quinta-feira, 12 de setembro de 2013

UM DEUS QUE FALA

"A Palavra de Deus é concreta"

Pe. Raniero Cantalamessa
Franciscano Capuchinho e
Pregador da Casa Pontifícia

O
 Deus bíblico é um Deus que fala. "Fala o Senhor, o Deus dos deuses [...] e não se calará" (Sl 50,1-3). O Senhor mesmo repete infinitas vezes na Bíblia: "Ouve, meu povo, deixa-me falar" (Sl 50,7). Nisso a Bíblia vê a mais clara diferença dos ídolos, que "têm boca e não falam" (Sl 115,5). Deus serviu-se da Palavra para comunicar-se com as criaturas humanas.

Contudo, que significado devemos atribuir a expressões tão antropomórficas como "Deus disse a Adão", "assim fala o Senhor", "diz o Senhor", "oráculo do Senhor" e outras semelhantes? Trata-se evidentemente de um falar diferente do humano, um falar aos ouvidos do coração. Deus fala como escreve! "Colocarei a minha lei no seu coração, vou gravá-la em seu coração", diz o profeta Jeremias (Jr 31,33). Ele escreve no coração e também suas palavras, Ele as faz ressoarem em você. Ele próprio o afirma expressamente por meio do profeta Oseias, falando de Israel como de uma esposa infiel: "Pois, agora, eu é que vou seduzi-la, levando-a para o deserto e falando-lhe ao coração" (Os 2,16).

Insiste-se, por vezes, em um falar quase material e externo de Deus: "Então, o Senhor vos falou do meio do fogo. Ouvíeis o som das palavras, mas não enxergáveis figura alguma, só havia uma voz!" (Dt 4,12; cf. At 9,7). Entretanto, também nestes casos trata-se da dramatização de um evento interior e espiritual, em todo caso, de um falar diferente do humano.

Deus não tem boca nem fôlego humanos: Sua boca é o profeta e Seu sopro o Espírito Santo. "Tu serás a minha boca", diz Ele próprio a Seus profetas, ou ainda, "porei minha palavra sobre teus lábios". É o sentido da célebre frase: "Foi sob o impulso do Espírito Santo que pessoas humanas falaram da parte de Deus" (2Pd 1,21). A tradição espiritual da Igreja cunhou para este modo de falar diretamente à mente e ao coração a expressão "locuções interiores".

Todavia, trata-se de um falar em sentido verdadeiro; a criatura recebe uma mensagem que pode traduzir em palavras humanas. É de tal modo vívido e real o falar de Deus que o profeta recorda com precisão o lugar e o tempo em que certa palavra "veio" sobre ele: "No ano em que morreu o rei Ozias" (Is 6,1), "No trigésimo ano, no dia cinco do quarto mês, encontrava-me eu entre os exilados, junto ao rio Cobar" (Ez 1,1), "No dia primeiro do sexto mês do segundo ano do rei Dario" (Ag 1,1).

A Palavra de Deus é tão concreta que a respeito dela é possível dizer que "cai" sobre Israel, como se fosse uma pedra: "O Senhor lançou uma ameaça a Jacó, ela caiu sobre Israel" (Is 9,7). Em outras vezes, a mesma concretude e materialidade é expressa não com o símbolo da pedra que fere, mas do pão que se come com gosto: "Bastava descobrir tuas palavras e eu já as devorava, tuas palavras para mim são prazer e alegria do coração" (Jr 15,16; cf. também Ez 3,1-3).

