos de velhice, de saudade”.
“É mais fácil amar o retrato. Eu já disse que o que se ama é a ‘cena’.
‘Cena’ é um quadro belo e comovente que existe na alma antes de qualquer
experiência amorosa. A busca amorosa é a busca da pessoa que, se achada, irá
completar a cena. Antes de te conhecer eu já te amava... E então,
inesperadamente, nos encontramos com rosto que já conhecíamos antes de o
conhecer. E somos então possuídos pela certeza absoluta de haver encontrado o
que procurávamos. A cena está completa. Estamos apaixonados”.
domingo, 3 de março de 2013
LITURGIA DO 3º DOMINGO DA QUARESMA - 03/03/2013
3º DOMINGO DA QUARESMA
PRIMEIRA LEITURA (Êx 3,1-8a.13-15)
Livro do Êxodo:
Naqueles dias, 1Moisés
apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Levou, um dia, o
rebanho deserto adentro e chegou ao monte de Deus, o Horeb.
2Apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de
fogo, do meio de uma sarça. Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não
se consumia, e disse consigo: 3“Vou
aproximar-me desta visão extraordinária, para ver por que a sarça não se
consome”.
4O Senhor viu que Moisés se aproximava para
observar e chamou-o do meio da sarça, dizendo: “Moisés! Moisés!” Ele respondeu:
“Aqui estou”.
5E Deus disse: “Não te aproximes! Tira as
sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa”.
6E acrescentou: “Eu sou o Deus de teus pais,
o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó”.
Moisés cobriu o rosto,
pois temia olhar para Deus.
7E o Senhor lhe disse: “Eu vi a aflição do
meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus
opressores. Sim, conheço os seus sofrimentos. 8aDesci para libertá-los das mãos dos
egípcios, e fazê-los sair daquele país para uma terra boa e espaçosa, uma terra
onde corre leite e mel”.
13Moisés disse a Deus: “Sim, eu irei aos
filhos de Israel e lhes direi: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas, se
eles perguntarem: ‘Qual é o seu nome?’, o que lhes devo responder?”
14Deus disse a Moisés: “Eu Sou aquele que
sou”. E acrescentou: “Assim responderás aos filhos de Israel: ‘Eu Sou’
enviou-me a vós’”.
15E Deus disse ainda a Moisés: “Assim dirás
aos filhos de Israel: ‘O Senhor, o Deus de vossos Pais, o Deus de Abraão, o
Deus de Isaac e o Deus de Jacó enviou-me a vós’. Este é o meu nome para sempre,
e assim serei lembrado de geração em geração”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!
RESPONSÓRIO (Sl 102)
- O Senhor é bondoso e compassivo!
— Bendize, ó minha alma,
ao Senhor,/ e todo o meu ser, seu santo nome!/ Bendize, ó minha alma, ao
Senhor,/ não te esqueças de nenhum de seus favores!
— Pois ele te perdoa
toda culpa,/ e cura toda a tua enfermidade;/ da sepultura ele salva a tua vida/
e te cerca de carinho e compaixão.
— O Senhor é indulgente,
é favorável,/ é paciente, é bondoso e compassivo./ Quanto os céus por sobre a
terra se elevam,/ tanto é grande o seu amor aos que o temem.
SEGUNDA
LEITURA (1Cor
10,1-6.10-12)
Primeira Carta de São
Paulo apóstolo aos Coríntios:
1Irmãos, não quero que ignoreis o seguinte:
Os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem e todos passaram pelo mar; 2todos
foram batizados em Moisés, sob a nuvem e pelo mar; 3e todos comeram do mesmo alimento
espiritual, 4e todos
beberam da mesma bebida espiritual; de fato, bebiam de um rochedo espiritual
que os acompanhava — e esse rochedo era Cristo —.
5No entanto, a maior parte deles desagradou
a Deus, pois morreram e ficaram no deserto.
6Esses fatos aconteceram para serem exemplos
para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no
deserto. 10Não murmureis,
como alguns deles murmuraram, e, por isso, foram mortos pelo anjo exterminador.
12Portanto,
quem julga estar de pé tome cuidado para não cair.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!
