sexta-feira, 24 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
JUNHO DE FESTAS JUNINAS
A
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proxima-se
o evento mais esperado do calendário brasileiro: as FESTAS JUNINAS, que animam todo o mês de junho com muita música
caipira, quadrilhas, comidas e bebidas típicas em homenagem a três santos
católicos: Santo Antônio, São João e São
Pedro. Naturalmente as festas juninas fazem parte das manifestações
populares mais praticadas no Brasil.
Seria
as festas juninas folclore ou religião? Até onde podemos distinguir entre
ambos? Neste estudo não pretendemos atacar a religião católica, já que todos
podem professar a religião que bem desejarem, o que também é um direito
constitucional. mas tão somente confrontar tais práticas com o que diz a
Bíblia.
HERANÇA PORTUGUESA
A
palavra folclore é formada dos termos ingleses folk (gente) e lore (sabedoria
popular ou tradição) e significa “o conjunto das tradições, conhecimentos
ou crenças populares expressas em provérbios, contos ou canções; ou estudo e
conhecimento das tradições de um povo, expressas em suas lendas, crenças,
canções e costumes”.
Como
é do conhecimento geral, fomos descobertos pelos portugueses, povo de crença
reconhecidamente católica. Suas tradições religiosas foram por nós herdadas e
facilmente se incorporaram em nossas terras, conservando seu aspecto
folclórico. Sob essa base é que instituições educacionais promovem, em nome do
ensino, as festividades juninas, expressão que carrega consigo muito mais do
que uma simples relação entre a festa e o mês de sua realização.
Entretanto,
convém salientar a coerente distancia existentes as finalidades educacionais e
as religiosas.
É
bom lembrar também que nessa época as escolas, "em nome da cultura",
incentivam tais festas por meio de trabalhos escolares, etc... A criança que
não tem como se defender aceita, pois se sente na obrigação de respeitar a
professora que lhe impõe estes trabalhos (sobre
festa Junina), e em alguns casos é até mesmo ameaçada com notas baixas,
porquê a professora, na maioria das vezes, é devota de algum santo,
simpatizante ou praticante da religião Católica, que é a maior divulgadora
desta festa. Neste momento quando se mistura folclore e religião, a criança
-inocente por natureza - rapidamente se envolve com as músicas, brincadeiras,
comidas e doces. Aliás, não existiria esta festa não fosse a religião.
Inclusive existe a competição entre clubes, famílias ou grupos para realizarem
a maior ou a melhor festa junina da rua, do bairro, da fazenda, sítio, etc...
Além
disso, não podemos nos esquecer de que o teor de tais festas oscila de região
para região do país, especialmente no norte e no nordeste, onde o misticismo
católico é mais acentuado.
As
mais tradicionais festas juninas do Brasil acontecem em Campina Grande (Paraíba) e Caruaru (Pernambuco).
O
espaço onde se reúnem todos os festejos do período são chamado de arraial.
Geralmente é decorado com bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de
coqueiro. Nos arraiás acontecem as quadrilhas, os forrós, leilões, bingos e os
casamentos caipiras.
UMA SUPOSTA ORIGEM DAS FESTIVIDADES
Para
as crianças católicas, a explicação para tais festividades é tirada da Bíblia
com acréscimos mitológicos. Os católicos descrevem o seguinte:
“Nossa
Senhora e Santa Isabel eram muito amigas. Por esse motivo, costumavam
visitar-se com frequência, afinal de contas amigos de verdade costumam
conversar bastante. Um dia, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora para
contar uma novidade: estava esperando um bebê ao qual daria o nome de João
Batista. Ela estava muito feliz por isso! Mas naquele tempo, sem muitas opções
de comunicação, Nossa Senhora queria saber de que forma seria informada sobre o
nascimento do pequeno João Batista. Não havia correio, telefone, muito menos
Internet. Assim, Santa Isabel combinou que acenderia uma fogueira bem grande
que pudesse ser vista à distância. Combinou com Nossa Senhora que mandaria
erguer um grande mastro com uma boneca sobre ele. O tempo passou e, do jeitinho
que combinaram, Santa Isabel fez. Lá de longe Nossa Senhora avistou o sinal de
fumaça, logo depois viu a fogueira. Ela sorriu e compreendeu a mensagem. Foi
visitar a amiga e a encontrou com um belo bebê nos braços, era dia 24 de junho.
Começou, então, a ser festejado São João com mastro, fogueira e outras coisas
bonitas, como foguetes, danças e muito mais!”.
Como
podemos ver, a forma como é descrita a origem das festas juninas é extremamente
pueril, justamente para que alcance as crianças.
As
comemorações do dia de São João Batista, realizadas em 24 de junho, deram
origem ao ciclo festivo conhecido como festas juninas. Cada dia do ano é dedicado
a um dos santos canonizados pela Igreja Católica. Como o número de santos é
maior do que o número de dias do ano, criou-se então o dia de “Todos os
Santos”, comemorado em 1 de novembro. Mas alguns santos são mais reverenciados
do que outros. Assim, no mês de junho são celebrados, ao lado de São João
Batista, dois outros santos: Santo Antônio, cujas festividades acontecem no dia
13, e São Pedro, no dia 28.