Nenhuma voz humana atinge profundamente o homem como a Palavra de Deus. "[A Palavra de Deus] penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Julga os pensamentos e as intenções do coração" (Hb 4,12). Por vezes, o falar de Deus "se faz ouvir com força... corta os cedros do Líbano" (Sl 29,4-5), ao passo que em outras vezes assemelha-se ao "murmúrio de uma leve brisa" (1Rs 19,12). Conhece todas as tonalidades do falar humano. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

EQUIPE CIDADE DO MFC MACEIÓ SE REÚNE HOJE

A
 Equipe de Coordenação de Cidade do Movimento Familiar Cristão de Maceió estará reunida nesta quarta-feira, dia 11 de setembro, às 19h30min, na Sede do MFC (Rua Araújo Bivar, 580, Pajuçara – Rua do Estádio do CRB), para avaliar o desempenho da ECCi e Assessorias, além dos ajustes do Plano de Ação do MFC MACEIÓ, recentemente aprovado pelo Conselho formado pela Coordenação de Cidade e Coordenadores de Grupos de Base.

A ECCi fará nesta reunião uma análise detalhada do momento atual do MFC a nível de Maceió e organizará as propostas necessárias para apresentar aos coordenadores de Grupos de Base na reunião da próxima quarta-feira - 18 de setembro.

Participam desta reunião os coordenadores e vice da Equipe Cidade, tesouraria, secretaria e todas as assessorias.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

COORDENAÇÃO E EQUIPES DE SERVIÇOS DA 30ª NUCLEAÇÃO DO MFC MACEIÓ SE REÚNEM HOJE


N
 esta terça-feira – 10 de setembro, a Equipe de Expansão do MFC MACEIÓ, responsável pela organização e realização da 30ª NUCLEAÇÃO que acontecerá de 27 a 29 de setembro de 2013, na Sede dos Cursilhos, se reúne com todas as Equipes de Serviços que trabalharão durante o evento.

Na abertura da reunião, atendendo um convite da Equipe de Vigília, no momento de espiritualidade, o missionário Evelton fará uma explanação sobre o tema “ESPIRITUALIDADE DO CASAL CRISTÃO”.

A reunião terá inicio às 19 horas e acontecerá na Sede do MFC (Rua Araújo Bivar, 580, Pajuçara – Rua do Estádio do CRB).

A coordenação da 30ª NUCLEAÇÃO DO MFC MACEIÓ lembra a todos os mefecistas que trabalharão na 30ª NUCLEAÇÃO que nesta reunião devem efetuar o pagamento da taxa de participação. Aqueles que tiverem fichas de inscrição de nucleando também devem entregar na reunião.


Nesta reunião é importante a participação de todos que trabalharão na 30ª NUCLEAÇÃO. Não faltem!

CORREIO MFC BRASIL Nº 335

   
   
Os brasileiros certamente ainda têm na memória os anos de grande efervescência e de grande participação dos movimentos populares que foram os anos em que se elaborou uma nova Constituição depois da longa ditadura militar.
   
O ABISMO ENTRE O LEGAL E O REAL
Manfredo Araújo de Oliveira - ADITAL

Manfredo Araújo de Oliveira
Certamente, a Constituição foi o ponto de chegada de intensas lutas sociais contra regimes totalitários e o grande feito foi a sociedade conseguir dar a si mesma um Estado Social esboçado na Constituição.

I
sto fica claro a partir do estabelecimento dos objetivos fundamentais do Estado: a construção de uma sociedade justa, livre e solidária, a redução das desigualdades sociais e regionais, a erradicação da pobreza e da marginalização, a garantia do desenvolvimento nacional e a promoção do bem de todos superando os preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e qualquer outro tipo de discriminação.

Certamente, uma das razões, pelo menos vivenciada se não explicitada, que levou tantos às ruas é o enorme abismo entre o Estado legal e Estado real. Este último continua sendo excludente, elitista, patrimonialista, permanece sendo o garante dos privilégios dos que têm o poder nos diferentes níveis da vida social.

O Estado nacional continua apropriado por uma elite que não está disposta a abrir mão de seus privilégios. Um sinal muito claro disto é a distribuição dos gastos públicos: no Orçamento Geral da União de 2011 45% dos recursos foram destinados ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública federal enquanto 3% foram destinados à educação, 4% à saúde, 0,12% à reforma agrária.