EVANGELHO (Lc 13,1-9)
1Naquele tempo, vieram algumas pessoas
trazendo notícias a Jesus a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado,
misturando seu sangue com o dos sacrifícios que ofereciam.
2Jesus lhes respondeu: “Vós pensais que
esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem
sofrido tal coisa? 3Eu vos
digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo
modo.
4E aqueles dezoito que morreram, quando a
torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os
outros moradores de Jerusalém? 5Eu vos
digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”.
6E Jesus contou esta parábola: “Certo homem
tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi até ela procurar figos e não
encontrou. 7Então
disse ao vinhateiro: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta
figueira e nada encontro. Corta-a! Por que está ela inutilizando a terra?’
8Ele, porém, respondeu: ‘Senhor, deixa a
figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. 9Pode
ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás’”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!
REFLEXÃO
“QUARESMA,
CAMINHO DE CONVERSÃO”
Pe. Luiz
Carlos de Oliveira, C.Ss.R.
UM DEUS COMPROMETIDO
A misericórdia é obra de
Deus. Suas ações são sempre de libertação. Ele ama libertar-nos de nós mesmos e
de tudo o que nos oprime. O cativeiro do Egito simboliza todo o mal, como
veremos na Páscoa. A misericórdia e a bondade de Deus fazem parte da
experiência fundante do povo. Não só ama de coração, mas toma atitudes
concretas: Vi o sofrimento do meu povo no Egito...conheço seus sofrimentos por
causa de seus opressores. Desci para libertar meu povo e tirá-lo deste país,
levando-o para uma terra boa e espaçosa. Terra onde correm leite e mel (Ex
3,7-8). Viu, conheceu, desceu para libertar e conduzir a uma terra boa. Deus é
consequente. No Novo Testamento Jesus é o bom Samaritano que tem esta atitude
consequente de Deus: Viu o homem machucado, sentiu compaixão, desceu do cavalo,
levou para a hospedaria, tratou dele, deixou um tanto para que fosse cuidado e
voltou para ver como estava. Sem esta maneira de agir, jamais saberemos o que é
a caridade. Certas esmolas só afagam nossa consciência e tornam a pessoa pior e
mais dependente. Aprendamos de Deus. É Deus que caminha conosco para cuidar de
nós. Por isso S. Paulo pede que não repitamos os erros do passado quando o
povo, no deserto, murmurou contra o Deus que o salvara e o sustentara. Nem por
isso Deus o abandonou. Na Quaresma, como preparação para a Páscoa, retomamos
esses momentos da história da salvação e os contemplamos em Cristo para que sua
Páscoa nos modifique para a celebrarmos sem o fermento do egoísmo.
CAMINHOS DE CONVERSÃO
Deus é compassivo e
sempre dá os auxílios para nossa conversão como rezamos no salmo 102: “Pois Ele
é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo”. Durante o tempo
santo da Quaresma nos são oferecidos os meios para a conversão e fortalecimento
de nossa fé: o jejum, a oração e a caridade fraterna. Vencendo o egoísmo e
abrindo-nos aos irmãos poderemos receber sua misericórdia. A missão libertadora
de Deus se realiza não só através de milagres, mas através de pessoas que se
dispõem a enfrentar com dedicação a libertação dos sofredores de todas as
prisões, sobretudo da prisão do mal institucionalizado na política, na economia
e mesmo na vida espiritual do povo. A Quaresma é uma escola que nos ensina a
viver com mais entusiasmo o ensinamento que Jesus nos deu com Suas palavras e
Sua vida: só na doação é que acontece a libertação. Conversão é o caminho para
a Páscoa.
FRUTOS DE CONVERSÃO
Na Quaresma conhecemos o
carinho de Deus para conosco através de Jesus, nosso Redentor. É um tempo de
conversão. Deus quer ver frutos. Jesus nos dá um exemplo muito claro: foi
buscar fruto em uma figueira e só encontrou folhas. E não era no tempo de figos
(Mc 11,13). A solução é clara: Se não der fruto deve desocupar o lugar. Por isso
o senhor manda cortar. Deus busca frutos em nós. O agricultor, que é Jesus,
pediu um pouco mais de tempo para ver se a árvore ainda se fortaleceria para
produzir fruto. Por que Jesus quer figo quando não é tempo de figo? Jesus está
a dizer que os frutos da conversão podem aparecer. Com o jejum, a esmola e a
oração os frutos virão. Quando não conseguimos, Deus tem paciência e dá o adubo
de Sua graça. Quaresma é tempo de
conversão.