PLÁGIO DO PAGANISMO
Na
Europa antiga, bem antes do descobrimento do Brasil, já aconteciam festas
populares durante o solstício de verão (ápice
da estação), as quais marcavam o início da colheita. Dos dias 21 a 24,
diversos povos , como celtas, bascos, egípcios e sumérios, faziam rituais de
invocação da fertilidade para estimular o crescimento da vegetação, prover a
fartura nas colheitas e trazer chuvas. Nelas, ofereciam-se comidas, bebidas e
animais aos vários deuses em que o povo acreditava. As pessoas dançavam e
faziam fogueiras para espantar os maus espíritos. Por exemplo: as cerimônias
realizadas em Cumberland, na Escócia e na Irlanda, na véspera de São João,
consistiam em oferecer bolos ao sol, e algumas vezes em passar crianças pela
fumaça de fogueiras.
As
origens dessa comemoração também remontam à antiguidade, quando se prestava
culto à deusa Juno da mitologia romana. Os festejos em homenagem a essa deusa
eram denominados “junônias”. Daí temos uma das procedências do atual nome
“festas juninas”.
Tais
celebrações coincidiam com as festas em que a Igreja Católica comemorava a data
do nascimento de São João, um anunciado da vinda de Cristo. O catolicismo não
conseguiu impedir sua realização. Por isso, as comemorações não foram extintas
e, sim, adaptadas para o calendário cristão. Como o catolicismo ganhava cada
vez mais adeptos, nesses festejos acabou se homenageando também São João. É por
isso que no inicio as festas eram chamadas de Joaninas e os primeiros países a
comemorá-las foram França, Itália, Espanha e Portugal.
Os
jesuítas portugueses trouxeram os festejos joaninos para o Brasil. As festas de
Santo Antonio e de São Pedro só começaram a ser comemoradas mais tarde, mas
como também aconteciam em junho passaram a ser chamadas de festas juninas. O
curioso é que antes da chegada dos colonizadores, os índios realizavam festejos
relacionados à agricultura no mesmo período. Os rituais tinham canto, dança e
comida. Deve-se lembrar de que a religião dos índios era o animismo politeísta (adoravam vários elementos da natureza como
deuses).
As
primeiras referências às festas de São João no Brasil datam de 1603 e foram
registradas pelo frade Vicente do Salvador, que se referiu aos nativos que aqui
estavam da seguinte forma: “os índios acudiam a todos os festejos dos
portugueses com muita vontade, porque são muito amigos de novidade, como no dia
de São João Batista, por causa das fogueiras e capelas”.
SINCRETISMO RELIGIOSO
Religiões
de várias regiões do Brasil, principalmente na Bahia, aproveitam-se desse
período de festas juninas para manifestar sua fé junto com as comemorações
católica. O Candomblé, por exemplo, ao homenagear os orixás de sua linha,
mistura suas práticas com o ritual católico. Assim, durante o mês de junho, as
festas romanas ganham um cunho profano com muito samba de roda e barracas
padronizadas que servem bebidas e comidas variadas. Paralelamente as bandas de
axé music se espalham pelas ruas das cidades baianas durante os festejos
juninos.
Um
fator fundamental na formação do sincretismo é que, de acordo com as tradições
africanas, divindades conhecidas como orixás governavam determinadas partes do
mundo. No catolicismo popular, os santos também tinham esse poder. “Iansã
protege contra raios e relâmpagos e Santa Bárbara protege contra raios e
tempestades”. Como as duas trabalham com raios, houve o cruzamento. Cultuados
nas duas mais populares religiões afro-brasileiros – a umbanda e o candomblé –
cada orixá corresponde a um santo católico. Ocorrem variações regionais. Um
exemplo é Oxóssi, que é sincretizado na Bahia com São Jorge, mas no Rio de
Janeiro representa São Sebastião. Lá, devido ao candomblé, o Santo Antônio das
festas juninas é confundido com Ogun, santo guerreiro da cultura
afro-brasileira.
SUPERSTIÇÕES
1- A PUXADA DO MASTRO
Puxada
do mastro é a cerimônia de levantamento do mastro de São João, com banda e
foguetório. Além da bandeira de São João, o mastro pode ter as de Santo Antonio
e São Pedro, muitas vezes com frutas, fitas de papel e flores penduradas. O
ritual tem origem em cultos pagãos, comemorativos da fertilidade da terra, que
eram realizados no solstício de verão, na Europa.
Acredita-se
que se a bandeira vira para o lado da casa do anfitrião da festa no momento em
que é içada, isto é sinal de boa sorte. O contrario indica desgraça. E caso
aponte em direção a uma pessoa essa será abençoada.