O povo sente em sua vida as consequências: muitas famílias não têm terra para trabalhar, não têm moradia, lazer, cultura, um emprego ou uma fonte de renda, o abastecimento de água e o esgoto sanitário ainda são insuficientes, o sistema de saúde e de educação não atende as necessidades, sobretudo, dos pobres.

Grande parte da população fica somente com as políticas compensatórias, como o ‘Bolsa Família’, que, certamente, ajuda muito: fala-se que vinte e oito milhões de pessoas saíram da situação de extrema pobreza e trinta e seis alcançaram um nível de consumo próximo ao das classes médias, mas estas políticas não enfrentam o problema estrutural de uma sociedade organizada em função da lógica da acumulação o que faz com que uma minoria controle a maior parte das riquezas sociais.

Nosso sistema tributário revela esta lógica dominante: a maior parte dos impostos incide sobre o consumo, prejudicando os que ganham menos que utilizam toda sua renda em consumo. A tributação direta, aquela que incide sobre a riqueza e o patrimônio, representa uma parte bem menor do volume total dos recursos arrecadados.

Daí uma contradição fundamental que marca nossa realidade nacional: O Brasil é ao mesmo tempo a sexta maior economia e uma das cinco nações mais desiguais do mundo. Isto significa dizer que a riqueza produzida pelo esforço de toda a sociedade, muitas vezes à custa de superexploração do trabalho e destruição da natureza está nas mãos de um pequeno grupo.

A “IGREJA POBRE PARA OS POBRES” E A NÃO ORDENAÇÃO DAS MULHERES
Jung Mo Sung
Autor, com Hugo Assmann, de "Deus em nós: o reinado que acontece no amor solidário aos pobres”, Ed. Paulus

Após o impacto e a euforia da visita do papa Francisco ao Brasil, é tempo para reflexões. Se há alguma novidade na metodologia da Teologia da Libertação foi a pretensão (nem sempre realizada) de ser uma reflexão crítica sobre a experiência da fé no seguimento de Jesus e, portanto, das lutas pelas emancipações e libertações humanas. Após um "banho de emoções” desta visita, algumas reflexões críticas.
  

U
ma das grandes diferenças entre a visita do papa Francisco em relação às visitas dos papas João Paulo II e Bento XVI foi o tamanho dos discursos e sermões entre eles. Papa Francisco parece acreditar mais em gestos simbólicos (não artificiais ou rituais, mas espontâneos e que comunicam por si) combinados com discursos mais breves que explicitam posições que nem sempre são claras nos gestos. Um exemplo marcante disso foi o seu discurso no Teatro Municipal do Rio de Janeiro quando defendeu o valor do Estado Laico e as contribuições das diversas tradições religiosas para a sociedade, em uma cerimônia que contou com líderes das mais diversas tradições religiosas e setores da sociedade.

Parece que ele crê que a melhor forma de a Igreja Católica se comunicar com a sociedade hoje é a linguagem mais simbólica que expresse os valores do evangelho. Assim, a sua presença no Brasil pode ser vista realmente como uma expressão pública do seu desejo de uma "Igreja pobre e simples voltada para pobres e pessoas de boa vontade”.
Dessa forma, a Igreja seria uma testemunha com mais credibilidade do seguimento de Jesus, aquele que nem tinha onde reclinar sua cabeça (cf. Lc 9,58). Realmente, longos discursos dogmáticos podem convencer pessoas da validade de uma doutrina, mas não convertem pessoas, nem as motivam a entrar na caminhada e luta.

Se os gestos e posições simbólicos são tão fundamentais na transmissão de mensagens que vão além da descrição do que existe que levam as pessoas a perceber a vontade de Deus e a lutar pela realização dessa vontade na Terra, eu me pergunto qual será a mensagem que a Igreja transmite ao mundo quando trata a não ordenação presbiteral das mulheres como algo definitivo.

Quando se discute o fim do celibato obrigatório e a ordenação dos homens casados, o que estão no centro do debate é se a vocação e a ordenação presbiteral estão subordinados ao celibato. Isto é, a opção de aceitar o celibato, uma decisão pessoal, é ou não condição necessária para a ordenação.