ORAÇÃO
Ó Deus,
fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a
esmola e a oração como remédios contra o pecado. Acolhei esta confissão da
nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos
confortados pela vossa misericórdia. Amém!
Editado por Jorge – MFC ALAGOAS
sábado, 2 de março de 2013
CORREIO MFC BRASIL Nº 311
“ECONOMIA DA SALVAÇÃO” EM CRISE
Guilherme C. Delgado
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| Guilherme C. Delgado |
Pautado a falar sobre temas de economia, política econômica, economia política para a Rede neste mês, encontrei uma maneira de falar da crise eclesial desencadeada pela renúncia do Papa Bento XVI, que não se insere em qualquer domínio convencional da economia, mas no conceito de “economia da salvação” ou “economia da Revelação”.
E
|
sclareço preventivamente que a economia da salvação, no sentido teológico das ações palavras e obras comunicadas por Deus à humanidade, não está em crise, mas sim as estruturas humanas encarregadas da transmissão da palavra divina.
A renúncia do Papa, seguida das reflexões por ocasião da homilia que pronunciou na quarta-feira de cinzas, põe a nu um problema que o próprio Papa renunciante havia interditado à discussão pública, quando ainda Cardeal da Congregação para Doutrina da Fé, puniu Leonardo Boff, que havia levantado corajosamente o problema do exercício do poder legítimo na Igreja em eu livro “Igreja, Carisma e Poder”. Ironicamente agora a sucessão do Papa se dá num ambiente de crise aguda do exercício de um poder absoluto, formalmente de um Estado-Igreja, monarquia absoluta de direito divino.
O Concílio Vaticano II criou ou ratificou algumas instâncias de ‘democratização’ do poder eclesial – o Sínodo dos Bispos, as Conferências Episcopais nacionais e regionais e toda uma cultura de colegialidade e descentralização. Mas os dois últimos papados, especialmente o de Bento XVI, realizaram na prática um retrocesso à ordem antiga da ultra centralização romana. E tal movimento não se justificou em nome das reformas da Igreja, mas ao contrário para não fazê-las. E contraditoriamente o líder intelectual dessa restauração é a grande vítima das engrenagens de poder que ajudou a criar.
Todas essas questões são conhecidas de longa data pelos católicos medianamente informados, especialmente por suas hierarquias. Mas são literalmente interditadas ao debate público. É preciso que ocorra uma renúncia papal, seguida de denúncia tácita das ‘divisões internas’ e da ‘hipocrisia religiosa’ para que voltemos ao tema do poder religioso, por ocasião da sucessão do Papa.
Por distração ou desinformação, a mídia começou a tratar do tema da sucessão, de maneira convencional, tentando adivinhar quem será o novo Papa, de que Continente, de que tendência eclesial etc. Mas este é um debate limitado. Não vai ao cerne da questão. O que está em causa é a ultra centralização do poder religioso e o seu desvio da função carismática essencial, induzido pelas tentações de todo poder absoluto.
Os Estados modernos resolveram o problema do absolutismo, de diversas maneiras, mas convergindo para o sistema democrático constitucional, a separação de poderes, os princípios republicanos e a soberania popular substituindo o soberano príncipe, de direito divino. A Igreja, na sua estrutura interna, desdenha dos princípios da democracia e da república. Ainda que se defina no Concílio Vaticano II a Igreja como povo de Deus, não há qualquer interesse em afirmar a cidadania religiosa desse povo, especialmente da maioria esmagadora dos leigos.
Não se pode evidentemente transpor estruturas de poder do mundo civil para o religioso, porque são distintas suas missões. Mas há um adágio popular muito rico em sabedoria – “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente’, que é válido também para o poder religioso. E corromper aqui significa deixar-se dominar pelas tentações do ‘Príncipe”, abandonando na prática o testemunho de Jesus Cristo. Tentações estas nada abstratas, pelo que se deduz da fala de Bento de XVI na quarta-feira de cinzas.