2- AS FOGUEIRAS
Sobre
as fogueiras há duas explicações para o seu uso. Os pagãos acreditavam que elas
espantavam os maus espíritos. Já os católicos acreditavam que era sinal de bom
presságio. Conta uma lenda católica que Isabel prima de Maria, na noite do
nascimento de João Batista, ascendeu uma fogueira para avisar a novidade à
prima Maria, mãe de Jesus. Por isso a tradição é acendê-las na hora da Ave
Maria (às 18h).
Você
sabia ainda que cada uma das três festas exige um arranjo, diferente de
fogueira? Pois é, na de Santo Antonio, as lenhas são atreladas em formato
quadrangular; na de São Pedro, são em formato triangular e na de São João
possui formato arredondado semelhante à pirâmide.
3- OS FOGOS DE ARTIFÍCIO
Já
os fogos dizem alguns, eram utilizados na celebração para “despertar” São João
e chamá-lo para as comemorações de seu aniversário. Na verdade os cultos
pirolátricos são de origem portuguesa. Antigamente em Portugal, acreditava-se
que o estrondo de bombas e rojões tinha como finalidade espantar o diabo e seus
demônios na noite de São João.
4- OS BALÕES
A
saciedade “Amigos do Balão” nasceu em 1998 para defender a presença do ‘balão
junino’ nessas festividades. O padre jesuíta Bartolomeu de Gusmão e o inventor
Alberto Santos são figuras ilustres entre os brasileiros por soltarem balões
por ocasião das festas juninas de suas épocas, portanto podemos dizer que eles
foram os precursores dessa prática.
Hoje,
como sabemos, as autoridades seculares recomendam os devotos a abster-se de
soltar balões pelos incêndios que podem provocar ao caírem em urna floresta,
refinaria de petróleo, casas ou fábricas. Essa brincadeira virou crime em 1965,
segundo o artigo 26 do Código Florestal. Também está no artigo 28 da lei das
Contravenções penais, de 1941. O infrator pode ir para a cadeia. Não obstante,
essa prática vem resistindo às proibições das autoridades. Geralmente, os
balões trazem inscrições de louvores aos santos de devoção dos fiéis, como por
exemplo, “VIVA SÃO JOÃO!“, ou a outro santo qualquer comemorado nessas épocas.
Todos
os cultos das festas juninas estão relacionados com a sorte. Por isso os
devotos acreditam que ao soltar balão e ele subir sem nenhum problema, os
desejos serão atendidos, caso contrário (se o balão não alcançar as alturas) é
um sinal de azar.
A
tradição também diz que os balões levam os pedidos dos homens até São João. Mas
tudo isso não passa de crendices populares.
OS SANTOS
SANTO ANTÔNIO
Alguns
dizem que o nome verdadeiro desse santo não é Antônio, mas Fernando de Bulhões,
segundo estes, ele nasceu em Portugal em 15 de agosto de 1195 e faleceu em 13
de junho de 1231.
Outros
porém, afirmam que Fernando de Bulhões foi a cidade onde nasceu. Aos 24 anos,
já na Escola Monástica de Santa Cruz de Coimbra, foi ordenado sacerdote.
Dizem
que era famoso por conhecer a Bíblia de cor. Ao tomar conhecimento de que
quatro missionários foram mortos pelos serracenos, decidiu mudar-se para
Marrocos. Ao retomar para Portugal, a embarcação que o trazia desviou-se da
rota por causa de uma tempestade, e ele foi parar na Itália. Lá, foi nomeado
pregador da Ordem Geral.
Depois
de um encontro com os discípulos de Francisco de Assis, entrou para a ordem dos
franciscanos e foi rebatizado de Antônio. Viveu tratando dos enfermos e
ajudando a encontrar coisas perdidas. Dedicava-se ainda em arranjar maridos
para as moças solteiras. Sua devoção foi introduzida no Brasil pelos padres
franciscanos, que fizeram erigir em Olinda (PE) a primeira igreja dedicada a
ele. Faz parte da tradição que as moças casadouras recorram a Santo Antônio, na
véspera do dia 13 de junho, formulando promessas em troca do desejado
matrimônio. Esse fato acabou curiosamente transformando 12 de junho no “Dia dos
Namorados”.
A
fama de casamenteiro surgiu mesmo depois de sua morte, no século XIV. Diz a
lenda que uma moça pobre pediu ajuda a Santo Antonio e conseguiu o dote que
precisava para poder casar. A história se espalhou e hoje é o santo que homens
e mulheres recorrem quando o objetivo é encontrar sua metade.
No
dia 13, multidões se dirigirem às igrejas pelo pão de Santo Antônio. Dizem que
é bom carregar o santo na algibeira para receber proteção.
Uma
outra curiosidade é que a imagem deste santo sempre aparece com o menino Jesus
no colo. Você sabe por quê? Existem duas versões para isso: uma, diz que o
menino representa o quanto ele era adorado pelas crianças; a outra, que ele era
um pregador tão brilhante que dava vida aos ensinos da Bíblia. O menino seria a
personificação da palavra de Deus.
