O Papa Bento XVI exortou os cristãos a não ter medo de um compromisso político, durante uma missa ao ar livre em Viterbo, cidade ao norte de Roma que foi sede do papado durante 24 anos no século XIII. “Não tenham medo de demonstrar vossa fé nos diferentes círculos sociais, nas múltiplas situações da existência”, declarou o Sumo Pontífice, recordando ainda a vocação dos cristãos “de viver o Evangelho”, destacando que isto corresponde justamente ao “compromisso social, à ação política”.
O homem é o maior valor existente no mundo. Tudo foi criado por Deus em razão do homem e para o homem, que é o centro nevrálgico de toda a ordem social, cósmica e telúrica. O homem está inserido num contexto de universalidade, abrangente de todos os valores existentes. Nada, portanto, existe no mundo fora do homem ou que a ele não interesse.
O homem é uma totalidade de valores imanentes, e anseios e conquistas, de caminhos a percorrer, de mundos a criar. Da mesma maneira que se não podem estrangular as palpitações de vida, que gravitam nas entranhas de uma semente, assim não se pode emascular a inteligência, a vontade e a sensibilidade do homem. Ele é por essência, por natureza, por destinação, por impulsos instintivos, um ser social, um ser construtor e operário, um ser econômico, político, moral e religioso.
A Igreja, na sua missão evangelizadora, tem que proceder como Cristo, que tomou o homem com a totalidade dos seus valores e das suas contingências. A igreja não vai retalhar o homem em pedaços: este é meu, esse do Estado, aquele da família. Esta parte é religiosa mas aquela é política, etc. O homem não é só corpo nem somente espírito. É uma síntese. Não existe esta dicotomia entre a psicologia e a fisiologia. Entre o espiritual e o material.
Negar a igreja o direito de interessar-se pelos problemas sociais, econômicos e políticos do homem, é estrangular e mutilar a sua missão de redentora do homem, e ferir este homem nos direitos primaciais que constituem a sua personalidade e os valores imanentes do seu ser.
O grande mal é que os homens abastardaram tanto a política que julgam e apreciam o comportamento da Igreja segundo essa visão míope e deformada. Sem embargo, alguns cristãos olham às vezes a Igreja como se estivessem à margem dela. Tomam distância da Igreja como se a relação dela com Jesus Cristo, seu fundador, fosse acidental e ela tivesse surgido como uma conseqüência ocasional de sua vida e de sua morte.
*Membro do MFC do Amapá














