O lado bom da situação atual é podermos tratar dessas questões publicamente, sem medo de interdições. Pena que nossa imprensa religiosa não discuta mais profundamente as questões internas da Igreja. Os problemas que Bento XVI levantou não vão se resolver por atos de fala da autoridade religiosa. E nós todos, partícipes deste Povo de Deus, temos direito e dever de participar dessa economia da salvação em pleno Século XXI, na condição de cidadãos fiéis que precisamos também ajudar a superar a crise de poder da Igreja, porque dificilmente a cúpula do poder religioso o fará por iniciativa própria.
Guilherme C. Delgado é economista, articulista do Boletim REDE e pesquisador do IPEA.
CIÊNCIA E FÉ
T
|
odos conhecemos as perseguições, condenações e mortes que marcaram o embate entre religião e ciência, ao longo da história, sempre que surgiam divergências entre descobertas científicas e interpretações religiosas de textos bíblicos, especialmente as dos relatos sobre a Criação.
Galileu foi julgado por afirmar que a Terra não era o centro do Universo, e os astros simples adornos instalados na abóboda celeste. Para não ser condenado à morte ou prisão, preferiu proclamar publicamente o seu "erro" e viver em paz mais alguns anos.
A Igreja que o condenaria severamente, em defesa da fé, reconheceu o equívoco de suas ações repressivas contra os avanços científicos, na singela cerimônia em que o Papa João Paulo II anunciou a "reabilitação" de Galileu, revogando a sentença secularmente discutida.
Mais tarde, todo o poder de fogo eclesiástico foi dirigido contra Darwin e suas teorias evolucionistas. Suas obras foram incluídas no Index dos livros que os cristãos estavam proibidos de ler, sob pena de excomunhão. Com os avanços inexoráveis das ciências, as reações se esvaziaram, depois de terem produzido alguns estragos perfeitamente evitáveis.
Foi, portanto, com a ajuda das ciências que se tornou possível entender a Bíblia, não como um livro histórico e científico. É, na verdade, uma obra catequética, que nos apresenta Deus e o seu projeto de humanização, através de imagens compreensíveis pelos homens e mulheres das épocas e culturas em que foram escritos os relatos e discursos que a compõem.
Permanecem vivas, entretanto inúmeras afirmações doutrinárias que não se rendem aos avanços da ciência, levando muitos cristãos a se afastarem da fé, com perdas para a credibilidade da Igreja: as questões que incomodam vão da resistência inútil ao planejamento familiar com o uso de medicamentos, amplamente praticado;, ao celibato forçado dos padres; ao novo casamento dos divorciados e à proibição de acesso de mulheres ao corpo do clero católico. Futuramente essas normas e disciplinas serão progressivamente revogadas e ouvidos novos pedidos de perdão aos que foram prejudicados por esses equívocos.
SABEDORIA
Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida. Sêneca
Não penses mal dos que procedem mal; pensa somente que estão equivocados. Sócrates
Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro... Confúcio
sexta-feira, 1 de março de 2013
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
ECE, ECCi E EQUIPES BASES SE REUNIRAM NA SEDE DO MFC
A
|
conteceu
na última terça-feira, 26, na Sede do MFC em Maceió, a reunião conjunta do
Conselho de Cidade de Maceió e a Equipe de Coordenação Estadual Alagoas do
Movimento Familiar Cristão. O Conselho de Cidade formado pela ECCi e
coordenadores de Grupos de Base, estiveram presentes na reunião com representantes de 18
Grupos de Base ativos do MFC Maceió.
A
reunião iniciou-se às 20 horas com a acolhida das coordenações de cidade e
estado, oração “Vinde Espírito Santo”, leitura e reflexão do Evangelho do dia
(Mt 23,1-12). Em seguida o coordenador estadual Alagoas, James Magalhães de
Medeiros, iniciou sua fala fazendo uma explanação sobre o MFC, pertença e
eventos. James falou ainda do ENA – Encontro Nacional do MFC, que acontece a
cada três anos e este ano realizar-se-á no período de 6 a 12 de julho, em
Vitória da Conquista, Bahia. O último assunto da pauta estabelecida para
reunião foi sobre eleições MFC, passando a coordenação estadual às informações estatutárias
para a realização do pleito que elegerá as coordenações de estado e cidade para
o triênio 2013/2016.