É
bastante comum entre as devotas de Santo Antônio colocá-lo de cabeça para baixo
no sereno amarrado em um esteio. Ou então jogá-lo no fundo do poço até que o
pedido seja satisfeito. Depois cantam:
“Meu
Santo Antônio querido, Meu santo de carne e osso, Se tu não me deres marido,
Não te tiro do poço”.
As
festas antoninas são urbanas, caseiras, domésticas, porque Santo Antônio é o
santo dos nichos e das barraquinhas.
Na
A Tribuna de 14 de junho de 1997, página A8, lemos: “O dia de Santo Antônio, o
santo casamenteiro, foi lembrado.., com diversas missas e a distribuição de 10
mil pãezinhos. Milhares de fiéis compareceram às igrejas para fazer pedidos,
agradecer as graças realizadas e levar os pães, que, segundo dizem os fiéis,
simbolizam a fé e garantem fartura à mesa”. Ainda para Santo Antônio, cantam
seus admiradores:
“São João a vinte e
quatro, São Pedro a vinte e nove, Santo Antônio a treze, Por ser o santo mais
nobre”.
SÃO JOÃO
A
Igreja Católica o consagrou santo. Segundo essa igreja, João Batista nasceu em
29 de agosto, em 31 A.D., na Palestina, e morreu degolado por Herodes Antipas,
a pedido de sua enteada Salomé (Mt
14.1-12). A Bíblia, em Lucas 1.5-25, relata que o nascimento de João
Batista foi um milagre, visto que seus pais, Zacarias e Isabel, na ocasião, já
eram bastante idosos para que pudessem conceber filhos.
Em
sua festa, São João é comemorado com fogos de artifício, tiros, balões
coloridos e banhos coletivos pela madrugada. Os devotos também usam bandeirolas
coloridas e dançam. Erguem uma grande fogueira e assam batata-doce, mandioca,
cebola-do-reino, milho verde, aipim etc. Entoam louvores e mais louvores ao
santo.
As
festas juninas são comemoradas de uma forma rural, sempre ao ar livre, em
pátios e/ou grandes terrenos previamente preparados para a ocasião.
João
Batista, biblicamente falando, foi o precursor de Jesus e veio para anunciar a
chegada do Messias. Sua mensagem era muito severa, conforme registrado em
Mateus 3.1-11. Quando chamaram sua atenção para o fato de que os discípulos de
Jesus estavam batizando mais do que ele, isso não lhe despertou sentimentos de
inveja (Jo 4.1), pelo contrário, João
Batista se alegrou com a notícia e declarou que não era digno de desatar a
correia das sandálias daquele que haveria de vir, referindo-se ao Salvador (Lc 3.16).
Se
em vida João Batista recusou qualquer tipo de homenagem ou adoração, será que
agora está aceitando essas festividades em seu nome, esse tipo de adoração à
sua pessoa? Certamente que não!
SÃO PEDRO
É
atribuída a São Pedro a fundação da Igreja Católica, que o considera o
“príncipe dos apóstolos” e o primeiro papa. Por esse motivo, os fiéis católicos
tributam a esse santo honrarias dignas de um deus. Para esses devotos, São
Pedro é o chaveiro do céu. E para que alguém possa entrar lá é necessário que
São Pedro abra as portas.
Uma
das crendices populares sobre São Pedro (e
olha que são muitas!) diz que quando chove e troveja é por que ele está
arrastando os móveis do céu. Pode!
Na
ocasião, ocorrem procissões marítimas em sua homenagem com grande queima de
fogos. Para os pescadores, o dia de São Pedro é sagrado. Tanto é que eles não
saem ao mar para pescaria. É ainda considerado o santo protetor das viúvas.
A
brincadeira de subir no pau-de-sebo (uma
árvore de origem chinesa) é a que mais se destaca nas festividades
comemorativas a São Pedro. O objetivo para quem participa é alcançar os
presentes colocados no topo.
Os
sentimentos do apóstolo Pedro, eram extremamente diferentes do que se apregoa
hoje, no dia 29. De acordo com sua forma de agir e pensar, conforme mencionado
na Bíblia, temos razões para crer que ele jamais aceitada os tributos que hoje
são dedicados à sua pessoa.
Quando
Pedro, sob a autoridade do nome de Jesus, curou o coxo que jazia à porta
Formosa do templo de Jerusalém e teve a atenção do povo voltada para ele como
se por sua virtude pessoal tivesse realizado o milagre não titubeou, mas
declarou com muita segurança sua dependência do Deus vivo e não quis receber
nenhuma homenagem (cf. Atos 3:12-16 ;
10:25,26).
quarta-feira, 22 de maio de 2013
TESOUREIRA DO MFC MACEIÓ PARTICIPA DE REUNIÃO DO CONSELHO FISCAL EM BELO HORIZONTE-MG
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| Suely - Vice-Presidente do Conselho Fiscal do MFC |
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A
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alagoana Suely Vieira de Andrade Damasceno,
tesoureira do Movimento Familiar Cristão de Maceió participa a partir de hoje
(22) da reunião do Conselho Fiscal Nacional do Movimento Familiar Cristão, em
Belo Horizonte – Minas Gerais. Suely é a representante do CONDIR NORDESTE no
Conselho Fiscal e exerce o cargo de vice-presidente no triênio 2010/2013.