Mas, quando se discute a ordenação ou não das mulheres, não está em discussão se há alguma exigência de ordem de decisão pessoal (aceitar ou não o celibato ou qualquer outra exigência), mas se as mulheres como tais são aptas ou não receber a ordenação. O que implica também se as mulheres são passíveis ou não de serem chamadas, vocacionadas, por Deus para o serviço de presbíteras na comunidade.

Ao tratar a não ordenação das mulheres como algo definitivo e não histórico ou cultural, a Igreja está dizendo ao mundo – através desse "gesto simbólico”– que há um problema "ontológico” com as mulheres que não lhes permitem ser cogitadas por Deus para serem vocacionadas à ordenação. Pareceria que Deus tem algum problema ou restrição em relação ao "ser” das mulheres; parece que Deus não quer ou não pode chamar mulheres para a ordenação.

Não trato aqui do debate doutrinário sobre a ordenação de homens e/ou mulheres; nem o papel do presbítero/clero na comunidade cristã, mas a mensagem que a sociedade percebe no "gesto simbólico” de dar como definitiva a não ordenação das mulheres. Muito menos quero discutir aqui as razões teológicas ou de política eclesiástica que levaram papa Francisco a dizer rapidamente que essa questão está resolvida. O que quero apontar é que, com essa posição, a Igreja Católica confunde a sociedade.

Pois, se a "Igreja pobre para os pobres” testemunha a vida simples e pobre de Jesus na sua pregação do Reino de Deus, a Igreja que não pode ordenar mulheres não testemunha o ensinamento neotestamentário de que entre os batizados em Cristo "não há mais judeus ou gregos, nem servos ou livres, nem homens e mulheres; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gal 3,27-28).

“É PAPEL DA IGREJA DISCUTIR O ESTADO”, diz dom Guilherme na abertura da Semana Social Brasileira

Unidos em um momento de canto e partilha, representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pastorais e movimentos sociais de todo o Brasil deram início à 5ª Semana Social Brasileira (SSB Setembro 2013), no Centro Cultural de Brasília, Distrito Federal, sob o tema "Estado para quê e para quem”.
 
Dom Guilherme Werlang
É
 papel da Igreja discutir o Estado?, questionou dom Guilherme Werlang, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB. "É missão, sim, da Igreja abraçar essa discussão, pois envolve o homem e a mulher e tudo o que diz respeito ao ser humano e à vida, diz respeito à Igreja. O Estado, na sua essência, diz respeito à Igreja. As Igrejas não existem para si mesmas, a Igreja existe para servir ao povo, ao mundo”, ressaltou, comentando que é obrigação de todo cristão/ã se envolver nessas discussões e que é preciso coragem para isso, já que o diálogo "com o Estado que temos” não tem sido fácil.

"Somos enviados para ser boa notícia e denunciar o que não está bom, por isso a necessidade de discutir o Estado com a sociedade civil e movimentos sociais. É missão da CNBB discutir com a sociedade e propor caminhos que gerem a vida. Nem sempre esse diálogo tem sido fácil, porque o diálogo não vai com verdades fechadas, é preciso ouvir e ser ouvido”, enfatizou.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

CONSELHO DE CIDADE E EQUIPES DA 30ª NUCLEAÇÃO SE REÚNEM NA SEDE DO MFC

O
 Conselho de Cidade do Movimento Familiar Cristão de Maceió estará reunido na próxima quarta-feira, dia 11 de setembro, às 19h30min, na Sede do MFC (Rua Araújo Bivar, 580, Pajuçara – Rua do Estádio do CRB), para avaliar o desempenho do MFC e seus Grupos de Base, estabelecer metas e trocar informações referentes às atividades mefecistas no âmbito de Maceió.

A principal ação desenvolvida pelo MFC MACEIÓ é a intermediação, organização das ações e atividades dos Grupos de Base, sendo importante à troca de informações para que possa existir sucesso nas metas planejadas. Além do acompanhamento das ações, nesta reunião serão realizados os ajustes do Plano de Ação do MFC MACEIÓ.