A
coordenação estadual distribuiu com os coordenadores presentes o Estatuto e Regimento
atualizado do MFC, documento essencial para que todos tenham conhecimento dos
seus direitos e deveres como membro do Movimento Familiar Cristão.
RETIRO
Sugerido
pelas coordenações de Cidade e Estado e aprovado pelo Conselho, o MFC realizará
no período de 22 a 24 de março, um “RETIRO QUARESMAL DO MFC” no Rancho Pé de
Pinhão, em Marechal Deodoro, com a participação de membros ativos do MFC.
Para
a realização do Retiro, as Equipes de Cidade e Estado, formaram uma comissão
composta pelos mefecistas Gastão e Eluza, Rivoldo e Luciana, Fernando e Luciana
Fon, Júlio e Sônia, Lúcio e Cacilda para organizarem o Retiro com o Tema:
“Abram os olhos diante dos desafios atuais” e Lema: “Eu vim para que todos
tenham vida”, tema e lema do 18º ENA. Serão ofertadas 100 (cem) vagas.
Durante
todo o Retiro Quaresmal do MFC, os participantes ficarão hospedados no Rancho
Pé de Pinhão. Na segunda-feira, 04, divulgaremos o local de inscrição e mais
informações sobre o evento.
ENA
O
ENA - ENCONTRO NACIONAL DO MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO é um evento realizado a cada
três anos e reúne integrantes do MFC de todo Brasil, para uma semana de estudos
e reflexões sobre as ações do MFC enquanto movimento de igreja.
Durante
o ENA realiza-se a AGN – Assembleia Geral Nacional do MFC, onde se elegem os
novos Coordenadores Regionais e, entre eles, os novos Coordenadores Nacionais
que, juntos, formarão o CONDIN – Conselho Diretor Nacional. Na AGN define-se
também o plano de metas e prioridades de ações do MFC para os próximos três
anos, a partir dos estudos e debates realizados no presente ENA. A AGN é
composta pela Equipe de Coordenação Nacional, pelos Coordenadores Regionais e
pelos Coordenadores Estaduais. É presidida pelo Coordenador Nacional da gestão
anterior.
Este
ano acontece mais um ENA, desta vez na Região Nordeste, na Cidade baiana de
Vitória da Conquista, no período de 6 a 12 de julho.com a participação de 450
membros das diversas regiões do Brasil.
Alagoas
dispõe de 25 vagas, e as coordenações de cidade e estado trabalham para
facilitar ao máximo a participação dos alagoanos neste importante encontro do
MFC.
Nos
próximos dias, haverá uma reunião para definir os detalhes finais da participação
de Alagoas no 18º ENA.
VIA-SACRA
Este
ano o Conselho definiu pela não realização da tradicional VIA-SACRA que o MFC
Maceió promove no Rancho Pé de Pinhão. Devido o apertado calendário, haverá uma
Via-Sacra durante o Retiro Quaresmal do MFC e outra Via-Sacra em Limoeiro de
Anadia, aberta a participação dos mefecistas e da comunidade cristã.
A
Equipe de Coordenação Estadual se reunirá com o pároco de Limoeiro de Anadia
para definir os detalhes finais de mais uma VIA-SACRA do MFC na Cidade. A data
mais provável para acontecer o evento é a quarta-feira, dia 27, com a
participação teatral de jovens do MFC Limoeiro de Anadia.
NUCLEAÇÃO
O
Conselho definiu que a Nucleação prevista para acontecer em maio não acontecerá
mais. A futura ECCi definirá a nova data, que deve acontecer no segundo
semestre deste ano.