O
Conselho se reúne até o próximo sábado (25) para verificar as contas do CONDIN
- CONSELHO DIRETOR NACIONAL, referente aos anos de 2011 e 2012. Estará a
disposição dos conselheiros toda documentação contábil que se encontra no
escritório ACR Contábil, empresa que presta assistência contábil ao MFC Brasil.
O
Conselho não tem poder punitivo. Sua função é opinar sobre os relatórios de
desempenho financeiro e contábil, balancetes e balanços anuais e sobre
operações patrimoniais realizadas, emitindo pareceres para os organismos
superiores do MFC. É também competência do Conselho Fiscal manifestar-se sobre
a aquisição, alienação e venda de bens patrimoniais.
O
Conselho Fiscal é constituído por representantes dos cinco CONDIR’s, cada
região representado por um conselheiro titular e um suplente.
terça-feira, 21 de maio de 2013
segunda-feira, 20 de maio de 2013
JÁ ESTÃO À VENDA OS CONVITES PARA O ARRAIÁ DO MFC MACEIÓ
J
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á
estão à venda os convites individuais para o ARRAIÁ DO MFC, tradicional Festa
Junina do Movimento Familiar Cristão de Maceió que acontecerá no sábado – 1º de
Junho, a partir das 20 horas, no COOPERCLUBE – Clube dos Funcionários da
Cooperativa dos Usineiros, na Rua Dr. Messias de Gusmão, nº 80, Pajuçara (vizinho ao Colégio Intensivo – por trás do
estádio do CRB).
No
ARRAIÁ DO MFC os participantes terão direito a muito forró-pé-de-serra,
barracas com bebidas, comidas típicas e parque infantil para as crianças. Na atração
musical a Banda de Xílilico do Forró.
Haverá
também a tradicional “Quadrilha Junina” em duas versões: a primeira com os
Jovens do MFC e a segunda com os adultos presentes na festa. O evento tem por
objetivo a confraternização junto aos mefecistas, seus familiares e amigos.
Os
convites individuais custam R$ 15,00 (quinze
reais) e podem ser adquiridos com coordenadores de Grupos de Base e membros
da Equipe Cidade de Maceió. Criança até 12 anos não paga.
Os
coordenadores de Grupos de Base que ainda não receberam os convites individuais
devem entrar em contato com Tião de
Suely através do telefone 9321-4471.
Esta
será a última Festa Junina da Equipe Cidade - Gestão 2010/2013 e uma
programação especial está sendo preparada com muito carinho para proporcionar a
família mefecista uma Festa Junina que vai deixar saudades.
NA MODERNIDADE AINDA SE REZA?
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| Dom Aloísio Roque Oppermann, scj |
"Apreciar a oração como uma respiração
da alma"
Dom Aloísio Roque Oppermann, scj
Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)
|
C
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onta-se
que Kant, o filósofo mais influente dos últimos 200 anos, reconhecia a
inteligência superior, presidindo a harmonia de todo o universo. Mas declarou
que, se fosse “apanhado” por alguém, dedicando-se à oração, sentir-se-ia
envergonhado. Eis aqui alguém que não descobriu o Deus pessoa, o amigo que pode
ser encontrado no mais profundo do nosso eu. Trata-se de um órfão, que se sente
apenas ligado à família humana, mas não sabe que o Criador o convidou a fazer
parte da família divina.
Isso
levou a humanidade a se pôr na resistência contra o diálogo com a divindade.
Uma pessoa emancipada é tentada a não rezar. “Um líder não se ajoelha”, dizem.
Imagina que tem nas mãos a solução dos problemas. Não precisa apelar a ninguém
para abrir caminhos. Mas o bom Pai não os abandona. “Cristo morreu também pelos
pecadores” (Rom 5,6).
É
mais do que certo que o ser humano não deve esperar as coisas caírem do céu,
como dádiva. Pura outorga. A orientação que recebeu é outra. “Mão trabalhadora
mandará; mão preguiçosa servirá” (Prov 12,24). É preciso acreditar em si e pôr
mãos à obra, com gosto e inteligência. Mas daí a abandonar a oração, como
desnecessária, vai uma distância absurda.
O
ser humano, dentro do universo visível, é o único que tem capacidade de entrar
em comunicação com o Ser Superior. Essa atitude benevolente com o “Pai Justo” é
capaz de encher a alma. Dá uma sensação de plenitude. Mas não tem vínculo
necessário com a consolação interior, ter o coração inebriado de alegria. As
pessoas que aprenderam a orar, não buscam doçuras. Mas são inclinadas a serem
pessoas que amam a justiça e a verdade, e não se subordinam a que outras
pessoas sejam injustiçadas.
Também
o verdadeiro orante tem fortaleza de ânimo, sabe onde quer chegar, e não se
deixa abalar por entraves e maquinações. E finalmente – é sempre a mestra Santa
Teresa que o ensina - quem descobriu o valor da oração torna-se uma pessoa
humilde, abandona qualquer arrogância, e sabe avaliar os pontos de vista dos
mais humildes.