O Conselho de Cidade é formado pela Coordenação de Cidade e Coordenadores de Grupos de Base. Participam também da reunião os demais integrantes da Equipe Cidade, Tesoureiros, Orientadores e Assessorias dos Grupos de Base.

Se você é Coordenador, Tesoureiro ou Auxiliar de Grupo, não falte, a sua presença é fundamental para que o Grupo tenha voz e voto nas decisões do MFC MACEIÓ.

REUNIÃO EQUIPE DE EXPANSÃO

A
 Equipe de Expansão do MFC MACEIÓ, responsável pela organização e realização da 30ª NUCLEAÇÃO que acontecerá de 27 a 29 de setembro de 2013, na Sede dos Cursilhos, se reúne com todas as Equipes de Serviços que trabalharão durante o evento.

A reunião terá inicio às 19h30min desta terça-feira (10) e acontecerá na Sede do MFC (Rua Araújo Bivar, 580, Pajuçara – Rua do Estádio do CRB).

A coordenação da 30ª NUCLEAÇÃO DO MFC MACEIÓ lembra a todos os mefecistas que trabalharão na 30ª NUCLEAÇÃO que nesta reunião devem efetuar o pagamento da taxa de participação. Aqueles que tiverem fichas de inscrição de nucleando também devem entregar na reunião.

domingo, 8 de setembro de 2013

HOJE, 205ª MISSA DO MFC NO ALDEBARAN


LITURGIA DO 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM - 08/09/2013

   
 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM



PRIMEIRA LEITURA (Sb 9,13-18)

LEITURA DO LIVRO DA SABEDORIA:
13Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Ou quem pode imaginar o desígnio do Senhor?

14Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos e nossas reflexões incertas: 15porque o corpo corruptível torna pesada a alma, e tenda de argila oprime a mente que pensa.

16Mal podemos conhecer o que há na terra, e com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos; quem, portanto, investigará o que há nos céus?

17Acaso alguém teria conhecido o teu desígnio, sem que lhe desses Sabedoria e do alto lhe enviasses teu santo espírito? 18Só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra, e os homens aprenderam o que te agrada, e pela Sabedoria foram salvos.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

RESPONSÓRIO (Sl 89)

— Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós!

— Vós fazeis voltar ao pó todo mortal,/ quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!”/ Pois mil anos para vós são como ontem,/ qual vigília de uma noite que passou.

— Eles passam como o sono da manhã,/ são iguais à erva verde pelos campos:/ de manhã ela floresce vicejante,/ mas à tarde é cortada e logo seca.

— Ensinai-nos a contar os nossos dias,/ e dai ao nosso coração sabedoria!/ Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis?/ Tende piedade e compaixão de vossos servos!

— Saciai-nos de manhã com vosso amor,/ e exultaremos de alegria todo o dia!/ Que a bondade do Senhor e nosso Deus/ repouse sobre nós e nos conduza!/ Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

SEGUNDA LEITURA (Fm 9b-10.12-17)

LEITURA DA CARTA DE SÃO PAULO APÓSTOLO A FILÊMON:
Caríssimo: 9bEu, Paulo, velho como estou, e agora também prisioneiro de Cristo Jesus, 10faço-te um pedido em favor do meu filho, que fiz nascer para Cristo na prisão, Onésimo. 12Eu o estou mandando de volta para ti. Ele é como se fosse o meu próprio coração. 13Gostaria de tê-lo comigo, a fim de que fosse teu representante para cuidar de mim nesta prisão, que eu devo ao evangelho.

14Mas eu não quis fazer nada sem o teu parecer, para que a tua bondade não seja forçada, mas espontânea. 15Se ele te foi retirado por algum tempo, talvez seja para que o tenhas de volta para sempre, 16já não como escravo, mas, muito mais do que isso, como um irmão querido, muitíssimo querido para mim quanto mais ele o for para ti, tanto como pessoa humana quanto como irmão no Senhor. 17Assim, se estás em comunhão de fé comigo, recebe-o como se fosse a mim mesmo.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

EVANGELHO (Lc 14,25-33)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, † segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 25grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.

28Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!’

31Ou ainda: qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz.

33Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!

REFLEXÃO
Padre Luiz Carlos de Oliveira
Missionário Redentorista

DESAPEGAR-SE – NÃO ODIAR
Quando se fala de religião, fé, moral e espiritualidade, dá-se a impressão de proibição, com um solene não. Embora pareça bloqueio, é libertação do que nos oprime para a escolha de algo que liberta. Quando ouvimos Não matar, entendemos libertar para dar vida e ter vida. Jesus, ao mostrar as exigências de seu seguimento, quer tudo ou nada. Tem que pensar antes de assumir o seguimento, como explica através das parábolas do rei que vai para a guerra e tem que avaliar seu poder de força e o construtor da torre analisar suas condições para a construção. E completa com a explicação: “Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). Não dá para seguir Jesus pela metade, colocando reservas a seu ensinamento. Isso é um péssimo contributo para a evangelização, apresentando um Jesus retalhado e um evangelho espedaçado. O desapego não significa ódio à família nem a si mesmo nem aos bens. A cultura do tempo de Jesus falava por opostos. Trata-se de dar preferência, de acordo com a o pensamento hebraico. Que Jesus e sua Palavra sejam o ponto de partida da vida e o sentido de tudo que fazemos. É isto que dá vida. Vimos na história do jovem rico que a exigência de Jesus não lhe agradou. Jesus gostou dele. O moço era uma pessoa boa (Mt 19,17). A solução está em colocar família, bens e a própria vida no seguimento de Jesus. Nossa fé perde a força de testemunho quando a vivemos por pedaços. Apresenta a cruz como o modo de segui-lo: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meus discípulos” (Lc 14,27). Carregar a cruz significa caminhar com o mesmo amor de serviço com o qual Ele nos deu a redenção.

O CORPO PESA SOBRE A ALMA
Vivemos a condição humana marcada pela fragilidade espiritual fruto do pecado original e dos pecados que acrescentamos à maré de males que há no mundo. Ensinados pela Sabedoria podemos conhecer o desígnio de Deus. Ela nos ensina que, se temos dificuldades de conhecer o que há na terra, como investigar os céus? (Sb 9,16). O autor reconhece que o corpo corruptível torna pesada a alma e a tenda de argila oprime a mente que pensa (Sb 9,15). O salmo 89 reflete esta fragilidade do ser humano comparando-o à erva e ao sono da manhã. Tudo passa e tudo é frágil. Mas já podemos conhecer o desígnio de Deus, pois nos foi dada a Sabedoria do Espírito Santo. O homem é frágil, mas tem a consistência do Espírito que age nele. E o Sábio conclui que nossos caminhos se tornam retos e aprendemos a agradar a Deus. É o que pudemos ver na carta de Paulo a Filemon. Nela mostra que a fé penetra as decisões humanas. A fé pode orientar nossa vida em todos seus segmentos. Mesmo que pese sobre nós a fragilidade, podemos ter a força da fé.

A FÉ DESTRÓI BARREIRAS
Rezamos no salmo: “Ensinai-nos a contar nossos dias dai ao nosso coração sabedoria” (Sl 89). E rezamos na oração da missa: “Concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna”. Depois de fazermos a mudança de vida nós o escolhemos. A fé em Jesus destrói as barreiras e os pesos que sofremos por conta da natureza humana frágil e pecadora. Depois de termos escolhido Jesus, temos mais condições de acertar do que riscos de errar. Os erros que cometemos não atingem a substância de nossa alma no seu relacionamento com Deus. Em cada missa recebemos o Corpo do Senhor que é purificação e sustento. Somos ensinados por Deus.

ORAÇÃO
                             
Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna.  Amém!

Editado por JorgeMacielNews