ELEIÇÕES MFC
Através
de Edital de Convocação, amplamente divulgado nos meios de comunicação do MFC, o
Coordenador do Movimento Familiar Cristão no Estado de Alagoas, no uso de suas
atribuições estatutárias e regimentais, considerando o término do mandato da
atual gestão da Coordenadoria Estadual e das Coordenadorias Municipais, e a
necessidade da realização de eleições diretas, para o triênio seguinte
(2013/2016), conforme determina os artigos 11, do Estatuto, e 87 do Regimento
Interno do Movimento Familiar Cristão, convocou os Coordenadores do Estado e de
Cidades do Movimento Familiar Cristão do Estado de Alagoas e todos os membros
efetivos e fundadores, que estejam em dia com suas obrigações estatutárias,
inclusive, com a tesouraria, e que tenham, no mínimo, dois anos de caminhada
(art. 87, § 3º RI), para participarem dos respectivos processos eletivos.
Todos
os mefecistas em dia com suas obrigações estatutárias e que preencham os requisitos
que consta no Edital ECE 001/2013 e Ato Convocatório ECCi 001/2013, tem direito
a voto e ser votado, podendo concorrer aos cargos de coordenador e vice-coordenador
de cidade ou estado.
O
Edital pode ser consultado através do link http://mfcmaceio.blogspot.com.br/2013/02/eleicoes-mfc-2013-edital-de-convocacao.html
e o Ato Convocatório através do link http://mfcmaceio.blogspot.com.br/2013/02/ato-convocatorio-ecci-maceio-n-012013.html
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
QUARESMA: TEMPO DE RENOVAR A VIDA CRISTÃ
QUARESMA:
TEMPO DE
RENOVAR A VIDA CRISTÃ
| Dom Orani João Tempesta |
Dom Orani João
Tempesta
Arquidiocese do Rio
de Janeiro
|
I
|
niciamos
nossa caminhada para a Páscoa! Refazemos o caminho do Êxodo em 40 dias de jejum,
esmola, oração, penitência. Queremos renovar nossa vida cristã passando
novamente pelo mar vermelho das promessas batismais e da nossa unidade com o
Deus da aliança, tornando presente o acontecimento do Monte Sinai.
É
um tempo especial para nós, católicos,
quando a liturgia, sóbria e simples, nos enfoca o essencial de nossa vida
cristã e nos conduz para uma sincera abertura para a graça de Deus,
chamando-nos à conversão visibilizada no sacramento da Penitência. As
celebrações penitenciais que se multiplicam pela Arquidiocese são para nós a
oportunidade que devemos aproveitar e acolher como um grande dom de Deus para a
experiência de Sua misericórdia e renovação de nossas vidas.
A
Igreja nos convida a viver o tempo da Quaresma! Infelizmente, a sociedade, com
sua realidade plural, não se importa com este tempo, muito mais preocupada está
com os resultados dos desfiles carnavalescos e a procura de vender mais
chocolates por ocasião da Páscoa. Todos os anos, ao início deste tempo, somos convidados ao jejum e à abstinência
de carne. Assim, já na Quarta-feira
de Cinzas surge em meio aos cristãos acostumados às muitas celebrações a
pergunta: “qual o significado da Quaresma?”
Para
responder a essa questão, devemos olhar para o nosso dia-a-dia e perceber que todas
as vezes que as pessoas estão diante de algo importante para suas vidas
lançam-se freneticamente numa preparação para conseguir o objetivo desejado.
Jovens enfrentam os muitos “cursinhos” para passar no vestibular; outros se
empenham nas aulas de direção para conseguir a tão sonhada carteira de
motorista. Aprender nova língua para conseguir um bom emprego; Esmerar-se nos
estudos para conseguir a vaga em entidades públicas ou uma grande empresa. Ou
seja, para algo especial, preparação radical
A Páscoa é a
celebração máxima da vida do Cristianismo, expressão mais profunda do nosso
relacionamento com Deus; por isso, a Igreja como “Mãe e Mestra” nos convida a
uma preparação especial de quarenta dias – o tempo da Quaresma. Aqui no Brasil,
somos questionados a cada ano diante de assuntos importantes para a vida cristã
e para a nossa sociedade. Neste ano é sobre a juventude. É óbvio que no ano em
que o Brasil recebe aqui no Rio de Janeiro a Jornada Mundial da Juventude, o
tema também fosse o mesmo aprofundado do lado social e dos compromissos do
protagonismo juvenil na transformação da sociedade.