Nós
todos devemos chegar ao ponto de apreciar a oração como uma respiração da alma.
“Mestre, ensina-nos a orar” (Lc 11,1).
domingo, 19 de maio de 2013
LITURGIA DA SOLENIDADE DE PENTECOSTES - 19/05/2013
SOLENIDADE DE PENTECOSTES
Continuar no mundo de hoje a missão de Jesus!
PRIMEIRA LEITURA (At 2,1-11)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:
1Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar.
2De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam.
3Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.
4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava.
5Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo.
6Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua.
7Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? 8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? 9Nós, que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus em nossa própria língua!”
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!
RESPONSÓRIO (Sl 103)
— Enviai o vosso Espírito, Senhor,/ e da terra toda a face renovai!
— Bendize, ó minha alma, ao Senhor!/ Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!/ Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras!/ Encheu-se a terra com as vossas criaturas!
— Se tirais o seu respiro, elas perecem/ e voltam para o pó de onde vieram./ Enviais o vosso espírito e renascem/ e da terra toda a face renovais.
— Que a glória do Senhor perdure sempre,/ e alegre-se o Senhor em suas obras!/ Hoje seja-lhe agradável o meu canto,/ pois o Senhor é a minha grande alegria!
SEGUNDA LEITURA (1Cor 12,3b-7.12-13)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:
Irmãos: 3bNinguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo.
4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito.
5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor.
6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos.
7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum.
12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo.
13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!
EVANGELHO (Jo 20,19-23)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo João.
— Glória a vós, Senhor!
19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”.
20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.
21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.
22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!
REFLEXÃO
“Vinda do Espírito Santo”
Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.
PLENITUDE DOS MISTÉRIOS PASCAIS
O Espírito Santo, mandado por Jesus, desce sobre os apóstolos com uma grande teofania (manifestação de Deus) como no Monte Sinai (Ex 19,11). Lá era o nascimento do povo da Aliança; agora é o nascimento do povo da Nova Aliança. As chamas de fogo sobre os apóstolos simbolizam o Espírito Santo. Sua vinda é a plenitude da revelação de Deus Trindade e de Sua ação em nós. Atribuímos as ações às três Pessoas da Trindade, mas sempre na Unidade. Naquele dia iniciou-se o Tempo do Espírito. Ele é a presença e a total habitação divina na humanidade assumida pelo Verbo de Deus. Com Sua Vinda, Deus é definitivamente Emmanuel, Deus conosco. Onde está o Espírito, a Humanidade divinizada é capaz de transmitir o mesmo Espírito e de divinizar os homens redimidos (1Cor 15,49). O Espírito transforma a Humanidade ressuscitada e glorificada de Jesus, em fonte única do próprio Espírito como proclama o texto de Atos (Atos 2,32-33); É um renascer em Deus (S. Irineu), dar a vida a todos os povos e de fazê-los participar da Nova Aliança. Torna-nos capazes de receber Deus assim como a farinha que só se torna massa, se receber a água; faz de nós Corpo de Cristo. Precisamos deste orvalho para produzir frutos. O Senhor confiou ao Espírito Santo o cuidado de sua criatura, daquele homem que caíra nas mãos dos ladrões e a quem, cheio de compaixão enfaixou as feridas. Mesmo não tendo sido ainda revelado no Antigo Testamento, os patriarcas e profetas receberam o Espírito de Deus para suas missões. O Espírito está continuamente recriando, regenerando, ressuscitando. Assim acontece com os apóstolos. Eles levam o Espírito Santo aos homens com a missão de efundir o fruto da cruz, reunir a família de Deus como morada trinitária, unir os homens frágeis e pecadores ao Resuscitado. Faz do povo, Igreja. No dia da Ressurreição Jesus dá o Espírito Santo para a reconciliação que é missão de unir todos. Ele acompanha os apóstolos em suas missões. O Espírito vem para todos os povos.
RENOVAI AS MARAVILHAS
Deus, ao dar o Espírito Santo aos apóstolos, usou o fogo como símbolo. O Espírito não tem uma imagem. Por que o fogo? Ele é irresistível e fascinante; Indomável e incontrolável. Toca, sem ser tocado; Doma e não é domável. Purifica e não contamina. Comunica-se a todos e a cada um; Doa-se, mas não diminui; Aquece não se resfria. Rezamos para que se renovem as maravilhas do início da pregação do Evangelho (oração). Por isso rezamos no salmo: “Enviai o vosso Espírito, Senhor, e renovai a face da terra!” A renovação vai nos levar a compreender melhor o mistério do sacrifício eucarístico e nos manifestar toda sua verdade (Oferendas). Sua missão é realizar a união da Igreja.
