domingo, 6 de fevereiro de 2011

LITÚRGIA DO 5º DOMINGO DO TEMPO COMUM

No Domingo anterior, Jesus nos conferiu, através de um convite-proposta, seis regras básicas para sermos felizes e nos tornarmos instrumentos de felicidade. Hoje ele nos conclama, como testemunhas, a sermos Sal e Luz na realidade do mundo em que vivemos. Sal e Luz são elementos vitais que conferem sentido e sabor a nossa vida comunitária e, ainda, são símbolos de nosso compromisso como cristãos. Por isso, na liturgia deste 5º Domingo, nos tornamos mais conscientes de que, o que agrada a Deus é a prática do amor fraterno; que o Cristo crucificado é o centro da pregação da Igreja e a força que vem dos fracos; e, que a comunidade cristã, por suas obras de solidariedade, torna-se o sal e a luz que dão sentido e brilho à sociedade na qual vivemos.

5º Domingo do Tempo Comum
1ª LEITURA: Livro do Profeta Isaias 58, 7-10
SALMO: 111
2ª LEITURA: Leitura do Livro da Primeira Carta de São Paulo                  aos Coríntios 2, 1-5
EVANGELHO: Mateus 5,13-16
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EVANGELHO - Mateus 5,1-12
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Vocês são o sal para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam.

- Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.

Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.

Palavra da Salvação – Glória a vós, Senhor.

HOMILIA PROF. DIÁCONO MIGUEL A. TEODORO
Após a narrativa do anúncio das bem-aventuranças por Jesus, Mateus reúne uma grande coleção de sentenças de estilo sapiencial, associadas a Jesus. Ele reuniu, de modo didático, para doutrinação, ditos e sentenças esparsas, originários de palavras de Jesus, que circulavam livremente como tradição entre os cristãos. Vários destes ditos e sentenças aparecem dispersos ao longo dos outros evangelhos sinóticos, Marcos e Lucas. O conjunto forma o que se costuma denominar "o Sermão da Montanha".

Nesse sentido, Mateus redige sua obra em um momento em que o judaísmo, após a destruição do Templo de Jerusalém no ano 70, busca sua identidade na estrita e rigorosa observância da Lei. Sob esta decisão de estrita observância, os fariseus expulsaram das sinagogas os judeus convertidos ao cristianismo que, embora ameaçados, perseveraram em sua fé cristã.

Deste modo, pode-se afirmar que, com a coletânea de sentenças do Sermão da Montanha, Mateus procura identificar, para suas comunidades oriundas do judaísmo, as características do Reino dos Céus, diferenciando-as dos estreitos critérios de identidade exigidos pelos fariseus. Daí vem a freqüente repetição da expressão: "...foi dito aos antigos... Eu porém vos digo...", ao longo do Sermão.

O texto de Mateus adquire o caráter de um discurso programático interpretando o projeto de Jesus, apresentando-o como aquele que responde às autênticas esperanças suscitadas pela fé fundada no Primeiro Testamento.

Assim, no texto de hoje, de início, temos as duas sentenças proclamatórias que identificam o compromisso dos discípulos: "Vós sois o sal da terra... vós sois a luz do mundo...". Sal e luz, duas realidades perenes do dia a dia, adotadas por metáfora, também pelos profetas. Porém, na Bíblia, esta é a única passagem em que o sal é usado em uma metáfora aplicada a pessoas.

De um lado, associa-se ao sal a propriedade de preservação da corrupção que proporciona a durabilidade. É antiga a prática de salgar alimentos para garantir sua durabilidade. Assim o faziam, certamente, os pescadores da Galiléia. Além do mais, é o sal que dá o sabor aos alimentos, proporcionando mais prazer no seu consumo.

A "aliança no sal" é também uma expressão que indica a fidelidade a um compromisso. É partilhar com outrem, pouco a pouco, o sal do alimento de cada dia, ao longo de longos dias. Os discípulos são chamados ao compromisso da fidelidade ao projeto de Deus, pelo que a alegria brota nos corações.

De outro lado, a luz é o admirável fenômeno físico que nos revela a natureza das coisas materiais. No âmbito das realidades espirituais a luz identifica-se com a verdade. É pela verdade que alcançamos a realidade dos fatos e da vida, os quais são ocultados pela falsidade e pela mentira.

Estejamos atentos, pois, se a palavra do discípulo deve ser agradável ela também não deixará de ser uma luz que revela a vontade de Deus denunciando a falácia dos valores e das ofertas de um mercado globalizado a serviço do dinheiro e do lucro. A alegria e a verdade são manifestações do amor que une os discípulos em comunidades e que irradiam transformando o mundo.

Devemos nos tornar humildes e confiantes em Deus, conforme nos exorta a primeira leitura. Por quê? Porque, como discípulos somos chamados a sermos a luz que ilumina os caminhos e sermos reveladores da verdade de Jesus.

Ser o sal da terra e a luz do mundo é comprometer-se com o Reino dos Céus encarnado na história, no dia a dia. É partilhar com quem tem fome, acolher os pobres, vestir os nus. É praticar a justiça e a paz que demovem os poderosos injustos e violentos. "Assim, qual novo amanhecer,... tua luz brilhará nas trevas".

ORAÇÃO
Pai, tenho diante de mim o mundo todo a ser evangelizado. Transforma cada circunstância e cada momento da minha vida em chance para dar testemunho do teu Reino.

HOJE, 73ª MISSA DO MFC NO ALDEBARAN