Neste
tempo propício de oração, jejum e caridade, devemos rever nossas atitudes
diante de Deus, do próximo e de nós mesmos. É um convite à oportunidade de
estar plena e conscientemente diante de Deus, para receber d’Ele a vida nova,
trazida na Páscoa.
O
espaço de tempo de quarenta dias tem sua fundamentação na Sagrada Escritura. Os
números têm um simbolismo muito grande nos dois Testamentos. Vemos a duração da
Quaresma baseada no símbolo deste número na Bíblia. Quarenta dias e quarenta
noites é o tempo de duração do dilúvio (Gen. 7,12), aqui Deus dá uma nova
oportunidade de vida e regeneração aos que se salvaram seguindo os seus
mandamentos; Quarenta anos foi o tempo da peregrinação do povo judeu pelo
deserto (Dt 1-3), errante, sofrido e ao mesmo tempo pleno de esperança, marca
definitiva de todo cristão. Quarenta dias Moisés e Elias estiveram na montanha
(Ex. 24,18) e ainda quarenta dias que Jesus passou no deserto (Lc 4,2) antes de
começar a sua vida pública, fazendo jejum e ali sendo tentado por Satanás.
Aliás, esse é o episódio que abre a Quaresma no primeiro domingo, cada ano em
uma das versões dos evangelhos sinóticos.
Percebemos
na história bíblica o tempo de quarenta dias para uma preparação de algo que
viria logo a seguir, sendo considerado como muito importante. Somos ajudados
também pelos acontecimentos do mundo atual, quando vemos ao redor a violência,
o egoísmo, a intolerância, o relativismo, a manipulação do ser humano como
“coisa”, a desunião da família e a contestação dos valores da vida e do ser
humano colocados diante de nós a cada instante pelas várias circunstâncias
culturais e sociais. Por outro lado, temos
exemplos belíssimos de sinais de desapego, de amor ao próximo, de serviço à
Igreja, como nos deu o nosso beatíssimo padre o Papa Bento XVI, que marcou
a conclusão de seu pontificado para o próximo dia 28 de fevereiro, demonstrando
a grandeza de seu espírito. Ele continuará servindo à Igreja e à humanidade com
uma vida de oração e silêncio no Mosteiro situado no Vaticano.
Com
todo o sentido espiritual, litúrgico, social, cultural e dos acontecimentos
atuais, a Quaresma deste ano nos traz,
portanto, a oportunidade magnífica de mudança. Mudança de rumo, de perspectivas,
enfim, de vida. Se todos os anos
esse apelo é marcante, este ano muito mais: agora é o tempo favorável que temos
para empreender ainda mais como cristãos o nosso empenho nessa abertura à ação
da graça, vivenciando a beleza da escolha que o Senhor fez de cada um de nós
para sermos seu povo e seu rebanho.
O seu significado
mais profundo vai depender de cada coração. Como estamos acolhendo este tempo
penitencial?
Tem ele nos trazido novas moções do Espírito? E nós as temos aceitado? Como se
trata de um tempo penitencial, ainda caberia uma pergunta ao nosso coração.
Minha consciência aprova tudo o que faço, ou às vezes deixo de fazer, correndo
o risco de omitir-me diante da verdade?
É
o tempo da oportunidade que Deus mais uma vez se dispõe a nos presentear para
estarmos na sua presença. Que as
atitudes externas deste tempo correspondam a um coração contrito e arrependido,
que busca configurar-se a Cristo em suas atitudes concretas no relacionamento
com Deus e com os irmãos. É a proposta anual da Igreja que chama seus
filhos a viverem com coerência a vida segundo o Evangelho no seguimento de
Cristo hoje.
O
período quaresmal, em que a Liturgia da Igreja apresenta à nossa reflexão os
grandes mistérios da salvação, seja vivido por nós todos em atitude de
penitência e de sacrifício, para nos prepararmos dignamente para o encontro
pascal com Cristo. Vivei sempre animados pelo ideal altíssimo proclamado por
Jesus: O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei.
Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos (Jo
15, 12-13).
Portanto,
a Quaresma vai significar para cada coração que crê a grande oportunidade da
sua vida. Estar na presença de Deus e d’Ele receber vida, e vida em abundância
(Jo 10,10).
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