DONS DO ESPÍRITO
Pelo Sacramento da Crisma recebemos o Espírito Santo como Dom. Depois da imposição das mãos e da oração, o bispo reza: “Recebe o Espírito Santo como Dom de Deus”. Essa foi a promessa de Jesus. Por isso rezamos: “Cresçam em nós os dons do Espírito e o alimento espiritual que recebemos aumente em nós a eterna redenção” (Pós-comunhão). O Espírito é fonte de todos os dons. Sua ação em nós nos faz reconhecer Jesus como o Senhor. A partir deste dom a cada um, nos é dada a abundância os dons para o bem comum. Por em ação o dom é dar espaço para que o Espírito dinamize em nós sempre maiores dons para a edificação do Corpo de Cristo. Pelo Espírito, façamos frutificar os dons que nos foram confiados e os restituamos multiplicados ao Senhor.
ORAÇÃO
Ó Deus, que pelo mistério da festa de hoje santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho. Amém!
Editado por Jorge – MFC ALAGOAS
sábado, 18 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
CORREIO MFC BRASIL Nº 323
A PAZ E UNIDADE DAS RELIGIÕES
Marcelo Barros - Monge beneditino e
escritor
| Marcelo Barros |
"O mundo não terá paz
enquanto as religiões não dialogarem e isso não ocorrerá se as Igrejas cristãs
não se unirem”. Essa afirmação do teólogo suíço Hans Kung deve ser lembrada por
ocasião da Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos que ocorre cada ano e
dessa vez será celebrada nessa semana de 12 a 19 de maio.
O
|
costume de consagrar uma semana anual para
orar e trabalhar pela unidade das Igrejas já dura de cem anos. Entretanto é
difícil avaliar o resultado dessa prática ecumênica. Como a unidade é dom de
Deus e cremos que a oração é sempre de alguma forma escutada, orar juntos é
sempre bom e fecundo. O risco é que algumas Igrejas nomeiem uma comissão
ecumênica, encarreguem seus membros de participarem das relações ecumênicas em
nome da Igreja e depois disso se desinteressem pelo assunto. Nesse caso, as
reuniões, fóruns e orações em comum envolveriam sempre os mesmos e poucos
personagens. Estes, ao cumprirem as atividades ecumênicas acabam legitimando
suas Igrejas a não mudar nada. As comunidades concretas e paróquias continuam
como sempre foram. Ignoram e até desprezam as outras Igrejas e religiões.
Para
evitar esse risco, em 1968, a coordenação da CNBB (Conferência Nacional dos
Bispos católicos do Brasil) publicou um documento preparatório ao diretório
ecumênico. Ali os bispos ensinavam que a pastoral ecumênica e a abertura para
outras Igrejas só acontecem se se basearem em uma "ecumenicidade” de toda
a pastoral e atividades eclesiais. Ou a Igreja inteira se compromete nesse
caminho ou a pastoral ecumênica terá sempre poucos resultados positivos.
Nesse
ano de 2013, o tema proposto para a semana da unidade é a palavra bíblica do
profeta Miquéias: "O que Deus exige de nós?”. O próprio texto responde:
"Deus pede que pratiquemos a justiça e a bondade e vivamos com
simplicidade” (Mq 6, 6- 8).
Infelizmente,
no mundo atual, um dos fenômenos religiosos que mais crescem é o
fundamentalismo dogmático e moral. Em nome de Deus, essa corrente religiosa
prega a intolerância e a discriminação de grupos e pessoas. Hoje, no Brasil,
cada vez mais aumenta o número de deputados e políticos ligados a esses grupos
impropriamente chamados de "evangélicos”. Dominam a Comissão de Direitos
Humanos da Câmara dos Deputados e impõem a toda a sociedade seus preconceitos
moralistas, afirmados em nome da Bíblia e de um Deus bem diferente do Pai de
amor maternal, revelado por Jesus e acreditado por muitas tradições
espirituais.
Nas
Igrejas mais antigas, (como a Católica, Anglicana e Luterana), essa semana de
orações pela unidade dos cristãos prepara a festa de Pentecostes que encerra o
tempo pascal e celebra que o Espírito de Deus é dado a todo o universo, aceita
todas as culturas e se manifesta em todo gesto e ato de amor. É esse espírito
de abertura universal pela unidade que os fóruns de diálogo inter-religioso praticam.
Essas atividades de diálogo entre Igrejas e religiões podem sim ajudar a nossa
sociedade a não afundar em projetos autoritários e fanáticos que oprimem e
discriminam grupos e pessoas, em nome da fé. Paulo escreveu: "Foi para que
sejamos livres que Cristo nos libertou. Permaneçam na liberdade” (Gl 5, 1).
"Onde houver liberdade, aí está o Espírito de Deus” (2 Cor 3, 17).
A PESTE DO SÉCULO XXI (II)
Vinícius Bocato
(Continuação
do número anterior)
DA DROGA PARA A
”ESCADA DO CRIME”
O PERFIL DO INFRATOR
E
|
m
linhas gerais, o adolescente infrator é de baixa renda, tem muitos irmãos e os
pais dificilmente conseguem sustentar e dar a educação ideal a todos (longe
disso). Isso sem contar quando o jovem é abandonado pelos pais, quando um deles
ou ambos faleceram, quando a criança nem chega a conhecer o pai, entre outras
complicações.
Claro
que é bom evitar uma posição determinista, a pobreza e a carência afetiva por
si só não produzem criminosos. Mas a falta de estrutura familiar, de educação,
a exposição maior à violência nas periferias e a falta de políticas públicas
para esses jovens os tornam muito mais suscetíveis a cometer pequenos crimes.
Especialistas
afirmam que os adolescentes começam com delitos leves, como furtos, e depois
vão subindo “degraus” na escada do crime. De acordo com Ariel de Castro Alves,
ex-secretário-geral do Conselho Estadual da Defesa dos Direitos da Pessoa
Humana (Condepe), muitos dos adolescentes que chegam ao latrocínio têm dívidas
com traficantes e estão ameaçados de morte, e isso os estimula a roubar.
Vale
aqui lembrar a falência da Fundação Casa, que em vez de recuperar os jovens,
acaba incentivando os internos a subir esses degraus do crime. Para entender
melhor sua realidade, recomendo a leitura da matéria “De Febem a Fundação Casa”
da Revista Fórum. Nela temos o relato do pedagogo Carlos (nome fictício), que
sofreu ameaças frequentes por contestar os atos abusivos da direção: “A
Fundação Casa nasceu para dar errado. Eles saem de lá com mais ódio, achando
que as pessoas são todas ruins e que não há como mudar isso. São desrespeitados
como seres humanos, são tratados como lixo. E isso faz com que eles pensem que
não podem mudar”.
PRISÃO SUPERLOTADA EM
SÃO PAULO
A redução da maioridade penal tornaria mais caótico o já
falido
sistema carcerário brasileiro e aumentaria o número de reincidentes.
|
Atuante
na Fundação há onze anos, Carlos conta que os atos de violência contra os
adolescentes são cotidianos e descarados, apoiados inclusive pelo diretor, que
também “bate na cara dos meninos”. Essa bola de neve de violência só poderia
resultar em crimes cada vez mais graves cometidos pelos garotos.
Dados
objetivos: temos no Brasil mais de 527 mil presos e um déficit de pelo menos
181 mil vagas. Não precisamos nos aprofundar sobre a superlotação e as
condições desumanas das cadeias brasileiras. É óbvio que um sistema desses é
incapaz de recuperar alguém.
A
inclusão de adolescentes infratores nesse sistema não só tornaria mais caótico
o sistema carcerário como tende a aumentar o número de reincidentes. Para o
advogado Walter Ceneviva, colunista da Folha, a medida pode tornar os jovens
criminosos ainda mais perigosos: “Colocar menores inflacionais na prisão será
uma forma de aumentar o número de criminosos reincidentes, com prejuízo para a
sociedade. A redução da maioridade penal é um erro”.
A
UNICEF também destaca os problemas que os EUA enfrentam por colocar
adolescentes e adultos nos mesmos presídios. “Conforme publicado este ano
[2007] no jornal The New York Times*, a experiência de aplicação das penas
previstas para adultos para adolescentes nos Estados Unidos foi mal sucedida
resultando em agravamento da violência. Foi demonstrado que os adolescentes que
cumpriram penas em penitenciárias, voltaram a delinquir e de forma ainda mais
violenta, inclusive se comparados com aqueles que foram submetidos à Justiça
Especial da Infância e Juventude.”
*O texto em questão foi publicado
no New York Times
em 11 de maio de 2007 e está
disponível na íntegra na página da UNICEF.
(Continua no próximo número)
PARA REFLETIR
![]() |
Imagem: Selma Amorim.
Composição - ágatas, pedras semipreciosas,
cristais, vegetal sobre acrílico
|
UTOPIA
“Dou um passo a
frente e a utopia se afasta dez passos. Dou dez passos adiante e a utopia se
afasta cem passos. Se não posso alcançá-la, para que serve a utopia? – sim,
para me fazer caminhar.” (Adaptado de Eduardo Galeano, escritor uruguaio).
META IMPOSSÍVEL
“Um bando de sapos
está em torno de uma árvore. Alguns deles tentam subir no tronco da árvore. “É
impossível sapo subir em árvore” – coaxavam todos os que não tentavam a proeza.
Tanto insistiam nessa certeza que os sapos desanimavam e desistiam. Só um
continuou tentando e conseguiu subir. Era surdo”.
(Autor desconhecido).
DESCONCERTANTE
No momento da
comunhão, o celebrante se dirige aos fiéis e pede: “Os que se sentem dignos de
receber o corpo e sangue de Cristo aproximem-se desta mesa da partilha”. Metade
dos fiéis se aproximam do altar. O padre passa por estes e distribui a comunhão
aos que permaneceram sentados. (Correio)
PARTILHA
“Na missa, Cristo não
está no pão, mas na partilha do pão, no ato de partir e repartir o pão, que
simboliza a partilha igualitária dos bens da natureza e os frutos do trabalho
humano a serem partilhados entre todos, o que não está acontecendo”.
(Adaptado de texto de Roger Garaudy, escritor francês)
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